setembro_amarelo (2)PROGRAMAÇÅO

Sexta, 8 de setembro – na Clínica Jorge Jaber, para pacientes, familiares e funcionários

A partir de de 14h30, exposição de trabalhos de artes, poemas e narrativas pessoais, palestra sobre o tema, depoimento, verbalização de 10 frases de valorização da vida, apresentação de músicas, painel humano no gramado

sábado, 9 de setembro – na Clínica Jorge Jaber, para pacientes, familiares e funcionários

A partir das 9h30, exposição de trabalhos de artes, poemas e narrativas pessoais, palestra sobre o tema, depoimento, verbalização de 10 frases de valorização da vida, aula de zumba no gramado, 100 balões com gás hélio serão soltos no gramado​

domingo, 10 de setembro – EVENTO PÚBLICO

Praia de Copacabana, às 10h

Abertura do evento pelo psiquiatra Jorge Jaber, aula de ginástica dançante, distribuição de folders

​A PREVENÇAO​ PODE EVITAR 90% DAS MORTES

A prevenção começa quando se aborda o tema e sua principal causa, que é a depressão. É preciso estimular as pessoas a procurar ajuda. Romper com o estigma com a ajuda da mídia é fundamental para salvar vidas. Essa é a estratégia da ABP.

(conheça aqui a cartilha da ABP “Suicídio – informando para prevenir” – http://www.abp.org.br/portal/downloads-setembro-amarelo/)

DADOS SOBRE SUICÍDIO

O suicídio representa  10ª principal causa de morte em todo o mundo e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de um milhão de pessoas morre a cada ano em decorrência de suicídio.

O Brasil está na 73ª posição na esfera mundial e no grupo de países com taxas crescentes de suicídio.

Os homens, de 15 a 49 anos, são o maior grupo de risco, além de idosos, pessoas com doenças mentais, pessoas que abusam de drogas e detentos.

Cerca de 7% da população é exposta ao luto por suicídio a cada ano. Pesquisas estimam que 60 pessoas sejam intimamente afetadas em cada morte por suicídio, incluindo família, amigos e colegas. Cerca de 48 milhões e meio de pessoas podem ser expostas ao luto do suicídio anualmente no mundo: são os sobreviventes.

​Estima-se que o​ ato suicida não fatal ocorra pelo ao menos 10 vezes mais do que suicídios fatais​.​

O RISCO DE SUICIDIO

Comportamentos suicidas podem ser conceituados em:

. ideação suicida, pela comunicação verbal e não verbal

planejamento e tentativa de suicídio

. suicídio

Sendo o suicídio um fenômeno complexo, de causas múltiplas, sua ocorrência não pode ser atribuída a uma única característica ou evento estressor.

Gênese:

fatores psicológicos

fatores sociais

fatores  biológicos

fatores culturais

fatores ambientais

A Organização das Nações Unidas (ONU) em 1996, criou uma diretriz para prevenção do suicídio, visto que é um evento em grande parte evitável, com o objetivo de reduzir as estatísticas ainda tão elevadas em todo o mundo.

Conceitos (extraídos da American Psychiatric Association):

Intenção suicida: expectativa subjetiva e desejo que um ato auto lesivo resulte em morte

. Ideação suicida: pensamentos de ser agente de sua própria morte. Pode variar de gravidade, dependendo do plano de suicídio e do grau de intenção suicida

Tentativa de suicídio: comportamento auto lesivo com consequências não fatais, acompanhado de evidências de que a pessoa pretendia morrer

Tentativa abortada de suicídio: comportamento potencialmente auto lesivo com evidências de que a pessoa pretendia morrer, mas a tentativa foi interrompida         antes do dano ocorrido

Letalidade do comportamento suicida: ameaça objetiva para a vida associada a um método ou ação suicida

. Suicídio: morte provocada com evidências de que a pessoa pretendia morrer

Epidemiologia:

Ideação e comportamento suicida estão entre as mais sérias e comuns emergências psiquiátricas, no entanto, as taxas de suicídio relatadas podem estar subestimadas, devido ao estigma legal ou social e questões processuais relacionadas ao registro do óbito.

O suicídio outrora predominante entre a população idosa, atualmente é frequente em faixas etárias mais jovens.

Segundo a OMS, as taxas de incidência de suicídio consumado variam consideravelmente entre os diferentes países, sendo que na América Latina, as taxas são relativamente baixas em comparação as taxas de homicídio.

Estudos tem demonstrado a existência de diferenças quanto ao gênero, já que as taxas de suicídio são mais altas entre homens do que entre mulheres. O suicídio no sexo masculino, é caracterizado por alto grau de letalidade, tendo como métodos mais frequentes de suicídio: enforcamento, uso de arma de fogo, e salto de lugares altos. Entre o sexo feminino, ocorrem as tendências à intoxicação auto infligida, permitindo maior possibilidade da pessoa ser salva.

Avaliação do Paciente:

A entrevista clínica permanece sendo a melhor estratégia para avaliar o risco de comportamentos suicidas, sendo importante o estabelecimento de um vínculo baseado em confiança e colaboração.

Cabe aos profissionais avaliar o risco individual para comportamentos suicidas. Essa avaliação deve ser baseada nos fatores de risco e nos fatores de proteção estimados durante a entrevista.

Devemos levar em conta: comportamento suicida, transtornos psiquiátricos, situação psicossocial, vulnerabilidade e capacidade de enfrentamento individual, história médica pregressa, e história familiar.

Fatores de risco:

tentativas prévias de suicídio, observando-se um aumento de 5 à 6 vezes quanto à possibilidade de uma nova tentativa

doenças psiquiátricas

. alcoolismo e uso de outras substâncias

desesperança

baixa auto estima

. solidão

perdas interpessoais

. impulsividade

estado civil, sendo maior o risco entre aqueles que nunca casaram, assim como morar sòzinho também, constitui um fator de risco

. doenças físicas, como dor crônica, cirurgia recente, doença crônica ou em estágio terminal

. abuso e experiências adversas na infância

. ocupação, apresentando maior risco, em desempregados

. história familiar de suicídio

Fatores Protetores:

. suporte social

. vínculo familiar

gestação

maternidade

. religiosidade

habilidades na resolução de problemas e conflitos

acesso restrito a meios que possibilitem o suicídio

. estilo de vida saudável com pessoas que não fazem uso de drogas ou álcool de forma inadequada

. manutenção de uma boa alimentação

. bons padrões de sono

. prática de exercício físico

. vida ativa

Pode haver a coexistência de desejos e atitudes antagônicas, devendo-se estar atento para a ambivalência em pacientes suicidas. A avaliação inclui o questionamento direto quanto à intenção, ideação e plano suicida.

Na avaliação do risco de suicídio:

determinar a presença de pensamentos suicidas, incluindo conteúdo e duração desses pensamentos

questionar a cerca da formulação de um plano, incluindo método, lugar, hora, e acesso a esse método

. identificar a letalidade do plano e o desejo ou não de ser resgatado

Após a avaliação de risco, o profissional deve direcionar a intervenção de acordo com a gravidade apresentada.

Manejo:

Para a escolha do tratamento mais adequado para cada paciente, deverá ser considerada:

condição clínica do paciente

sua capacidade de prover o auto cuidado

. sua capacidade de compreender riscos e benefícios das abordagens terapêuticas

. sua capacidade de cooperar com o tratamento instituído

De acordo com a OMS, os paciente devem ser classificados em:

baixo risco- pensamentos suicidas ocasionais, sem planos. Orienta-se fornecer suporte emocional e encaminhamento profissional especializado, trabalhando os sentimentos suicidas e propiciando um processo de reflexão

. médio risco- pensamentos e planos, sem caráter imediato. Encaminhamento ao profissional especializado, trabalhando sentimentos suicidas, e fortalecendo o desejo de viver.  Família e amigos devem ser contactados.

alto risco- plano definido e meios de execução, com caráter imediato. Fornecer acompanhamento em tempo integral até que se providencie a hospitalização, que deve ser imediata. Meios de suicídio em posse do paciente, devem ser removidos. Família deve ser contactada.

Outras indicações de hospitalização incluem fatores baseados na doença, como gravidade dos sintomas, comportamento violento,  demanda de intervenções recebidas, como observação constante ou avaliação diagnóstica. Pacientes que não conseguem se manter seguros em ambientes menos restritivos ou que tem suporte social inadequado também devem ser avaliados quanto à necessidade de internação.