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fonte: Minuto Esportes

Quem compara o Valdiram de hoje com o que, há 23 dias, deu entrada numa clínica de reabilitação tem certeza de que sua história caminha para o final feliz. Sua rotina não lembra a de quem morou nas ruas até o mês passado. Com acompanhamento médico, alimentação regrada e acesso a academia, piscina e campo de futebol, o ex-atacante do Vasco se mantém firme na luta contra a dependência química. Mas os profissionais que o acompanham alertam para um passo que precisa ser dado.

— Não tivemos ainda a oportunidade de ter uma pessoa da família que viesse dar apoio e mostrar que, quando ele sair, não vai voltar para a rua. É preciso dar uma perspectiva a ele — conta o médico José Veríssimo, da clínica Jorge Jaber, em Vargem Pequena.

Valdiram não tem parentes no Rio. A irmã Rafaela, com quem tem relação fria, vive em São Paulo. O pai Antônio recupera-se de um derrame em Canhotinho-PE. Os filhos Letícia e Valdiram Júnior vivem com a mãe, também no interior pernambucano, e são sua fonte de saudade.

— Agradeço a Deus por estar aqui e por meus filhos saberem que o pai está vivo — diz Valdiram, que na última sexta teve a oportunidade de falar com Letícia e Antônio por telefone.

Seu caso é acompanhado pelo Vasco e pelo Pelada Rubro-negra (sócios do Flamengo engajados na luta contra a dependência quimica). Júnior Tomé, do grupo de flamenguistas, e Iara Costa, assistente social cruz-maltina, buscam um caminho para ele seguir quando deixar a clínica. O tratamento, com previsão de duração entre três e quatro meses, ainda está no começo. Mas já é preciso correr.

— Família é tudo. É o pilar — opina Iara.

O Vasco, por sinal, se movimenta para fazer do caso Valdiram o pontapé inicial de uma campanha por prevenção. Em parceria com Jorge Jaber, dono da clínica, o clube quer levar palestras para atletas da base, funcionários e as comunidades localizadas no entorno de São Januário.

— Vamos organizar como serão estas palestras. Neste sábado, faremos a primeira reunião — explicou Alexandre Milagres, diretor de saúde preventiva do clube.

Enquanto isso, Valdiram segue sua batalha. Sem familiares por perto, mas com um amigo. Sábado, dia em que a clínica abre para visitas, é quando Leonardo Monteiro, seu companheiro no CRB-AL, em 2001, entra com uma sacola de roupas para que o ex-vascaíno tenha o que vestir. Sensibilizado com o drama, ele tem sido sua única visita.

— A gente tem que lutar pelo ser humano. Esta é uma grande chance que ele ganhou — comenta o ex-zagueiro e hoje funcionário público. — Ele tem que sair daqui para uma vida nova. Independentemente de voltar a jogar, que tenha um caminho digno.

No que depender de Valdiram, o caminho já está escolhido. Aos 35, não esconde que ainda sonha em marcar seus últimos gols antes de se considerar aposentado.

— Se algum clube abrir as portas, vou com certeza. Minha vida foi toda dentro do futebol. São 18 anos nos gramados — afirma, sem esconder ser o Vasco o destino de seus sonhos.

O artilheiro da Copa do Brasil de 2006 já caiu nas graças dos demais pacientes. Enquanto atendia à reportagem, um grupo cantou sua música dos tempos de São Januário.

— Ele já começa a ter o objetivo de voltar a jogar. Isso é bom, porque antigamente o objetivo era arrumar a próxima pedra de crack — diz o terapeuta-chefe da clínica, Antônio Tomé.

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