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Aluno: Fábio Augusto Bento FreitasAluno: Fábio Augusto Bento Freitas

Não há medidas simples para mudança de comportamento de dependentes químicos. Cada vez mais, pesquisadores profissionais que atuam nesta área, buscam maneiras mais eficazes de atuar em relação a esse grupo de pessoas. Nos últimos anos, houve uma grande evolução no conhecimento no que tange ao processo de mudança e na descoberta de estratégias de intervenção efetivas na promoção da mudança de comportamento.Apesar de ser classificada como “terapia psicológica”, a Entrevista Motivacional (EM) consiste em uma abordagem eficaz para promoção da mudança de comportamento do dependente químico em favor de um estilo de vida saudável. Essa abordagem agrega valor em toda e qualquer fase do tratamento, podendo ser utilizada em associação com qualquer outra técnica de tratamento.Desenvolvida originalmente pelos psicólogos Willian Miller e Stephen Rollnick na década de 1990, essa abordagem psicológica difere de tantas outras, pois ela consiste em um estilo clínico habilidoso que tem por objetivo evocar as motivações internas para promover mudanças comportamentais de acordo com os interesses que o indivíduo tem na melhoria de sua saúde.A Entrevista Motivacional surgiu a partir de experiências clínicas com pessoas que apresentavam problemas com o álcool, sendo logo testada no tratamento de diversas doenças em países como Austrália, Inglaterra, Canadá, Holanda e Estados Unidos.Ela é fundamentada nos conceitos de motivação, ambivalência e prontidão para mudança, e recebeu influências de outras abordagens tradicionais, como as de aconselhamento centrado no cliente, terapia cognitivo-comportamental (TCC), teoria sistêmica e psicologia social. No entanto, estruturou-se de forma a priorizar o estilo do terapeuta, que deve ser o grande responsável por estabelecer uma relação empática, centrada, não confrontativa e diretiva. Possui metodologia prática e objetiva que permite ser aplicada por profissional qualificado.Este profissional possibilita reconhecer as potencialidades do indivíduo, acreditar que tenha recursos e capacidade para estruturar mudanças positivas em sua vida, tratá-lo com gentileza, reforçar a autonomia e responsabilidade pessoal, trabalhar de forma a evocar a esperança e desejo de mudar, tendo atitudes de parceria, apoio, respeito, colaboração, e proporciona um aumento significativo em conseguir estruturar uma mudança de comportamento, assim como mantê-la. O profissional que aplica esses princípios em sua prática, está propiciando ao indivíduo um ambiente seguro, acolhedor e estimulante, para que ele possa se sentir encorajado à mudar.A essência da EM implica na presença de três atitudes preponderantes do profissional em relação ao seu cliente (paciente): colaboração, evocação e respeito pela autonomia do indivíduo.• Colaboração: diz respeito à parceria cooperativa que deve haver entre o profissional e o cliente (paciente). O diálogo estabelece de forma colaborativa, ativa e o processo decisório é feito em conjunto, que somente o cliente (paciente) poderá efetuar a mudança. • Evocação: consiste em ativar a motivação do cliente (paciente). Sendo assim, o profissional parte de valores, interesses e perspectivas de seu cliente (paciente), propiciando um ambiente estimulante. • O respeito pela autonomia: requer a aceitação de que o indivíduo pode e deve fazer as escolhas sobre a direção de sua vida.
Os profissionais podem informar, advertir, aconselhar. Porém, é o cliente (paciente) quem vai decidir o que, quando e como fazer. Reconhecer e respeitar essa autonomia são elementos fundamentais para identificar e facilitar a mudança do comportamento relacionado ao discernimento cognitivo e comportamental.Faz parte da essência da Entrevista Motivacional reconhecer que o indivíduo tem competências, recursos, capacidade e força própria para fazer uma mudança em sua vida.Ela auxilia também em propiciar a resolução da ambivalência, ou seja, a existência de sentimentos conflitantes e opostos em relação à mudança, o que é considerado normal. Deve-se sempre respeitar em primeiro lugar a autonomia do cliente (paciente). Em qualquer mudança importante na vida, a ocorrência da ambivalência é esperada e estará sempre presente em praticamente todas as fases do tratamento. O trabalho realizado conforme os princípios da Entrevista Motivacional, deve inspirar a mudança e fortalecer o compromisso, e certamente envolve o funcionamento de todas as nossas emoções, incluindo a capacidade de amar, ter esperança, interesse, compaixão e alegria.
METODOLOGIA DA ENTREVISTA MOTIVACIONALConsiste na utilização de reflexões, reforços positivos, resumos e perguntas abertas em uma relação 2 e 1, ou seja, a utilização de pelo menos duas estratégias para cada pergunta. Esse método foi desenvolvido para auxiliar o profissional a estruturar seu diálogo com o cliente (paciente), permitindo que ele possa falar ao máximo o que se sente em relação ao comportamento prejudicial e à possibilidade de mudá-lo. Conhecida também por PARR (em inglês OARS), o método consiste em:P- Perguntas abertas;A- Afirmar – reforço positivo;R- Refletir;R- Resumir.
• Perguntas abertas:Uma forma de começar a terapia é fazer perguntas de modo que encoraje o cliente (paciente) a falar o máximo possível. Perguntas abertas são aquelas que não podem ser respondidas facilmente com uma palavra ou frase simples.Na entrevista motivacional não é recomendado o uso demasiado de perguntas, sobretudo de forma consecutiva. A ideia é sempre fazer uma pergunta para cada duas outras estratégias, de preferência com o uso de reflexões.
• Afirmar – reforço positivo:O reforço positivo é uma das peculiaridades na entrevista motivacional. Ele pode ser realizado por meio de apoio, elogios e oferecimento de apreciação e compreensão por parte do profissional. O reforço positivo tem que ser feito de forma verdadeira, caso contrário, ele pode servir como uma barreira para realmente escutar, acolher e compreender o cliente (paciente).
• Refletir:É a principal estratégia da EM e deve ser utilizada durante a fase inicial do tratamento, principalmente entre os clientes (pacientes) ainda muito ambivalentes em relação à mudança.Para avaliar se a reflexão foi feita de maneira efetiva, basta analisar a reação do cliente (paciente): se expressa concordância, não apresenta postura defensiva, se sente estimulado a falar mais, apresenta uma postura verbal mais relaxada ou motivada.
• Resumir:Resumos podem ser utilizados para conectar os assuntos que foram discutidos, demonstrando que você ouviu, escutou seu cliente (paciente), funcionando como estratégia para que se possa organizar suas ideias. Os resumos podem ser utilizados em vários momentos da sessão, ou seja, quando o cliente (paciente) analisa várias ideias ao mesmo tempo e o profissional tenta conectá-lo para que ele reflita e tenha melhor compreensão. Além de funcionar para o cliente (paciente) de que está sendo ouvido atentamente pelo profissional, gera menor resistência.
Portanto, a entrevista motivacional é considerada uma abordagem útil e eficaz para uma grande variedade de problemas comportamentais, e também para o tratamento do uso, abuso e dependência de substâncias psicoativas. Consiste em uma intervenção relativamente breve, compatível com os tratamentos usuais para dependentes químicos, até mesmo para aqueles com histórico de desistência de tratamentos anteriores.Conter o uso e abuso e tratar a dependência de drogas implica mudanças de comportamento e constitui em enorme desafio para profissionais das diversas áreas envolvidas no tratamento da dependência química.A EM é uma maneira eficaz de motivação, preparação e tratamento, e que promove uma mudança de comportamento consistente e duradoura, promovendo assim a autonomia necessária ao dependente químico para condução de sua própria vida.
Referências Bibliográficas: Miller WR, Rollnick S. Entrevista motivacional: preparando as pessoas para mudança de comportamentos aditivos. Porto Alegre: Artmed; 2001. Miller, WR, Rollnick S. Motivational interview: preparing people for change. 2. ed. New York.- The Guilford: 2002. Hetttema J, Steele J, Miller WR. Motivational interviewing. Annu Rev Clin Psychol. 2005; 1: 91-111. Rollnick S, Miller WR, Butler CC. Motivational interviewing in health care. New York: Guilford; 2008.Rollnick S, Miller WR, Butler CC. Entrevista motivacional no cuidado da saúde: ajudando pacientes a mudar o comportamento. Porto Alegre: Artmed; 2009.  Gordon T. Parent effectiveness training. New York: Widen; 1970. Yahne CE. The role of hope in motivational interviewing. Minuet. 2004: 11(3):5. Figlie NB. Bordin S, Laranjeira R. Entrevista Motivacional. In: Aconselhamento em dependência química. São Paulo: Roca; 2010. p.261-91. Tober G„ Raistrick D. Motivacional dialogue: preparing addction professionals for motivational interviewing practice, London: Routledge; 2007. Corbett G. About the MI “spirit” and a “competence” world view. Minuet. 2009; 15(1): 3-5.ALBERNAZ, A.L G.: PASSOS, S.R.L. – Uso de substâncias psicoativas. In: Coutinho, M.F.G.; Barros, R.R. (Org.) Adolescência: Uma abordagem prática. São Paulo: Artheneu, 2001.

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