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Alegria sem Ressaca desfila domingo com muitas adesões
Patricia Terra - Ass de Imprensa, 04/02/2010
O desfile da banda Alegria Sem Ressaca 2010, criada pelo médico especialista em dependência química Jorge Jaber, dir. científico da APERJ, vai animar a orla de Copacabana pelo sexto ano consecutivo, levantando o estandarte da prevenção ao abuso de álcool e outras drogas, no domingo dia 7 de fevereiro, a partir das 9 da manhã, com concentração na esquina de Av. Atlântica com R. República do Peru.
- a madrinha 2010 é a atriz Luiza Tomé (ela sucede no posto as atrizes Solange Couto e Tássia Camargo)
- o Maestro Quintanilha, do Cordão do Bola Preta, rege os músicos, que tocam marchinhas de Carnaval, além do novo tema da banda:
Vamos nessa meu amor, cair nessa folia,
Sem cachaça, por favor, a gente? Quem diria!!!
Só por hoje eu vou querer, viver por mais um dia
Hoje eu vou encher a cara, só de alegria!!!
Essa vida é muito boa, mamãe já me dizia,
Ela é maravilhosa e a gente não sabia!!!
Hoje eu vou me divertir muito mais do que eu queria,
Alegria sem ressaca, até o raiar do dia!!!
- a ong Trânsito Amigo, de Fernando Diniz, pai de Fabrício, morto em acidente na Av Aírton Senna há sete anos, vai desfilar em ala que comemora os resultados da Lei Seca no trânsito: em um ano, foram evitadas 3.700 mortes só no Rio de Janeiro. (dados da ong, baseados em números do Min da Saúde, revelam que o trânsito faz 60 mil mortes evitáveis por ano no Brasil e que o custo destes mortos e dos feridos gira em torno de 42 bilhões de reais/ano, mas, segundo Fernando, há pouquíssimo investimento em prevenção)
- A SESQV (Secretaria do Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida - secretária Cristiane Brasil) vai levar para o desfile mais de 300 idosos atendidos nas casas de convivência e no programa Qualivida, que oferece atividade física nas praças da cidade.
- O desembargador Siro Darlan, a defensora pública Cristiane Xavier (Núcleo de Defesa da Mulher Vítima de Violência), o Conselho Estadual da Criança e do Adolescente e a Rede Rio Criança - que reúne 17 instituições voltadas para a criança em situação de rua, inclusive a Pastoral do Menor - vão participar do desfile.
- Uma ala de 30 homens-aranha, sendo um anão e um cor-de-rosa, vai alegrar o desfile e outra, de crianças, vai usar camisetas com o slogan "Nasci livre das drogas"
- A Cia. Palco de Teatro, dirigida pela atriz Simone Simão, vai apresentar esquetes sobre abuso de álcool, desde a concentração até o fim do desfile, no Posto Seis.
- Uma ala de dançarinos das principais escolas de dança do Rio vai mostrar que gosta mesmo é de samba. Os dançarinos vão ensinar uns passinhos para quem quiser aprender na hora e se juntar à folia! Afinal, Carnaval é pra beber ou pra sambar?
- Com o apoio da ABRAD (Ass. Bras. de Alcoolismo e Drogas) e da APERJ (Ass. Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro), a banda não tem patrocínio da Ambev, ao contrário das outras, mas garante um carnaval sem álcool super animado. Este ano, a Alegria Sem Ressaca conta também com terapeutas e pacientes do serviço gratuito de tratamento de dependência química, oferecido pelo psiquiatra Jorge Jaber na Câmara Comunitária da Barra. A CCBT (serviço gratuito para dependentes químicos) fica na Av. Mal. Henrique Lott, 135 - Parque das Rosas - Barra da Tijuca - Tel. 3325-2323
- o site da banda já está no ar: é o www.alegriasemressaca.com
Outras informações sobre a madrinha Luiza Tomé:
Luiza Tomé veste a camisa da banda Alegria Sem Ressaca com vontade. Quando recebeu o convite para ser a madrinha da banda este ano, ela pensou que chegava a hora de falar sobre o alívio de ter superado certos dramas familiares e pessoais ligados à dependência química, de álcool e drogas, que atingiu em cheio dois de seus irmãos - e, por tabela, todos que os amavam. Um deles se recuperou, depois de quase trinta internações. Parou de usar drogas e beber há oito anos. Hoje trabalha como conselheiro, ajudando na recuperação de dependentes em tratamento. O outro morreu de overdose em 2001, aos 44 anos, depois de pular pela janela achando que estava sendo perseguido pela polícia. Na época, Luíza vivia a lendária Rosa Palmeirão na tv. "Senti com se fosse uma facada no coração", diz a atriz.
Enquanto lutava com todas as suas forças para tentar ajudar os irmãos e consertar o rastro de destruição deixado pelos abusos dos dois, Luiza também adoeceu. "Tive síndrome de pânico, não saía de casa, pensava que ia morrer. A primeira crise foi quando meu filho mais velho tinha 11 meses e minha mãe me chamou pela enésima vez para ajudar meu irmão que acabou morrendo. O telefone tocava, eu ficava gelada, com taquicardia, sempre esperando notícia ruim: hospital, polícia...Foi a rebarba de toda a pressão que sofri durante toda a minha vida". Como já estava virando freguesa da emergência do Albert Einstein e tinha perdido 6 kg em pouco tempo, decidiu procurar um clínico. Depois de uma batelada de exames que não indicaram nada de errado, Luiza recorreu a um psicanalista.
Segundo o médico Jorge Jaber, especialista em dependência química e mentor da banda Alegria Sem Ressaca, um levantamento feito com 490 familiares de usuários de álcool e outras drogas revelou que 90% sofrem algum tipo de transtorno de ansiedade e o principal é a ansiedade generalizada, a sensação de que alguma coisa ruim vai acontecer. "Há liberação confusa de hormônios, como a adrenalina, gerada pelo descontrole emocional do familiar, o que pode desenvolver alergias, problemas de pele, hipertensão, diabetes, emagrecimento súbito...O familiar também precisa de tratamento", confirma o médico, que atende em sua clínica quem convive intimamente com o dependente químico.
Luiza Tomé revela que pensou até em se matar. Mas durante o tratamento, vieram à tona sentimentos de menina, de quando a mãe pedia que ela chamasse o pai bêbado para ver filmes de Oscarito. Lembrou também que gastava todo o seu salário para tentar livrar os irmãos de problemas e que não media esforços. "Me sentia responsável por meus irmãos. Quando bem jovem, estudava Direito e vendi meus pertences para ir a Salvador tirar um deles da cadeia, que lá estava por porte de maconha. Uma vez, já atriz, gravando em Fernando de Noronha, peguei um avião para tentar fazer alguma coisa quando me avisaram que um dos dois estava em dificuldades. Aí senti que algo não ia bem comigo", relembra. "Precisei de tratamento psicológico e de remédio também. Mas hoje sou outra pessoa. Sempre tive vontade de falar sobre isto e desmistificar o assunto. É importante para que as pessoas vejam que acontece com qualquer um e se identifiquem. Quando alguém se recupera traz felicidade para uma família inteira. Meu irmão também quase se matou - já bebia álcool puro - hoje ajuda a muita gente".
Para ela, nunca se deve perder a esperança. "Eu sempre achava que da próxima vez ia dar certo. E deu. O Tomé, que hoje estuda psicologia, trabalha, é bom pai e marido, só conseguiu parar de se drogar depois da 28ª internação".
Bebedora social de vinho e querendo deixar de fumar, Luiza diz que driblou a ansiedade, mas admite que morre de medo hoje de que seus filhos usem drogas e também por isto abraça a causa da prevenção. "Digo para meus três filhos que o tio foi embora da Terra por causa disso. Vivi cercada de mentiras e acho que o melhor remédio é a verdade. Franqueza e limites claros", diz a atriz, casada com Adriano há quinze anos e no ar como a divertidíssima Samanta, na novela Bela, a Feia, da Rede Record. "Este é o presente de Deus: a vida. E, como diz Fernando Pessoa, passo pela vida olhando para um lado e para o outro, mas nunca deixando de olhar para trás", conclui.
A banda Alegria Sem Ressaca sai domingo, dia 7 de fevereiro, com concentração às 9 horas, na esquina da Av. Atlântica com R. República do Peru e segue até o Posto Seis pela orla, arrastando centenas de foliões que acreditam não precisar de nenhuma substância química para se esbaldar no Carnaval
Ass. Imprensa Patrícia Terra - Interface Jornalismo - 21-9859-3662
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