Aluna: Jessica Barbosa de Albuquerque

 

 

 

Resumo

 

Dizemos que uma pessoa se transformou em um dependente químico quando a sua vida passa a sofrer distúrbios de comportamento, de mente e de funcionamento do organismo devido ao uso de substâncias tóxicas, como droga e álcool.

Nesse contexto, a dependência química deve ser encarada como um problema de saúde, que pode ser crônico e causado por diversos fatores como genética e problemas sociais.

Os dependentes químicos costumam obedecer a um padrão de personalidade ao longo do tempo de dependência

Nos casos onde a abstinência foi conseguida, a pessoa volta a manifestar sua personalidade prévia, então, se trata de Alterações de Personalidade e não Transtorno de Personalidade.

 

Palavra-chave: Personalidade. Dependência Química. antissocial

 

 

Introdução

 

A Dependência química faz com que a pessoa não tenha a noção do risco que se está correndo ao ingerir a substância tóxica, pois o poder de discernimento de sua mente é profundamente afetado.  Nesse sentido todos os aspectos da vida do dependente químico são negativamente alterados, sua vida social, amorosa, espiritual e profissional vão perdendo seu valor.

Após se tornar um dependente químico, a única coisa que vai ser importante e satisfatório para a pessoa é usar a droga de forma continuada, pois isso, além de trazer sensação breve de bem-estar, irá evitar crises de abstinência que irá causar vários sintomas no organismo do dependente.

Após a mente sofrer os distúrbios causados pelas substâncias tóxicas da droga e se acostumar com elas, a abstenção da mesma lhe causará problemas psíquicos como: depressão, mal-estar, mudanças de comportamento, entre outros.

 

 

Diagnóstico Dual

 

Trata-se da existência de uma alta prevalência de patologias psiquiátricas, isto é, doenças mentais, em paralelo à dependência química, que chega a atingir quase dois terços das coortes. Tão significativa é esta associação que ela passa a se comportar epidemiologicamente como uma entidade clínica, e por isso foi denominada “patologia dual”. A designação nasceu do fato de existirem, concomitantemente no mesmo doente, um diagnóstico de patologia de dependência química e uma patologia psiquiátrica aditiva.

 

Epidemiologia


A Associação Norte-americana de Psiquiatria refere uma prevalência de 3% para os Transtornos de Personalidade em homens e de 1% em mulheres da população geral. Entretanto, essas porcentagens aumentam no grupo com problemas clínicos, em geral até 30%, podendo chegar em determinados subgrupos populacionais como, por exemplo, entre os dependentes crônicos de substância, até 92% (Dejong).

Em pacientes alcoólicos tem-se encontrado porcentagens de 64% de Transtorno de Personalidade, segundo Bernardo. E mais da metade desses pacientes tinham no mínimo dois diagnósticos de Transtorno de Personalidade.

Entre os Transtornos de Personalidade nos alcoolistas tem sido mais frequente o Transtorno Antissocial e o Transtorno Borderline(Regier e Numberg).

A associação entre o Transtorno Antissocial da Personalidade e o alcoolismo tem sido mais estudada pelo fato das dependências nesse grupo serem mais longas e severas, também pelo fato dos pacientes serem mais jovens e com escassas relações afetivas (Powel, Lewis e Cook).

 

Transtorno (Alteração) Antissocial da Personalidade

 

Depois da década de 90, com a atualização dos manuais de classificação psiquiátrica (CID e DSM), todas as crianças, adolescentes e adultos que cronicamente ameaçam, intimidam, agridem e incomodam os outros, bem como aqueles que violam normas sociais recebem um diagnóstico psiquiátrico. As crianças e adolescentes recebem o diagnóstico de um dos Transtornos Disruptivos do Comportamento, enquanto os maiores de 18 anos recebem o diagnóstico de Transtornos Antissocial da Personalidade.

Quando tentamos relacionar o abuso de substâncias ou dependência química com Transtornos de Personalidade, estamos pensando predominantemente no adolescente, no jovem e/ou no adulto jovem.

Outra coisa muitíssimo importante é em relação à dependência química e a Alteração da Personalidade (não é Transtorno de Personalidade, mas sim Alteração da Personalidade).

Segundo a Classificação Internacional de Doenças – CID 10, Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.

Os dependentes químicos costumam obedecer a um padrão de personalidade ao longo do tempo de dependência. Existem traços e características de comportamento, relacionamento e percepção da realidade comum aos dependentes químicos. Isso não quer dizer que eles fiquem todos com a mesma personalidade, mas que dentro da individualidade de cada um, eles apresentam características comuns uns com os outros.

Nos casos onde a abstinência foi conseguida, a pessoa volta a manifestar sua personalidade prévia, então, se trata de Alterações de Personalidade e não Transtorno de Personalidade.

 

Importante ressaltar que ter um histórico anterior de transgressões e de problemas com a justiça não necessariamente diagnostica o sujeito como portador de transtorno de personalidade. O comportamento de busca da droga traz ao dependente situação de risco, inclusive riscos extremos e a atos violentos.

A desconsideração, o desrespeito e a violação das regras sociais e dos direitos dos outros tende a ter as suas primeiras manifestações ainda na infância ou início da adolescência e a persistir na idade adulta. E esse desrespeito pelas regras e pelas leis sociais pode ir ao ponto de originar comportamentos agressivos e criminosos como roubos, destruição de bens ou outras atividades ilegais. Adicionalmente, se estão também presentes problemas de abuso de álcool ou drogas, verifica-se um acentuar destes comportamentos.

Por uma combinação de razões de ordem biológica e ambiental/social, algumas pessoas desenvolvem determinados traços psicológicos característicos deste tipo de personalidade. Na população em geral, a percentagem de pessoas com esta perturbação é de cerca de 3%, sendo mais frequentemente identificada em homens do que em mulheres. E, embora estejamos perante um padrão de funcionamento persistente, as suas manifestações tendem a diminuir bastante com a idade, em especial os comportamentos agressivos e criminais.

 

Prevenção TPAS

Não é possível prevenir totalmente o transtorno de personalidade antissocial em quem tem predisposição à apresentá-lo. No entanto, prevenir fatores ambientais que possam causar esse problema, principalmente ambientes familiares instáveis em que a criança sofre abuso ou negligência.

Além disso, identificar desde cedo que a criança tem traços de personalidade antissocial pode ajudar no tratamento precoce do transtorno de conduta, evitando que ele evolua para transtorno de personalidade antissocial, ou pelo menos impedindo o problema de ser tão grave.

 

 

AS EMOÇÕES

 

Assim como os motivos, as emoções são estudos internos que não podem ser diretamente observados ou medidos. Quando as pessoas reagem a suas experiências, as emoções surgem subitamente. Os sentimentos têm uma qualidade incontrolável. Não são facilmente ligados e desligados. Embora as emoções possam fazer com que os seres humanos se sintam temporariamente fora de controle, realmente não compelem comportamento. Ao invés, aumentam vigilância, reatividade ou irritabilidade.

O componente de sensação de uma emoção pode ser avaliado de maneiras diferentes – por exemplo, por sua intensidade de agradável ou desagradável. As emoções também se relacionam a mudanças em comportamento expressivo, como verbalizações, gestos, posturas, feições faciais e ações.

Emoções (ou afetos) são estados internos caracterizados por cognições, sensações, reações fisiológicas e comportamento expressivo específicos. Elas tendem a aparecer subitamente e ser de controle difícil.

 

Impulso e Agressão do Dependente Químico

Glover foi um dos pioneiros em destacar o papel dos impulsos agressivos no abuso de substâncias (Galanter). Neste sentido, o consumo de algumas drogas eliminaria os impulsos agressivos e a disforia dos sujeitos com problemas de personalidade, melhorando a ira, a agressividade e os sentimentos depressivos (Craig, Khantziam). Por outro lado, a dependência pode acabar ocasionando, com o tempo, uma Alteração da Personalidade, onde a impulsividade e agressividade têm papel muito relevante.

A impulsividade pode ser o substrato comum de diferentes transtornos emocionais, tais como, nas Dependências de Substâncias, Transtornos da Alimentação, Transtornos do Controle dos Impulsos, Transtornos da Personalidade e outros. O termo impulso, de origem psicodinâmica, manifesta a disposição imperiosa de a pessoa atuar de forma a diminuir uma tensão.

Na dinâmica do consumo da droga existe uma relação binária vontade-personalidade que se conceitua através de dois modelos; primeiramente, o modelo baseado na evitação dos efeitos muito desagradáveis da abstinência. Em segundo, o modelo baseado nos efeitos agradáveis associados ao consumo da droga. Ambos modelos compartilham impulsos básicos comuns; a vocação do ser humano para a busca do prazer e para a fuga da dor.

 

A relação entre o controle dos impulsos e os Transtorno de Personalidade é tão estreita que, durante muito tempo, os dois sistemas teóricos de classificação (CID e DSM), citavam a perda do controle dos impulsos como a primeira, de uma série de características, necessárias para classificar a gravidade do Transtorno de Personalidade (Milom,1998).

 

Recentemente, os psicólogos Richard Nisbett e Timothy Wilson revisaram numerosos estudos que tinham usado auto relatos e medidas comportamentais de conduta. Nisbett e Wilson constataram que as pessoas muitas vezes deixavam de reconhecer mudanças em seu comportamento, ainda que elas fossem claras para seus investigadores. Quando indagados por que agiam como agiam, os participantes da pesquisa apresentavam razões que pareciam ter sido inferidas de suas ações. Estas observações sugerem que as pessoas não estão em contato direto com suas experiências interiores.

 

 

Tratamento

 

O tratamento e apoio apropriados na área da saúde mental, incluindo a farmacoterapia, são obtidos após avaliação e diagnóstico. Segue-se que o mesmo se aplica a pessoas com transtornos mentais e de abuso de substâncias concomitantes;

 

Pessoas com esse transtorno tendem a usar a terapia como uma maneira de evitar as consequências negativas do comportamento negligente ou ilegal ou para evitar responsabilidades sociais. Por isso, a terapia se concentra em motivar a responsabilidade. No caso da alteração de personalidade por abuso no uso de drogas o a abstinência é essencial.

 

Conclusão

 

É necessário conhecer o histórico clínico do paciente em detalhes, ao longo do tempo. Se no período de abstinência houver uma recuperação dos sintomas apresentados e/ou relatados, conclui-se que o paciente teve Alteração de Personalidade devido ao uso abusivo de drogas, caso os sintomas durante um longo período de abstinência persistirem, conclui-se que o paciente apresenta um Diagnóstico Dual, um Transtorno de Personalidade.

Caso haja uma recaída no uso de drogas, as alterações da personalidade se manifestam em muito menos tempo que da primeira vez.

Resumidamente, os desvios comportamentais com predileção para a agressividade, irritabilidade e oscilação do humor, tal como existem nos Transtornos Disruptivos tem uma forte inclinação para o uso de drogas ilícitas.

Em alguns casos, os sintomas podem ser tratados com medicação, podem diminuir a agressividade e a irritabilidade.

Um determinado comportamento pode ser despertado por diversos motivos diferentes ou por uma combinação de motivos, facilmente o familiar consegue perceber que o dependente voltou ao uso devido a mudança comportamental repentina.

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

1-     DIAGNOSTICO DUAL NA DEPENDÊNCIA QUIMICA – https://clinicajorgejaber.com.br/novo/2018/05/diagnostico-dual-na-dependencia-quimica/
acessado em 27/06/2018

 

2-    2- https://sossobriedade.com.br/transtorno-de-personalidade-antissocial-e-a-dependencia-quimica/
 Acesso em 19/05/2018

 


4-     4- https://www.clinicavivavida.com.br/blog/saude/dependencia-quimica-problemas-fisicos-e-psiquicos/195/ Acesso em 28/05/2018

 

5-    5- DAVIDOFFLLINDA; Título: Introdução à psicologia. 03. ed.- São Paulo. 2001.