Anna Paula de Aguiar

 

RESUMO

 

Este artigo tem como objetivo apresentar o conceito de alcoolismo, suas características e seu tratamento. O Alcoolismo é uma doença crônica, progressiva e potencialmente fatal. Uma vez desenvolvida, a vítima perde controle de seus hábitos, com grande prejuízo da vida familiar e social. A causa do alcoolismo parece ser a interação entre uma possível predisposição hereditária, os efeitos do álcool etílico (o ingrediente básico nas bebidas alcoólicas) e o uso do álcool como um meio de suportar os problemas que a vida oferece. O alcoolismo é um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Palavras-chave: ​Alcoolismo – álcool – droga

 

INTRODUÇÃO

 

O álcool é considerado a droga mais utilizada no mundo, independentemente de esse uso ser esporádico (o considerado “uso social”) ou frequente, por dependência do usuário. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de dois bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas.1 O uso inadequado da droga constitui um dos principais fatores associados à redução da saúde mundial, sendo responsável por 3,2% de todas as mortes e por 4% de todos os anos de vida útil perdidos. O alcoolismo tem se tornado um grande problema social e de saúde pública e é definido pela OMS como um estado psíquico e/ou físico, resultante da interação do organismo vivo e a substância, caracterizado por alterações que compelem à pessoa à ingestão da droga, de forma sucessiva ou periódica, com a finalidade de experimentar seus efeitos psíquicos e, às vezes, para evitar o desconforto de sua abstinência.

 

 

Independentemente da etiologia associada, o alcoolismo constitui uma patologia que pode ser considerada uma das mais graves para a humanidade, visto que afeta não apenas o usuário, mas todos os que convivem direta ou indiretamente com ele, acarretando graves consequências para o desenvolvimento das pessoas e para a qualidade de vida e de saúde daqueles que convivem com o problema. Está associado a acidentes, mortes no trânsito, delinquência, violência, ruptura e desorganização das relações interpessoais, além de desentendimentos familiares e afetivos.

 

Características

 

Existem várias características psicológicas importantes que definem o alcoolismo e também ajudam a compreender a complexidade da doença. Entre os mecanismos de defesa que frequentemente impedem o paciente de aderir voluntariamente ao tratamento, destacam-se:

 

  1. NEGAÇÃO

 

Negação da própria doença, de seus efeitos lesivos sobre o organismo ou das perdas pessoais resultantes. Mecanismo que tem por objetivo proteger-nos das notícias ruins que podem nos trazer sofrimento.

 

  1. PROJEÇÃO

 

Consiste em atribuir a outras pessoas ou às circunstâncias da vida a responsabilidade pelo mal- estar que toma conta do bebedor. (ex. Da baixa autoestima ao meio social e familiar)

 

  1. RACIONALIZAÇÃO

 

O intelecto do indivíduo é utilizado para encontrar os mais variados argumentos que justifiquem a bebida.O doente se apresenta como vítima , com exibições de autopiedade , posicionando-se como alguém muito infeliz.

 

  1. ARROGÂNCIA

 

O bebedor é tomado por sentimentos contraditórios .percebe uma coisa,mas quer acreditar em outra e isso o faz afundar cada vez mais. Para alguém assim a melhor defesa é o ataque.

 

Critérios diagnósticos

 

O consumo compulsivo do álcool é reconhecido como doença crônica e incurável na 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A compulsão só se torna evidente ao surgir uma conduta autodestrutiva – como causar prejuízos no trabalho(abandono), desorganização familiar, comportamentos agressivos (homicídios), acidentes de trânsito, viver como mendigo ou continuar bebendo mesmo depois de diagnosticada uma cirrose hepática – quando, só então, o doente é claramente definido pela sociedade como alcoólico.

 

Para diagnosticar esta doença, é necessário que a pessoa tenha no mínimo três critérios destes no último ano anterior à consulta médica, conforme abaixo discriminado.

 

 

1º –​Um forte desejo ou um senso de compulsão para consumir a substância. Há um persistente desejo ou um não vitorioso esforço para parar de usar álcool e /ou substâncias químicas.

 

2º – ​Dificuldade em controlar o uso da substância no início, no término e também os níveis de consumo.

 

3º –​Estado de abstinência fisiológico (síndrome de abstinência) ou a necessidade de usar para cessar o mal estar.

 

4º –​Evidência de tolerância (necessidade de mais uma dose da substância para atingir o mesmo efeito).

 

5º –​Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos.

 

6º –​Persistência do uso da substância a despeito da clara evidência de consequências nocivas(Exame de comportamento: repetição de ano na escola, envolvimento com a polícia, agressões físicas com familiares, acidentes de trânsito etc.)

 

TRATAMENTO

 

O tratamento tem como objetivo salvar a Vida e oferecer a possibilidade de uma reformulação na vida do paciente e aumento em sua qualidade. O tratamento é realizado por uma equipe especializada multidisciplinar, onde o paciente será submetido a análises clínicas, psicológicas e terapias ocupacionais que visam a sua recuperação. O tratamento pode ser sem internação e com internação.

 

  • Sem Internação ​(Ambulatorial)

Indicado para aqueles que não apresentam um nível crônico de dependência química (alcoolismo). Também é indicado para aqueles que recaíram na dependência de drogas (álcool), mesmo após passarem por um tratamento e estarem a algum tempo sóbrios.

 

  • Com Internação​(Voluntária/Involuntária)

A Internação Voluntária é realizada com o consentimento do paciente, quando o mesmo consegue perceber que precisa de ajuda. O paciente deve assinar uma declaração de que é

 

 

de sua espontânea vontade ser internado para tratamento em uma instituição de tratamento da dependência química.

 

A internação involuntária é realizada a pedido dos familiares e/ou responsáveis quando percebem que o paciente representa perigo para sua própria saúde, da família ou da sociedade em que vive. A dependência é tão grande que a conscientização da necessidade de se submeter a um tratamento contra dependência química ou alcoolismo não é possível. As drogas ou o álcool já fazem parte da vida do dependente, que dominam completamente seus desejos e vontades.

 

  • indicado para tratamento de Dependência Química o modelo diretivo Minnesota, que consiste em uma visão BioPsicosSocial do indivíduo, com a utilização dos 12 passos (AA), dando uma visão ampla e abrangente e com possibilidade mais efetivas de combate aos principais mecanismos de defesa da doença.

 

CONCLUSÃO

 

O alcoolismo é caracterizado pela ingestão repetitiva de bebida alcoólica,num grau que agride o bebedor na sua saúde, e também nos aspectos social e econômico, acompanhada por uma consistente incapacidade de controlar o uso no que se refere a quantidade e ocasião. O alcoolismo é portanto uma doença que atinge a saúde física, mental e social do indivíduo, não tem cura porém tem tratamento, é recuperável.

 

BIBLIOGRAFIA

 

ALCOOLISMO – Jorge A. JaberFillho /Charles André – Editora Revinter, 2002. http://www.medicinanet.com.br/cid10.htm http://www.who.int/eportuguese/countries/bra/pt/

 

https://aempreendedora.com.br/wp-content/uploads/2017/04/Manual-Diagn%C3%B3stico -e-Estat%C3%ADstico-de-Transtornos-Mentais-DSM-5.pdf