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Atriz Luiza Tomé é a madrinha da banda Alegria Sem Ressaca 2010

Ass. de Imprensa - Patricia Terra, 18/01/2010

Luiza Tomé veste a camisa da banda Alegria Sem Ressaca com vontade. Quando recebeu o convite para ser a madrinha da banda este ano, ela pensou que chegava a hora de falar sobre o alívio de ter superado certos dramas familiares e pessoais ligados à dependência química, de álcool e drogas, que atingiu em cheio dois de seus irmãos – e, por tabela, todos que os amavam. Um deles se recuperou, depois de quase trinta internações. Parou de usar drogas e beber há oito anos. Hoje trabalha como conselheiro, ajudando na recuperação de dependentes em tratamento. O outro morreu de overdose em 2001, aos 44 anos, depois de pular pela janela achando que estava sendo perseguido pela polícia. Na época, Luíza vivia a lendária Rosa Palmeirão na tv. “Senti com se fosse uma facada no coração”, diz a atriz.
Enquanto lutava com todas as suas forças para tentar ajudar os irmãos e consertar o rastro de destruição deixado pelos abusos dos dois, Luiza também adoeceu. “Tive síndrome de pânico, não saía de casa, pensava que ia morrer. A primeira crise foi quando meu filho mais velho tinha 11 meses e minha mãe me chamou pela enésima vez para ajudar meu irmão que acabou morrendo. O telefone tocava, eu ficava gelada, com taquicardia, sempre esperando notícia ruim: hospital, polícia...Foi a rebarba de toda a pressão que sofri durante toda a minha vida”. Como já estava virando freguesa da emergência do Albert Einstein e tinha perdido 6 kg em pouco tempo, decidiu procurar um clínico. Depois de uma batelada de exames que não indicaram nada de errado, Luiza recorreu a um psicanalista.
Segundo Jorge Jaber, especialista em dependência química e mentor da banda Alegria Sem Ressaca, um levantamento feito com 490 familiares de usuários de álcool e outras drogas revelou que 90% sofrem algum tipo de transtorno de ansiedade e o principal é a ansiedade generalizada, a sensação de que alguma coisa ruim vai acontecer. “Há liberação confusa de hormônios, como a adrenalina, gerada pelo descontrole emocional do familiar, o que pode desenvolver alergias, problemas de pele, hipertensão, diabetes, emagrecimento súbito...O familiar também precisa de tratamento”, confirma o médico, que atende em sua clínica quem convive intimamente com o dependente químico.
Luiza Tomé revela que pensou até em se matar. Mas durante o tratamento, vieram à tona sentimentos de menina, de quando a mãe pedia que ela chamasse o pai bêbado para ver filmes de Oscarito. Lembrou também que gastava todo o seu salário para tentar livrar os irmãos de problemas e que não media esforços. “Me sentia responsável por meus irmãos. Quando bem jovem, estudava Direito e vendi meus pertences para ir a Salvador tirar um deles da cadeia, que lá estava por porte de maconha. Uma vez, já atriz, gravando em Fernando de Noronha, peguei um avião para tentar fazer alguma coisa quando me avisaram que um dos dois estava em dificuldades. Aí senti que algo não ia bem comigo”, relembra. “Precisei de tratamento psicológico e de remédio também. Mas hoje sou outra pessoa. Sempre tive vontade de falar sobre isto e desmistificar o assunto. É importante para que as pessoas vejam que acontece com qualquer um e se identifiquem. Quando alguém se recupera traz felicidade para uma família inteira. Meu irmão também quase se matou – já bebia álcool puro – hoje ajuda a muita gente”.
Para ela, nunca se deve perder a esperança. “Eu sempre achava que da próxima vez ia dar certo. E deu. O Tomé, que hoje estuda psicologia, trabalha, é bom pai e marido, só conseguiu parar de se drogar depois da 28ª internação”.
Bebedora social de vinho e querendo deixar de fumar, Luiza diz que driblou a ansiedade, mas admite que morre de medo hoje de que seus filhos usem drogas e também por isto abraça a causa da prevenção. “Digo para meus três filhos que o tio foi embora da Terra por causa disso. Vivi cercada de mentiras e acho que o melhor remédio é a verdade. Franqueza e limites claros”, diz a atriz, casada com Adriano há quinze anos e no ar como a divertidíssima Samanta, na novela Bela, a Feia, da Rede Record. “Este é o presente de Deus: a vida. E, como diz Fernando Pessoa, passo pela vida olhando para um lado e para o outro, mas nunca deixando de olhar para trás”, conclui.
A banda Alegria Sem Ressaca sai domingo, dia 7 de fevereiro, com concentração às 9 horas, na esquina da Av. Atlântica com R. República do Peru e segue até o Posto Seis pela orla, arrastando centenas de foliões que acreditam não precisar de nenhuma substância química para se esbaldar no Carnaval.

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