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aluna: Mariana Ganzarolli*

RESUMO: A cocaína ilustra a importância dessa característica: a coca pode ser mascada e
lentamente absorvida pela mucosa oral, esta forma produz baixos níveis séricos da cocaína, o
que significa baixos níveis também no SNC. Os efeitos estimulantes moderados produzidos
pela coca mascada têm início de ação gradual. No início do século passado os cientistas
isolaram a cocaína da planta e ela, então, pode ser administrada em altas doses pelas vias
inalatória e parenteral, produzindo altos níveis séricos de cocaína, levando a um início de ação
mais rápido, o que levou à sua capacidade de produzir adição.

Palavras-chave: Cocaína; Intoxicação; Abstinência

INTRODUÇÃO

A cocaína é um alcalóide natural extraído da planta Erythroxylon coca. É uma droga
com extenso potencial de adição, e pode ser consumida por via oral através da extração das
folhas de coca, fumada na forma de pasta de coca, inalatória em forma de pó, injetável na
forma de pó dissolvido na água e, neste último caso, ainda está associada a complicações da
via de administração, como infecções e transmissão de doenças, como aids e hepatite C. A
probabilidade de dependência é alta de acordo com o início e duração dos efeitos.

EFEITO DE INTOXICAÇÃO

O efeito euforizante e causador de reforço da cocaína aparece imediatamente após a
administração da droga, desaparecendo em poucos minutos ou em até uma hora. As vias
endovenosas e pulmonares produzem efeito imediato com duração de 5 a 10 minutos e a via
nasal apresenta efeito mais lento com duração de 15 a 30 minutos. O uso da cocaína pode
estar associado a quadros paranoides de cunho persecutório e alucinações auditivas.

Agudamente, ocorre uma sensação de aumento da energia, de bem-estar e euforia com
aumento do estado de alerta e da concentração, insônia, diminuição do apetite e da sensação
de fadiga, hiperatividade motora, verbal e ideativa. A sensação aguda de felicidade vem com
aumento da libido e do prazer sexual. Sobrepõe-se sintomas de fadiga, disforia, autoreferência,
persecutoriedade e desejo de consumir a substância novamente. As respostas
fisiológicas incluem dilatação das pupilas, vasoconstrição e aumento da pressão arterial,
freqüência cardíaca e respiratória, temperatura corporal e atividade motora. Os efeitos
decorrentes da ação da cocaína aparecem a partir do consumo de doses moderadas dessa
droga. Além disso, a intensidade dos efeitos está relacionada não apenas à quantidade de
cocaína administrada, mas também à vulnerabilidade de cada usuário e à via de administração
escolhida. Desse modo, pequenas doses de cocaína propiciam aos usuários sensação de
euforia, energia, poder, fluência verbal, maior sensibilidade para visão, tato e audição e
podem diminuir temporariamente a necessidade de comer e dormir. Doses maiores podem
intensificar o efeito e produzir comportamento impulsivo, agitado e violento. Alguns usuários
relatam inquietação,irritabilidade, ansiedade, tremores, vertigens, contrações musculares e
paranoia.

A cocaína é geralmente utilizada em episódios conhecidos como “binge” (uso
compulsivo) seguidos por períodos de abstinência. A intoxicação leve geralmente é autolimitada
e exige apenas o acompanhamento e apoio. Hipertensão, taquicardia, convulsões e
delírios persecutórios podem ocorrer na intoxicação por cocaína e quando presentes exigem
tratamento específico. Alguns casos de agitação psicomotora muito intensa, hipertermia,
agressividade e hostilidade foram relatados após o uso de cocaína devem receber cuidados
intensivos no ambiente hospitalar, uma vez que existe risco de morte.
Em casos de intoxicação por cocaína, algumas medidas gerais devem ser tomadas:
redução da exposição a estímulos externos, proporcionando confiança, orientação e teste
de realidade em um ambiente seguro e controlado; investigação acerca do uso
concomitante de outras substâncias, vias de administração utilizadas, doses e o tempo
desde a última dose; estabilização dos efeitos físicos da intoxicação.

SÍNDROME DE ABSTNÊNCIA

O início e curso do estado de abstinência são referentes ao tipo de substância e a dose
que vinha sendo utilizada instantaneamente antes da abstinência. O estado de abstinência pode
apresentar convulsões. Os principais sintomas de abstinência da cocaína são fissura pela
droga, fadiga, bradicardia, sonolência e quadro depressivo grave, que pode levar à tentativa de
suicídio. A abstinência de cocaína ocorre tipicamente em três fases.

A Primeira fase “crash” descreve o estado de humor do usuário, o crash instala-se logo
após a interrupção do uso e pode se prolongar por cerca de 4 dias. O humor é caraterizado por
disforia e/ou depressão, associado à ansiedade. Há diminuição global da energia, na forma de
lentificação e fadiga. O craving é intenso e diminui ao longo de 4 horas. Segue uma
necessidade de sono (hipersonia), dura vários dias e normaliza o estado de humor.

A segunda fase: “síndrome disfórica tardia” pode durar até 10 semanas. Um sintoma
acentuado durante esse período é a anedonia, em contraste com memórias da euforia
provocada pelo uso da cocaína. A presença de fatores e situações desencadeadores de craving
normalmente superam o desejo da abstinência e recaídas. Memórias dos efeitos obtidos,
pessoas, situações e locais relacionados ao uso, dinheiro, talco, espelhos, lâminas, seringas e
cachimbos são alguns exemplos. A ansiedade também está presente nesse período. Outros
sintomas são a hiper/hiposonia, hiperfagia, alterações psicomotoras, tais como tremores, dores
musculares e movimentos involuntários.

A terceira fase: “extinção” há resolução completa dos sinais e sintomas físicos. O
craving é o sintoma residual, que aparece eventualmente, condicionado a lembranças do uso e
seus efeitos psíquicos. Seu desaparecimento é gradual: pode durar meses e até anos. Durante a
abstinência do uso crônico da cocaína, os efeitos físicos são brandos e os psíquicos, mais
pronunciados, principalmente os relacionados ao estado do humor. O fenômeno mais peculiar
detectado no uso crônico de estimulantes é o craving, um desejo súbito e intenso de utilizar
uma substância, a memória de uma euforia estimulante, em contraste com o desprazer
presente. O craving pode estar presente em qualquer momento da abstinência: desde o
término dos efeitos decorrentes do último uso até anos subsequentes de abstinência. Nos
períodos iniciais da abstinência, aparece em meio a sinais e sintomas físicos e psíquicos. Os
mesmos desaparecem ao longo de semanas e o craving permanece como sintoma residual.
Dois fatores têm papel importante no aparecimento e intensidade do craving: as respostas
condicionadas a estímulos ambientais e humor. Ambientes, pessoas, objetos, músicas e outras
situações idiossincráticas relacionados ao uso, condicionam lembranças das experiências
obtidas com a cocaína. Um desejo irresistível de utiliza-la é provocado, sobreposto muitas
vezes à vontade convicta da manutenção da abstinência. A substância estar disponível para o
sujeito também influencia o craving.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

COCAÍNA. Disponível em: Acesso em 14 de maio de 2018. FEROGOLO, Maristela; SIGNOR, Luciana. Cocaína. [S.l.: s.n.], 2007. 20 p. Disponível em: . Acesso em: 22 jun. 2018. GIGLIOTTI, A. et al. ABUSO E DEPENDÊNCIA DE COCAÍNA. [S.I.]: Associação Brasileira de Psiquiatria, 2002. 78p. RIBEIRO DE ARAUJO, Marcelo; LARANJEIRA, Ronaldo; DUNN, John. Cocaína: bases biológicas da administração, abstinência e tratamento. Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo: [s.n.]. 27 p. Disponível em: Acesso em 14 de maio de 2018. ROMANO, M.; RIBEIRO, M.; MARQUES, A.C.P.R. Abuso e Dependência da Cocaína (Projeto Diretrizes). Associação Brasileira de Psiquiatria, 2002.

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