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Aluno: Marcus Vinícius

Resumo
Na atualidade a dependência química é um dos problemas mais graves da sociedade brasileira e de responsabilidade da saúde pública, complexo e multifatorial.

A arteterapia contribui como uma das ferramentas de recuperação do dependente, facilitando a superação das dificuldades e compreendendo a dinâmica de vida do indivíduo.

Introdução
O uso de drogas é uma prática antiga e pertence a várias culturas desde os tempos pré-históricos, se utilizando dessas substâncias para fins terapêuticos. No Brasil, existe uma relação comprovada entre esse consumo e os agravos à saúde dele decorrentes. Observa-se o surgimento de diversificados tipos de drogas o que muda o modo e o tipo de consumo, bem como o impacto na vida do usuário.

A Arteterapia é o termo que designa a utilização de recursos artísticos em contextos terapêuticos. Aborda artisticamente temas como a auto-imagem, família, corpo, comunicação, relacionamentos, amor, doença, vida e morte. Refaz idéias e conceitos, liberando o indivíduo de suas amarras, fazendo-o reconhecer a si mesmo como o seu “curador”. A Arteterapia tem como principal objetivo promover a liberação de conteúdos internos agradáveis ou desagradáveis, facilitando o contato com o potencial de desenvolvimento e tratamento, presentes em todo individuo, aumentando a motivação, a criatividade, a auto-estima, proporcionando um bem-estar físico e psíquico (URRUTIGARAY, 2008). O objetivo deste trabalho é trazer algumas considerações sobre a dependência química e o uso da arteterapia como recurso no tratamento.

Resultados
Como a dependência química atinge todas as áreas da vida do indivíduo, faz-se necessário a aplicação de um modelo biopsicossocial de saúde, considerando o paciente em sua totalidade, encarando-o como um ser ativo. Segundo Leite (2000) o tratamento da dependência química deve abranger o indivíduo, bem como o impacto e as conseqüências do consumo sobre as diversas áreas da vida do mesmo. Diante disto, a arteterapia surge para nos ajudar a encontrar um caminho que contribui no processo de recuperação do dependente, facilitando a superação das dificuldades e compreendendo a dinâmica de vida. A arteterapia também procura respeitar os diversos aspectos dos usuários, como os afetivos, culturais, cognitivos, motores, sociais entre outros aspectos tão importantes na saúde mental (VALLADARES & CARVALHO, 2005). Presume-se, então, que a análise dos conteúdos das produções simbólicas: cores, profundidade, criatividade etc. apresenta o registro dos momentos de suas vidas (URRUTIGARAY, 2003; 2006).
Furth (2004), Leite (2002), Valladares (2004, 2005) acreditam que, tanto na arte quanto na arteterapia, os conteúdos do inconsciente são registrados pela produção simbólica (imagens), pela cor, formas, movimentos, ocupação no suporte e padrões expressivos gerais, elementos que compõem o processo de transformação e obtêm consistência a partir da criação plástica. Assim, as imagens produzidas pelos usuários ajudam na compreensão da trajetória psíquica deles.
Lazzarini (2003) contribui dizendo que ao realizar um trabalho artístico, seu autor revela uma imagem de seu mundo interno, como resultado de seu trabalho de criação, constrói uma imagem plástica, trazendo para o mundo externo e objetivo a imagem que estava internalizada e na dimensão do imaterial, em seu mundo subjetivo. Ao contemplar suas próprias obras, o autor entra em contato com características essenciais que compõe a sua identidade. Ao usar recursos artísticos, reconhece seus recursos internos, ou seu poder criativo, revigorando o sopro de vida contido em si mesmo.
Rogers (2002) diz que o núcleo é freqüentemente constituído pela expressão criadora, através dos vários meios da arte, sendo o objetivo a espontaneidade individual e a liberdade de expressão. Portanto muito temos a explorar a partir destes recursos artísticos que podem contribuir no tratamento do dependente químico.

Conclusão
Conclui-se que tão complexo quanto a dependência é a questão do tratamento. Pode-se dizer que a forma de encarar a dependência química e o trabalho com o mesmo, sofreu e ainda sofre alterações, que buscam cada vez mais uma abordagem mais ampla e coerente do usuário ou do dependente químico. Acredito que também são necessárias mudanças na formação dos profissionais que lidam com essa questão, além de alterações na forma de encarar o paciente ou o indivíduo que apresenta maior vulnerabilidade em relação à droga, encarando os mesmos como seres ativos, que possuem saberes e fazeres próprios. Pude concluir também que as técnicas da arteterapia e seus efeitos terapêuticos podem ser explorados e utilizados como uma ferramenta de assistência nos cuidados em saúde mental, em especial com os dependentes químicos. Estes podem funcionar como uma ampliação da utilização de técnicas inovadoras, no desbloqueio da energia psíquica, na redução de danos emocionais provocados pela patologia e como uma diretriz importante na política de atenção integral aos usuários.

Autores: Tais Cristina Bezerra da Silva; Clara Isabel Saeta Moya.
Universidade do Vale do Paraíba/ Faculdade de Ciências da Saúde Campus Urbanova

Referências
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