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Aluna: Fernanda Cristina dos Santos Garcez

INTRODUÇÃO

O Tabagismo é definido como o consumo compulsivo e constante do tabaco, por qualquer via que seja (inalatória, digestiva ou transdérmica), associado a graus de dependência química, física ou psicológica (INCA, 1997). Dados da Organização Mundial de Saúde (2002) revelam que a cada ano cerca de cinco milhões de pessoas morrem em todo o mundo pela ação do tabaco, sendo que 80 a 100 mil ocorrem só no Brasil (FURTADO, 2002).

Sabe-se que o consumo de tabaco causa malefícios à saúde, contudo muitas pessoas continuam fumando, dentre elas gestantes, que além de contribuir para a má evolução da gravidez, ainda pode determinar alterações anátomo-funcionais e morte fetal.

Estima-se que mais de 30% das mulheres em idade reprodutiva sejam tabagistas e que apenas 1/5 abandone o vício ao engravidar (PINETTE apud SARAIVA FILHO, et al, 2006).

MÉTODO

O presente artigo é uma revisão bibliográfica fundamentada em artigos, tendo como objetivo abordar de forma breve e resumida descobertas dos estudos sobre o consumo de tabaco durante a gravidez. Patologias que acometem a gestante e o organismo fetal. As placentas de gestantes que consomem mais de 20 cigarros por dia, exibem aumento da disfunção de arteríolas, hiperplasia do citotrofoblasto, necrose da decídua basal e da região marginal, discreto aumento de peso e hipertrofiamento, diminuição da vascularização e redução significativa da área da superfície de trocas entre mãe e feto, o que favorecem um deslocamento prematuro da placenta (HIGGINS, 2002, apud VIGGIANO, et al, 2007).

Sabe-se que a nicotina atravessa facilmente as barreiras placentárias. Quando isto acontece, “a nicotina atua diminuindo a expressão e os níveis de neurotransmissores envolvidos na regulação (aumento) da ingesta de alimentos, dentre eles, o neuropeptídeo Y e o orexin” (FILOZOF, et al, 2004 apud ALMEIDA & MUSSI, 2006, p.459). Sem contar sua atuação como agente liberador de dopamina e serotonina, os quais contribuem com a diminuição da ingesta alimentar, piorando, assim, o quadro nutricional da gestante e conseqüentemente do feto.

Segundo Gilliland et al. (2000/2001 apud Leopércio e Gigliotti, 2004, p.177) além da inalação de fumaça pela mãe e conseqüentemente pelo feto: a exposição fetal aos compostos do tabaco compromete o crescimento dos pulmões e leva á redução das pequenas vias aéreas, implicando em alterações funcionais respiratórias na infância, que persistem ao longo da vida. O desenvolvimento pulmonar modificado pode estar associado ao aumento do risco futuro de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), câncer de pulmão e doenças cardiovasculares (ELLIOT et al, 2003; SHERRILL et al,1991; TAGER et al, 1983).

Devido o desenvolvimento do feto ser realizado recebendo cargas de nicotina, o bebê quando nasce sente falta da substância em seu organismo causando choro em excesso e nervosismo sem causa aparente, também conhecido como abstinência ao tabaco. Além disso, a exposição pré e perinatal à nicotina tem sido relacionada, a longo prazo, a alterações da cognição, e do desenvolvimento psico-motor e sexual no jovem, secundários à neurotoxicidade da nicotina (LEOPÉRCIO e GIGLIOTTI, 2004).

No entanto, é importante lembrar que os resultados da ação da nicotina sobre o feto dependerão do desenvolvimento de seu sistema nervoso autônomo (MATHIAS, et al,1984).

TRATAMENTO

Recomenda-se que todas as gestantes e nutrizes tenham acesso a uma abordagem cognitivo-comportamental para a cessação do consumo do tabaco. Quando as intervenções comportamentais não são suficientes para o tratamento do tabagismo, é necessária a utilização de medicações e a terapia de reposição de nicotina. Os tratamentos mais usados são a reposição de nicotina (adesivo, goma, spray), a bupropiona e a vareniclina.

O objetivo da reposição de nicotina é diminuir gradualmente a dose até que o fumante possa parar de usar sem se sentir mal com os sintomas de abstinência. Além disso, o usuário deixa de receber cerca de outras 4.000 substâncias tóxicas que existem no cigarro. A bupropiona é um antidepressivo que tem ação dopaminérgica e adrenérgica e atua como antagonista do receptor nicotínico.

A vareniclina é um agonista parcial do receptor nicotínico, que se liga mais facilmente a esses receptores do que a nicotina. Assim, se o usuário dessa medicação fumar, não sentirá o prazer que o cigarro causa, pois todos os receptores já estarão ocupados pela medicação.

Os estudos ainda não são suficientes para avaliar o impacto que a bupropiona e a vareniclina podem causar no feto; portanto, não há conclusões sobre a sua segurança em gestantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Podemos concluir que o uso do tabaco durante a gravidez irá desenvolver inúmeros problemas fisiológicos tanto para o bebê quanto para mãe. Diante disso é necessário que ocorra um tratamento e que os profissionais de saúde atuem com mais vigor na prevenção do fumo na gravidez, visando uma gestação saudável com qualidade de vida.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Aline Farias de; MUSSI, Fernanda Carneiro. Tabagismo: conhecimentos, atitudes, hábitos e grau de dependência de jovens fumantes em Salvador. Rev. Esc. Enferm. USP. São Paulo, vol. 40, n° 4, páginas 456 a 463, 2006.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde. Instituto

Nacional de Câncer. Coordenação Nacional de Controle do Tabagismo e Prevenção

Primária de Câncer (Contapp). Ajudando seu paciente a deixar de fumar. Rio de

Janeiro: INCA, 1997, 52 p.

COLEMAN T, Chamberlain C, Davey MA, Cooper SE, Leonardi-Bee J. Pharmacological

interventions for promoting smoking cessation during pregnancy. Cochrane Database

Syst Rev. 2012;(9):CD010078.

ELLIOT JG, Carroll NG, James AL, Robinson PJ. Airway alveolar attachment points and

exposure to cigarette smoke in utero. Am J Respir Crit Care Med 2003;167:45-9.

FURTADO, Ricardo Dorneles. Implicações Anestésicas do Tabagismo. Rev. Bras.

Anestesiol. Porto Alegre, vol. 52, nº 3, páginas 354 a 367, 2002.

LEOPÉRCIO, Waldir; GIGLIOTTI, Analice. Tabagismo e suas peculiaridades durante a

gestação: uma análise crítica. J. Bras. Pneumol. Rio de Janeiro, vol. 30, nº. 2, páginas

176 a 185, 2004.

MATHIAS, Lenir et al. Efeitos do tabagismo sobre a gestação. J. Bras. Ginec. Jundiaí,

vol. 94, nº 3, páginas 61 a 66, 1984.

SARAIVA FILHO, Sebastião José et al. Repercussões do tabagismo na ultra-sonografia

da placenta e a doplervelocimetria útero-placentária. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. Rio de

Janeiro, vol.28, n° 6, 2006.

SHERRILL DL, Lebowitz MD, Knudson RJ, Burrows B. Smoking and symptom effects

on the curves of lung function growth and decline. Am Rev Respir Dis 1991;144:17-22.

TAGER IB, Weiss ST, Munoz A, Rosner B, Speizer FE. Longitudinal study of the effects

of maternal smoking on pulmonary function in children. N Engl J Med

1983;309:699-703.

VIGGIANO, Marcello Braga et al. Tabagismo materno durante a gravidez – implicações

na prática obstétrica. Femina. São Paulo, vol. 35, n° 4, páginas 235 a 238, abril 2007.

 

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