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fonte: O Globo

A morte do carioca Carlos Eduardo Albuquerque Maranhão, de 46 anos, que estava em tratamento em uma clínica do Rio para tratar o vício em crack e heroína, reacendeu o debate sobre os efeitos que a abstinência dessas drogas pode causar no organismo. No caso da heroína, a interrupção abrupta da droga pode ser letal para um dependente químico que não receba o tratamento adequado, podendo levar a mortes por parada cardíaca, insuficiência respiratória ou desidratação. Isso porque, de acordo com o psiquiatra Jorge Jaber, a droga funciona como um neurotransmissor externo, substituindo o papel de comunicação que os neurotransmissores orgânicos fazem entre o sistema nervoso e todo o resto do corpo. Já no caso do crack, não há relação comprovada das mortes de usuários com a interrupção no consumo da droga.

Segundo Jorge Jaber, que já fez atendimento em cracolândias do Rio, quando a heroína é cortada, as interações entre o cérebro e o organismo ainda não foram restabelecidas, o que afeta diretamente os músculos, o sistema cardiorrespiratório e o sistema digestivo.

Sobre as formas de tratar as crises de abstinência, Jorge Jaber explica que uma pessoa viciada em heroína deve ser encaminhada a uma emergência médica, para que possa ser tratada com doses regulares de metadona, único medicamento comercializado no Brasil que pode ser utilizado no tratamento de dependentes químicos da droga que estejam em abstinência.

– Quando neurotransmissores orgânicos percebem há um neurotransmissor externo atuando, como ocorre no caso da heroína, eles desligam. Se a droga é cortada abruptamente, os processos químicos que permitem a comunicação entre os neurônios são interrompidos, assim como a comunicação do sistema nervoso com o resto do corpo. Além da heroína, o álcool, a maconha e a cocaína também atuam como neurotransmissores externos, mas em menor intensidade. Por isso, nesses as crises de abstinência cosumam ser menos graves, deixando as pessoas mais irritadiças ou agressivas – esclarece o psiquiatra.

No caso do crack, não há relatos de morte pela abstinência da droga, segundo o coordenador executivo do Programa Álcool, Crack e outras Drogas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Francisco Netto.

Para os especialistas em dependência química, as mortes durante o processo de desintoxicação são comuns, mas decorrentes de outras doenças e situações.

— Não é comum. Não há relatos de morte por abstinência de crack. Em geral, as mortes são causadas por associação com inanição ou outras doenças. Diferentemente do álcool e da heroína, que têm substâncias que afetam o organismo — afirmou o psicólogo Francisco Netto.

Jorge Jaber faz coro, alertando para outros problemas decorrentes do consumo de drogas em ambientes insalubres como as cracolândias:

— As principais preocupações são as doenças orgânicas, porque, nas ruas, as pessoas abandonam hábitos de higiene, o que favorece doenças infeccionas e a tuberculose, por exemplo. Também há a promiscuidade sexual entre os usuários de drogas. Outro agravante é a inanição. Tudo isso faz com que as pessoas percam os anticorpos.

Segundo Jaber, é comum as pessoas morrerem no período de 24 horas após a internação. Isso porque já estão com uma doença num estágio muito avançado. algumas, de acordo com ele, até agonizando.

— Frequentemente, há casos de politraumatismo, devido a quedas. Também há muitos doentes com quadro de infecções gravíssimas. A cada 100 mulheres usuárias de crack, 90% têm infecções urinárias e ginecológicas, pois não tomam os cuidados devidos.

Sobre o tratamento dos usuários de droga, as opiniões se dividem. Para Jorge Jaber, é preciso antes pensar na saúde física do paciente, com avaliação clínica, psiquiátrica, tratamento psicossocial e prevenção à recaída.

Já Francisco Netto afirma que há controversas sobre o tratamento:

— Esse é um tema super polêmico. Não há um concesso que indique qual é o melhor. Há várias formas de pensar o tratamento. Depende do usuário.

O psiquiatra, que presta um serviço gratuito a dependentes de drogas e parentes pela Universidade Gama e Souza, disponibilizou um número de telefone para que tiver interesse no tratamento: 2540-9091.

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