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fonte: ABI

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) recebeu na manha dessa quinta-feira (30), em sua sede, no Centro do Rio, um evento de grande interesse para a categoria. O painel ‘Em Pauta: a saúde emocional do jornalista’, tratou de um tema que está na ordem do dia: assédio moral e transtornos mentais, em especial na profissão do jornalista, coordenado pelas jornalistas Rosayne Macedo e Malu Fernandes.

O evento foi o primeiro realizado pelo site ViDA & Ação em parceria com o grupo JornalistasRJ. Todos os especialistas advertiram para a necessidade de não silenciar a violência. O evento reuniu profissionais como o juiz do trabalho André Villela; o psiquiatra Jorge Jaber; a jornalista e psicanalista Sandra Teixeira; a jornalista Karen Terahata (Blog Sem Transtorno) e a pranaterapeuta Marta Cavalcanti.  Teve ainda a presença do jornalista Ricardo França, como convidado especial, contando sua experiência. “A questão do assédio moral e sexual nas redações e assessorias de imprensa é blindada pelo silêncio do medo, da submissão, do corporativismo e do poder”, afirma França, que já foi vítima de assédio moral e sofre até hoje com problemas como depressão, ansiedade e síndrome do pânico.

O juiz do trabalho André Villela abriu a palestra ressaltando que a questão do assédio é uma epidemia mundial e em 99% dos casos acontece com as mulheres. Ele ainda falou sobre os sintomas do problema e das formas como ele se apresenta. “O assédio escamoteado é o mais difícil de identificar e a vítima sofre muito até a hora de superar a barreira do silêncio. Às vezes é muito difícil distinguir o limite entre uma brincadeira uma perseguição de fato”.

Outro mito, segundo o juiz é que ele pode ocorrer somente entre superiores e subordinados. “A intimidação e a chantagem ocorrem, em inúmeros casos, entre profissionais paritários. Mas não hesitem em levar o celular quando forem falar com o assediador. Precisamos usar as ferramentas que temos”, aconselhou.

O psiquiatra Jorge Jarber explicou como o assédio moral compromete a saúde mental e a dignidade do trabalhador, até leva-lo a outras patologias, como abuso de substâncias e dependência química. O médico também falou sobre o mercado da comunicação, marcado pelo machismo e abuso de álcool e drogas, lícitas e ilícitas. “A profissão de jornalista está ficando cada vez mais difícil com o impacto das novas tecnologias. A própria história do jornalismo é marcada por estigmas e as redações são um ambiente muito machista e competitivo, que propicia aos comportamentos inadequados e abusivos”.

Após anos de silêncio e angústia, o jornalista Ricardo França compartilhou com os colegas  o sofrimento causado por anos de assédio moral que o levou à depressão e algumas internações. Com seu depoimento emocionado, ele alertou a plateia para os assédios silenciosos que excluem e marginalizam e o silêncio dos companheiros de trabalho. “Eu era chefe da Secretaria de Segurança Pública e meu trabalho foi esvaziado aos poucos até o isolamento total. O silêncio dos colegas foi terrível”.

Durante o encontro, apresentadores puderam  partilhar suas experiências e técnicas de recuperação. A jornalista e também psicanalista Sandra Teixeira contou um pouco de sua trajetória no jornalismo, também marcada pela abuso de autoridade desde que iniciou na profissão e como vem superando suas dificuldades. “Precisamos de ferramentas para ajudar a nos proteger de uma sociedade cada vez mais perversa. Ninguém quer ser apagado e desqualificado. Se não tivermos a capacidade de nos criar e reinventar não vale a pena viver. A análise foi fundamental para eu continuar porque a estratégia de dominação é perversa”, disse a psicanalista, que pediu demissão de um emprego por ser assediada e buscou novos caminhos.

A jornalista e blogueira Karen Terahata (Blog Sem Transtorno) transformou seu sofrimento em produção e conhecimento. Com diagnóstico de transtornos de ansiedade desde 21 anos, ela vem aprendendo a lidar com a doença. Faz a medicação, terapia e atualmente mantém um blog onde divulga e partilha histórias e informações sobre o transtorno mental, além de um grupo para trocar experiências com outras pessoas que sofrem do problema. Ela deu várias dicas para uma recuperação saudável.

“Nunca tive uma qualidade de vida como tenho hoje. Graças ao tratamento, que é a medicação, terapia e atividade física. É importante o apoio da família e a quebra do preconceito com a doença mental. Psiquiatra não é médico de louco. A pessoa que sofre de transtorno mental é estigmatizada de forma cruel”.

Já a pranaterapeuta Marta Cavalcanti apresentou métodos alternativos para ajudar na saúde mental e defesa contra o assédio. Com formação em terapias holísticas, a especialista falou sobre massagens corporais e exercícios de respiração para aliviar o estresse e superar as dificuldades.

“O assediador, adoecido, cai em cima da vítima, que pode estar mais preparada para lidar com os abusos de forma mais equilibrada possível. A sociedade está doente. Precisamos nos proteger.”

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