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aluna: Iaraçu Teixeira dos Santos

Resumo

A presente pesquisa tem como objetivo tornar evidente e identificar as
principais consequências do uso da Cannabis Sativa, (maconha) por adolescentes e
como esta droga passa a influenciar de forma negativa a construção de sua
identidade. A adolescência é a fase da vida em que envolve amadurecimento,
receios, riscos e decisões, em outras palavras, é o processo do adolescente se
tornar adulto, e sua personalidade será moldada de acordo com o ambiente em que
este esteja inserido. Com isso, qualquer decisão influenciada pela droga pode
marcar a vida do indivíduo, uma vez que esta tem a capacidade de desviar
negativamente, por vezes de modo irreversível, o curso da vida do adolescente.
A cannabis sativa é considerada uma droga ilícita, podendo causar
dependência. A dependência é definida pela OMS como “um estado de intoxicação
crônica periódica ou produzido pelo consumo repetido de uma droga natural ou
sintética, caracterizado pelo desejo dominante em utilizar a droga e para obter por
qualquer meio”. Alguns autores têm proposto que a maconha não induz
dependência física em humanos, enquanto outros descrevem o aparecimento de
alguns sinais de abstinência em usuários crônicos. Estes sinais incluem
irritabilidade, agitação, nervosismo, perda de apetite, perda de peso, insônia, tremor
e aumento da temperatura corporal.
Seu uso pode afetar significativamente a mente, alterando as funções
normais do cérebro e interferindo em todas as áreas da vida humana. Partindo do
princípio de que o adolescente cresça sofrendo esses males e consequências, sua
personalidade será formada por sentimentos negativos, dificuldades para o
desenvolvimento e adaptação à vida, ao relacionamento afetivo e ao ambiente de
trabalho, podendo até mesmo não chegar à idade adulta, uma vez que uma das
consequências do uso da cannabis Sativa leva à depressão e comportamentos
suicidas.
Palavras-Chave: Cannabis, adolescência, drogas

1. INTRODUÇÃO

Atualmente, os valores que direcionam e guiam o comportamento de cada
indivíduo estão em crise. Isso porque se pressupõe que os sistemas sociais,
culturais, familiares e econômicos que reproduzem o modo de percepção que esses
sistemas refletem também se encontram em crise, refletindo, de forma negativa, as
percepções, as escolha e o comportamento do adolescente perante a sociedade, é
exatamente nesta fase que o sujeito é marcado por diversas mudanças, sejam elas
corporais, cognitivas ou sociais, e uma escolha negativa, no caso, as drogas, pode
moldar, de forma negativa, a construção de sua identidade.
Os temores com relação às consequências adversas relativas ao uso da
cannabis continuam aumentando e isso está muito bem fundamentado, visto que a
cannabis é a substância ilícita mais utilizada no mundo. Seu uso, geralmente ocorre
na adolescência, um período entre a infância e a idade adulta, abrangendo não só a
maturação reprodutiva, mas também cognitiva chave para o desenvolvimento neural
e psicossocial.

2. DESENVOLVIMENTO

A adolescência é uma época da vida que envolve riscos, medos,
amadurecimento e instabilidades. Os adolescentes procuram com os pares (amigos,
turma, “galera”) a dose necessária de aconchego, solidariedade e compreensão, o
que faz parte de uma adolescência considerada normal. Nesta etapa, os
adolescentes querem ser diferentes dos adultos e, ao mesmo tempo, pertencer a
um grupo. Então, é esperado que questionem e duvidem de verdades prontas e
rebelem-se, expressando, assim, toda sua energia e criatividade. Mas, esta energia
também pode ser canalizada para atividades de risco ou lesivas ao próprio
bem-estar. É neste momento que as drogas, lícitas e ilícitas, têm a perversa
capacidade de desviar o curso de vida dos jovens, por vezes, de maneira
irreversível. Sem distinção de classe social ou nível intelectual, assuntos
relacionados às drogas destacam-se em praticamente todos os campos de debates,
muito embora nos espaços acadêmicos essa discussão já seja considerada
superada, pelo menos as duas vertentes: favoráveis à liberação e à proibição já
construíram, de forma sólida, seus argumentos.

2.1 Cannabis no Brasil

Em um panorama geral, estudos referentes ao uso da cannabis têm
aumentado progressivamente em nosso cotidiano, pelo simples fato de esta ser a
droga ilícita mais usada no Brasil, principalmente por parte de jovens e
adolescentes. Como justificativa para a importância da discussão do tema deste
trabalho em nossa sociedade é que o uso da cannabis sativa não pode ser mais
somente tratado em campos de debates acadêmicos ou televisivos sobre sua
proibição ou liberação.

2.2 Componentes da Cannabis

A planta Cannabis sativa tem mais de 400 diferentes componentes, sendo
que 60 aproximadamente, deles são componentes canabinóides, tais como
canabinol e canabicromeno, denominados fitocanabinóides. O principal constituinte
psicoativo da cannabis é o D9 -tetraidrocanabinol (D9 -THC), isolado pela primeira
vez na década de 60. Sua influência no cérebro é complexa, e parece ser o
componente responsável pela indução de sintomas psicóticos em sujeitos
vulneráveis, o que é compatível com o efeito de aumentar o fluxo pré-sináptico de
dopamina no córtex pré-frontal medial.

2.3 Efeitos da Cannabis

Os efeitos psicoativos das preparações de Cannabis variam muito,
dependendo da dosagem, modo de preparo, o tipo de planta utilizada, o modo de
administração, a personalidade de quem consome e origens culturais e sociais. A
característica mais comum de intoxicação por maconha é um estado de “Dreamer”,
isto é, sonolência e tranquilidade. Muitas vezes, há momentos de clareza que
permitem recordar acontecimentos há muito esquecidos, e os pensamentos
aparecem em sequências não relacionadas. Altera a percepção de tempo e, por
vezes, o espaço afetado. A ingestão de doses elevadas, por vezes, provoca
alucinações visuais e auditivas. Um exemplo típico é a euforia, excitação e
felicidade interior, muitas vezes acompanhada de hilaridade crise. Em alguns casos,
pode-se ter uma depressão no final do consumo. Apesar de o comportamento
tornar-se impulsivo, é raro o caso de violência. O canabidiol também atua como
relaxante muscular e possui efeitos anticonvulsivantes, além de reduzir a pressão
intraocular em pacientes com glaucoma. Cápsulas orais contendo D9-THC são
aprovadas para o tratamento de pacientes HIV-positivos com anorexia em alguns
países. Já a ação do D9-THC no sistema nervoso central está relacionada à dose
utilizada, à via de administração e à vulnerabilidade individual do usuário.
A intoxicação pela droga produz alterações no humor, na percepção e na
motivação. As alterações são consequência da ligação do D9-THC com os
receptores em determinadas áreas do cérebro responsáveis pela percepção das
emoções, da dor, da memória e da fome.
O efeito esperado pelos usuários são essas alterações, que tornam o indivíduo mais
sensível aos estímulos do meio. Há relato de maior capacidade de insight,
diminuição das funções cognitivas e da memória, além de alterações motoras e
aumento do apetite. Sensações de pânico e aumento da ansiedade são relatadas
em pelo menos 50 a 60% dos usuários.

2.4 Uso crônico da Cannabis

Existem comprovações de que o uso crônico de Cannabis resulte em
problemas cognitivos, podendo variar de acordo com a decorrência da duração,
frequência, dose e idade de início do uso, o que leva a necessita urgente de
atentarmos para as consequências do uso da cannabis sativa por adolescentes e
como esta afeta a formação de seu caráter e personalidade. o funcionamento
cerebral e neuropsicológico em usuários graves de maconha pode apresentar
alterações significativas, afetando funções associadas direta ou indiretamente ao
córtex pré-frontal, como: atenção, memória, aprendizagem, funções executivas,
tomada de decisões, funcionamento intelectual e funções psicomotoras, mesmo
após 28 dias de abstinência.

2.5 Consequências do uso na adolescência

A falta de conhecimento sobre suas consequências podem vir a propiciar o
aumento desordenado no número de usuários. Caso contrário, se medidas urgentes
não forem tomadas, consequências drásticas podem vir a acontecer, uma vez que o
adolescente pode vir a sofrer prejuízo em seu desempenho escolar e ferindo sua
autoestima, afetando suas relações afetivas e sociais, influenciando-o à
criminalidade, e nos casos mais graves, ocasionando quadros graves de transtornos
psíquicos e/ou comportamentais que, muitas vezes, trazem prejuízos irreversíveis.
Há uma série de fatores bem reconhecidos como de risco ao uso problemático de
cannabis, entretanto alguns parecem ter maior peso do que os outros.

2.6 Fatores que influenciam o uso SPA

Também destaca-se a existência de um maior risco de uso SPA, incluindo
maconha, entre sujeitos oriundos de famílias com usuários de cannabis ou de outras
SPA, no presente ou no passado, tanto por questões ambientais ou quanto
genéticas. Entretanto, o nível de conhecimento a cerca da vulnerabilidade genética
ao uso de cannabis entre adolescentes ainda requer maiores investigações. Seria
interessante saber, por exemplo, qual é a influência da suscetibilidade genética na
heterogeneidade clínica dos usuários de maconha e na maior sensibilidade a
prejuízos cognitivos em determinados sujeitos.
Diversos outros fatores também aumentam o risco uso de cannabis. São
eles: estrutura familiar, como problemas na hierarquia e discurso permissivo em
relação a SPA, grupo de amigos, sobretudo se inclui usuários de qualquer outra
SPA, situação escolar, no caso de baixo rendimento acadêmico. Descontentamento
com a escola e evasão personalidade/temperamento, como o traço de busca de
sensações.
Para incidência de sintomas psicóticos em usuários de maconha dos 14-24
anos acompanhados ao longo de quatro anos. Também, o uso regular ou pesado de
cannabis sativa está associado a maiores taxas de uma série de outras condições,
como problemas de ajustamento, uso de outras SPA ilícitas, criminalidade,
depressão e condutas suicidas, estando mais vulneráveis os adolescentes com
idade entre 14-15 anos.
A presença de transtornos psiquiátricos ao longo da infância e da
adolescência também pode conferir um risco maior de uso de maconha. Nos
meninos, o mais comum é que o uso de SPA seja precedido pelo transtorno de
conduta, ao passo que nas meninas predominam os transtornos de ansiedade e de
humor.
Também, a presença de uma comorbidade psiquiátrica, mesmo que não
etiologicamente associada ao uso de cannabis, pode piorar o seu prognóstico. O
Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, por exemplo, está associado a um
pior prognóstico da dependência de maconha em adolescentes, com maiores taxas
de recaída e pior aderência ao tratamento da dependência química.

2.7 Intervenções para adolescentes usuários

Estudos apontam que a idade de início do uso de cannabis sativa, para
determinados desfechos, mostra-se mais importante do que o tempo total e a
quantia de cannabis consumida ao longo da vida.
Existem intervenções comprovadamente efetivas para adolescentes usuários
de cannabis. As técnicas mais avaliadas através de estudos com randomização,
tamanho amostral adequado, comparação e intervenções baseadas em manuais
são a Terapia Familiar (TF) e a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC).
Destaca-se ainda o uso da Terapia Motivacional (TM), onde se assume que as
mudanças no consumo de cannabis sativa ocorrerão à medida que o paciente tiver
motivações próprias para tal.

3. Conclusão

Formar a própria identidade é como uma construção social que vincula o
sujeito a um grupo social e o difere dos demais grupos, com relações de poder
estabelecidas na sociedade em que está inserido. Quando essas relações de poder
são de baixa estima, preconceito, entre outros males causados pelo uso SPA, isso
pode prejudicar o desempenho escolar de um adolescente. Em relação a educação,
o uso Cannabis tem como umas das suas consequências causar falta de interesse e
desistência escolar. E esses que desistem de frequentar a escolar
antecipadamente, perdem a chance de construir uma base sólida para desenvolver
e descobrir suas principais habilidades e, como isso, o rumo dos seus objetivos
sociais e existenciais são afetados.

Um adolescente que atinge a maioridade com uso contínuo da Cannabis,
pode ter severas consequências como a formação de uma personalidade cheia de
sentimentos negativos, dificuldade de adaptação à vida, ao relacionamento afetivo e
ambiente de trabalho. Em casos extremos, a vítima poderá até mesmo não chegar à
idade adulta, podendo tentar ou cometer suicídio, uma vez que uma das
consequências da maconha é a depressão e comportamentos suicidas
Diante do exposto, é cada vez mais preocupante o uso de drogas na
adolescência e suas consequências, uma vez que é nesta fase da vida que envolve
amadurecimento, riscos, medos e instabilidades. Sendo assim, há a necessidade de
pesquisas que contemplem as representações sociais de futuros profissionais
quanto ao uso da maconha. Com isso, também se faz necessário uma ação
conjunta entre a família, Governo e a sociedade como um todo, que podem atuar no
âmbito da intervenção, prevenção e diálogo, uma vez que a falta de conhecimento
sobre a droga, sua existência, seu funcionamento e suas consequências podem vir
a propiciar o aumento desordenado no número de usuários, e, principalmente, na
gravidade de novos casos, expondo-nos a situações trágicas isoladas ou coletivas
que de alguma forma poderiam ser evitadas.

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