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Andreia da Silva Zanco Pestana

 

 

 

RESUMO

 

O Alcoolismo é o conjunto de problemas relacionado ao consumo excessivo e prolongado do álcool; é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as consequências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez). Síndromes amnésicas (perdas restritas de memória), demencial, alucinatória, delirante, de humor. Distúrbios de ansiedade, sexuais, do sono e distúrbios inespecíficos. Assim o alcoolismo é um termo genérico que indica algum problema, mas medicamente para maior precisão, é necessário apontar quais ou quais distúrbios estão presentes, pois geralmente há mais de um. Alcoolismo é um termo amplo para descrever qualquer consumo de álcool que cause problemas de saúde físicos ou mentais. Em medicina, o alcoolismo define-se pela presença de duas ou mais das seguintes condições: consumo de grande quantidade de álcool durante um longo período de tempo, dificuldade em consumir poucas quantidades, a aquisição e consumo de álcool ocupam uma parte significativa do tempo da pessoa, o álcool é intensamente desejado, o consumo causa o incumprimento de responsabilidades e obrigações, o consumo causa problemas de saúde, o consumo está na origem de comportamentos de risco, ocorrem sintomas de abstinência quando se interrompe o consumo, ou o corpo já desenvolveu tolerância ao álcool.

 

PALAVRAS-CHAVE: ALCOOLISMO. SINTOMAS. TRATAMENTO.

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

A Organização Mundial da Saúde coloca dentro da sua classificação de doenças uma condição chamada Síndrome de Dependência do Álcool. A diferença em relação ao conceito de alcoolismo é que dependência não seria uma condição de tudo ou nada, ou seja, ou uma pessoa é um alcoolista ou não é, mas deveria ser visto como um processo no qual a pessoa fica gradualmente ao longo dos anos, dependente de uma droga chamada álcool. Ao invés de ficarmos preocupados em taxar alguém de alcoolista, deveríamos entender o quanto o dependente do álcool a pessoa estaria dependente, portanto seria uma condição que varia ao longo de um continuo de severidade. Alguém poderia ser pouco, moderado ou muito dependente. Semelhança, por exemplo, da ansiedade, pois não basta sabermos se alguém é ansioso, o importante é identificarmos a intensidade da condição para decidirmos o melhor tratamento. Como a dependência do álcool não é uma condição de tudo ou nada é importante também termos em mente que não é necessário alguém ser dependente para apresentar problemas relacionados ao uso do álcool. Por exemplo, existem limites a partir dos quais a pessoa estaria usando álcool comprometendo a sua saúde. Assim, alguém que beba 2 ou 3 whiskies à noite pode não ser dependente do álcool, mas estaria usando essa substância de uma forma perigosa, com

 

um risco muito maior de ter uma grande série de doenças físicas como gastrite, pancreatite, hepatite alcoólica, problemas para dormir, etc.

 

Na realidade existem bem mais pessoas que usam o álcool comprometendo a sua saúde sem serem dependentes do que pessoas dependentes que obviamente também comprometem a sua saúde. Esta é uma distinção importante de ser feita em relação ao álcool, pois é muito comum que alguém, ao ser interpelado que está bebendo demais, refutar dizendo que não é um alcoolista. Portanto ninguém precisa ser um alcoolista ou dependente do álcool para apresentar problemas. Alguém que beba e dirija em seguida pode ter um acidente sério e, portanto um grande problema, muito embora a maior parte das pessoas que tem esse tipo de acidente não sejam alcoolistas. Como se desenvolve a dependência do álcool? A própria palavra desenvolvimento demonstra que estamos falando de um processo; ninguém nasce dependente de nenhuma droga, a pessoa desenvolve uma relação com a droga que evolui para a dependência. Não existe nenhum fator que determina de uma forma definitiva quais pessoas que ficariam dependentes do álcool, assim como nós nunca saberemos de um grupo de crianças ou adolescentes quais deles fumarão cigarro a ponto de se tornarem dependentes da nicotina. Na realidade trata-se de uma combinação de fatores que contribuiriam para que algumas pessoas tivessem maiores chances de desenvolverem problemas em relação ao álcool durante algum período da sua vida. A dependência muitas vezes começa a partir do momento que a pessoa inicia a ingestão de quantidades suficientes de álcool capaz de provocar algum tipo de ressaca no dia seguinte. A ressaca é uma indicação de que a pessoa bebeu mais do que deveria. Existem dois componentes distintos na ressaca, e o primeiro diz respeito à intoxicação do álcool. Quem já bebeu sabe que o dia seguinte após beber um bom vinho é completamente diferente de beber um péssimo vinho. Isto ocorre fundamentalmente porque o vinho de qualidade duvidosa apresenta uma série de impurezas que faz com que qualquer um que venha a bebê-lo em grandes quantidades sofra pela intoxicação dessas impurezas.

 

DESENVOLVIMENTO

 

O alcoolismo também está associado a fatores de risco ambientais e genéticos em igual proporção. Uma pessoa cujo pai ou irmão tem alcoolismo apresenta uma probabilidade três a quatro vezes superior de vir ela própria a tornar-se alcoólica. Entre os fatores ambientais estão influências sociais, culturais e comportamentais. O risco é aumentado pelo estresse, ansiedade e fácil acesso a bebidas alcoólicas. Quando um alcoólico interrompe o consumo, manifestam-se sintomas de abstinência que podem levar a pessoa a continuar a consumir para prevenir ou aliviar esses sintomas. Em alguns casos, os sintomas de abstinência manifestam-se de forma ligeira durante meses após a interrupção. Em termos médicos, o alcoolismo é considerado uma doença tanto física como psicológica. O diagnóstico de alcoolismo pode ser auxiliado por questionários e análises ao sangue. Entre os comportamentos de risco estão a condução sob efeito do álcool ou ter relações sexuais desprotegidas. Embora o abuso de álcool possa afetar qualquer parte do corpo, afeta sobretudo o cérebro, coração, fígado, pâncreas e o sistema imunitário. As complicações mais comuns são perturbações mentais, arritmia cardíaca, cirrose e aumento do risco de cancro. Durante a gravidez, o alcoolismo pode causar lesões no feto que resultam em desordens do espectro alcoólico fetal. As mulheres são em geral mais sensíveis do que os homens aos efeitos adversos do álcool. Pessoas que perdem o emprego e não conseguem arrumar outro por causa do álcool acabam entrando em um ciclo vicioso autodestrutivo.

 

O segundo componente da ressaca diz respeito ao fato de que o álcool é um depressor do sistema nervoso central, e quando a pessoa bebe muito ela fica momentaneamente menos ansiosa, sonolenta,

 

etc. Quando o efeito do álcool passa, o sistema nervoso não volta imediatamente ao seu normal, mas tem uma reação rebote a esse efeito depressor do álcool, portanto a pessoa tenderá a ficar mais nervosa no dia seguinte, irritada, não conseguindo dormir direito. Portanto a ressaca que a pessoa sente é em parte uma falta que o organismo sente do álcool, é o que chamamos de sintomas de abstinência do álcool. A medida que a pessoa passa a ter essas ressacas repetidas ela aprenderá que parte do desconforto do dia seguinte pode ser aliviado se ela começar a beber novamente. Por exemplo, se a pessoa estava acostumada a beber somente à noite e ter ressacas muito intensas, tenderá a começar a beber na hora do almoço e sentirá que uma parte da irritação, ansiedade, falta de concentração melhorará com o álcool. É a partir daí que a dependência propriamente pode começar, é quando a pessoa passa a beber não mais por prazer, ou num ambiente social, mas beber para aliviar os sintomas de abstinência do álcool. A intensidade da dependência será ditada por uma série de fatores como a personalidade do individuo, por quanto tempo vem bebendo muito, o tipo de bebida, se existe depressão associada, o ambiente em que o indivíduo se insere. Dependência significa que o ato de beber deixou de ter uma função social e de eventual prazer e passou a ficar disfuncional, um ato em si mesmo. A pessoa progressivamente estará perdendo a sua liberdade de decidir se quer ou não beber; ela ficará muito à mercê da própria dependência em determinar quando beber. Pode-se identificar o comportamento de alguém dependente por alguns critérios propostos pela Organização Mundial da Saúde. Basta ter três dos critérios listados na tabela 1 para a pessoa ser considerada dependente. É importante salientar que dependência não é uma questão de tudo ou nada, mas ocorre em gradações.

 

A prevenção do alcoolismo consiste na regulamentação e limitação da venda de bebidas alcoólicas, em taxar o álcool para aumentar o custo de aquisição e em disponibilizar tratamento a baixo custo. O tratamento é feito em várias etapas. A interrupção do consumo deve ser controlada, uma vez que a abstinência pode levar ao aparecimento de problemas de saúde. Um dos métodos de controlo mais comuns nesta etapa é a administração de benzodiazepinas. Durante esta etapa, a pessoa pode ser internada numa instituição de saúde ou manter-se em casa sob vigilância atenta da família, amigos ou médicos. A presença de perturbações mentais ou outras dependências pode complicar o tratamento. Após a etapa de desintoxicação, a terapia de grupo ou os grupos de apoio são medidas eficazes que ajudam a pessoa a não voltar a consumir. Um das formas de apoio mais comum são os grupos de alcoólicos anónimos. Nesta etapa, os medicamentos acamprosato, dissulfiram ou naltrexona ajudam a prevenir recaídas.

 

Os tratamentos para o alcoolismo são bastante variados porque existem múltiplas perspectivas para essa condição. Aqueles que possuem um alcoolismo que se aproxima de uma condição médica ou doença são recomendados a se tratar de modo diferente dos que se aproximam desta condição como uma escolha social. Não se deve confundir o tratamento do alcoolismo com o tratamento apenas da síndrome de abstinência. O tratamento do alcoolismo é complexo, multiprofissional e longo, dependendo da persistência do paciente e de sua rede social de apoio para o processo de cura. A maioria dos tratamentos busca ajudar as pessoas a diminuir o consumo de álcool, seguido por um treinamento de vida ou suporte social de modo que ajude a pessoa a resistir ao retorno do uso de álcool. Como o alcoolismo envolve múltiplos fatores que incentivam a pessoa a continuar a beber, todos estes fatores devem ser suprimidos para que se previnam com sucesso os casos de recaídas. Um exemplo para este tipo de tratamento é a desintoxicação seguida por uma combinação de terapia de suporte, atendimento em grupos de autoajuda, etc. A maioria dos tratamentos geralmente preferem uma abstinência de tolerância zero; entretanto, alguns preferem uma abordagem de redução de consumo progressiva.

 

A desintoxicação trata os efeitos físicos do uso prolongado do álcool, mas na verdade não trata o alcoolismo. Após a desintoxicação estiver completa, as recaídas são propensas de ocorrer se não houver um tratamento subsequente. A desintoxicação pode ou não ser necessária dependendo da idade, estado de saúde e histórico de ingestão de álcool da pessoa. Por exemplo, um homem jovem que quando consome álcool o faz em quantidades excessivas em um curto período de tempo, e busca tratamento uma semana após seu último uso de álcool, pode não precisar de desintoxicação antes de iniciar o tratamento para o alcoolismo. Após a desintoxicação, diversas formas de terapia em grupo ou psicoterapia podem ser usadas para lidar com os aspectos psicológicos subconscientes que são relacionados à doença do alcoolismo, assim como proporcionar a aquisição de habilidades de prevenção às recaídas como assertividade e técnicas de relaxamento mais saudáveis.

 

A terapia cognitiva comportamental é feita individualmente, mas pode convidar familiares e amigos para participar caso o paciente aceite, e tem como objetivos, desenvolver aprendizagem e prática de novos comportamentos substitutos para o comportamento de beber através de treinamento de habilidades intrapessoais (autoidentificação) e interpessoais (sociais); Ensinar estratégias de enfrentamento que podem ser usadas para lidar com situações de alto risco (internas e externas) que poderiam levar ao vício; Estabelecer estratégias gerais de mudanças no estilo de vida que ajudem o paciente a atingir seus objetivos acadêmicos, profissionais, sociais e familiares de forma mais eficiente; Desenvolver estratégias que favoreçam a manutenção do processo de mudança nos hábitos produzidos pelo tratamento. Psicólogos cognitivos comportamentais também fazem planos emergenciais para uma variedade de situações de estresse que podem surgir de maneira inesperada e planejam com o paciente, estratégias para resolvê-las. Durante a terapia, é comum que outros transtornos, como fobia social, depressão maior, transtorno bipolar, hiperatividade, transtorno de personalidade limítrofe, transtorno de ansiedade generalizada, anorexia nervosa ou outro transtorno de humor, ansiedade ou alimentar sejam identificados como a causa do alcoolismo.

 

O aconselhamento em grupo através de ajuda mútua é um dos meios mais comuns de ajudar os alcoólicos a manter a sobriedades. Muitas organizações já foram formadas para proporcionar esse serviço, sendo a mais conhecida delas os Alcoólicos Anônimos. Estes grupos costumam atuar com base no Programa de 12 passos.

 

CONCLUSÃO

 

O alcoolismo é uma doença crônica, caracterizada pelo consumo compulsivo do álcool. É uma doença que atinge a saúde mental, física e social do indivíduo: a saúde física é prejudicada pela ação patológica destrutiva que o álcool exerce sobre os tecidos, órgãos, aparelhos e sistemas do organismo, causando alterações graves no funcionamento do corpo humano; a saúde mental se manifesta pela desestabilização dos sistemas nervoso central e periférico, as alterações do comportamento levando o indivíduo a autodestruição e social porque impede que o indivíduo se realize junto as pessoas que o cercam, amam, por afetar negativamente as relações entre o alcóolatra e a estrutura familiar, os amigos, e consequentemente, prejudicando a produtividade no trabalho. Para os Alcóolicos Anônimos, irmandade que vem obtendo grande sucesso na recuperação dos alcóolatras, trata-se também de uma doença espiritual, sendo responsável pela geração de distúrbios de caráter e comportamento, que muitas vezes incluem desonestidade, mentira e tendência à degradação de valores éticos.

 

O alcoolismo é também uma doença progressiva, ou seja, vai se agravando à medida que o doente persiste no uso do álcool; é fatal, pois pode causar a morte. É importante destacar que, apesar

 

dessas características assustadoras, o alcoolismo é passível de controle e de recuperação. TRATAMENTO AMBULATORIALÉ o tratamento apropriado para pacientes em quem o uso alcoólico, e as condições clínicas e ambientais não requerem um nível muito intenso de cuidados. Frequentemente estabelece a participação em terapias de grupos, além de terapia individual, e, geralmente de terapia de família. Sempre preparando o paciente encorajando-o a participar de grupos A.A.

Organização Mundial da Saúde considera doença o alcoolismo e a dependência do indivíduo ao álcool. O uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o bom funcionamento do organismo, levando a consequências irreversíveis. A pessoa dependente do álcool, além de prejudicar a sua própria vida, acaba afetando a sua família, amigos e colegas de trabalho. A decisão de pedir ajuda para um problema com álcool talvez não seja fácil, porém, tenha em mente que, o quanto antes vier a ajuda, melhores serão as chances de uma recuperação bem sucedida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

https://www.uniad.org.br/…/Mitos%20e%20realidades%20sobre%20o%20Alcoolismo. R o n al d o Laranjeira e Ilana Pinsky.

 

TRATAMENTO DO ALCOOLISMO – Entrevista Dr. Ronaldo Laranjeira …

 

https://anosobriatico.wordpress.com/…/tratamento-do-alcoolismo-entrevista-dr-Roronald

 

clinicajorgejaber.com.br/novo/2017/12/o-alcoolismo-e-onde-trata-lo/ https://www.minhavida.com.br › saúde › tudo-sobre https://www.einstein.br/doencas-sintomas/alcoolismo https://medicoresponde.com.br/alcoolismo-como-identificar-e-tratar/ www.alcoolismo.com.br/

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