ALUNA: CAROLINA OLIVENCIA PIOLLA

 

 

INTRODUÇÃO

 

O suicídio consiste uma importante questão de saúde pública no mundo. A  Oranização Mundial da Saúde (OMS) calcula que, até 2020, mais de 1,5 milhões de pessoas vão cometer suicídio (BERTOLOTE, 2002).

Num estudo realizado com a população brasileira entre 1980 e 2000, verificou-se um aumento de 32,8% na taxa masculina de suicídio, com crescimento em todos os grupos etários; Entre as mulheres, as taxas são mais altas em planejamento e tentativa de suicídio, enquanto no sexo masculino as maiores taxas são de suicídio consumado. (Baggio et al., 2009).

Operacionalmente, o suicídio pode ser  definido como sendo “dar fim na própria vida voluntariamente”, consistindo em um fenômeno paradoxal que desafia várias áreas do conhecimento, tais como: Psicologia, Filosofia, Direito, Psiquiatria, Bioética, bem como diversas religiões e o senso comum (Daolio & Silva, 2009). Ademais, o fenômeno do suicídio é multicausal, envolvendo fatores ambientais, psicológicos, culturais, biológicos e políticos, tudo englobado na existência do indivíduo. ÉÉ importante assinalar que o suicídio se apresenta como consequência final de um leque maior de situações que põem em risco a vida, considerando-as como comportamentos suicidas. O comportamento suicida pode ser definido como a preocupação, desejo ou ato que busca, intencionalmente, causar dano a si mesmo.

O suicídio é apresentado como grave problema de saúde pública, estando entre as dez principais causas de morte na população mundial de todas as faixas etárias (V. dos S. Souza et al., 2011). Além disso, o suicídio vem ocupando o terceiro lugar no grupo com idade entre 15 e 34 anos e o segundo lugar em pessoas acima de 65 anos, com taxas variando em função do contexto social, gênero, meios utilizados e faixa etária (Baggio, Palazzo, & Aerts, 2009; Evans,Hawton, & Deeks, 2005; Rábago, Flores, Ureña,Vargas, & Gámez, 2010; L. D. de M. Souza etal., 2010; Wagner, Ireland & Resnik, 2001). Nos últimos anos, tal fenômeno tem sofrido incremento significativo, principalmente nas populações juvenis, mas em grande medida passível de prevenção (Macente & Zandonade, 2010; V. dos S. Souza et al., 2011).

Segundo a Organização Mundial de Saúde– OMS (World Health Organization [WHO],2001), quase  de todas as mortes violentas são em decorrência do suicídio, traduzindo-se em quase 1 milhão de vítimas ao ano, e entre 10 a 20 milhões de pessoas tentam suicídio por ano. As estimativas realizadas apontam que, em 2020, as vítimas poderiam ascender a 1,53 milhões, e de 10 a 20 vezes mais pessoas realizarão intento suicida (Baptista, 2004; Psic, 2011; L. D.de M. Souza et al., 2010). Estudo realizado por Wasserman, Cheng e Jiang (2008) sobre taxas de suicídio entre jovens, com dados de 90 países, estimou em 7,4/100 mil a taxa de suicídios entre jovens de 15 e 19 anos. Entre aqueles com maiores taxas estão: Sri Lanka (46,5/100 mil), Lituânia (23,9/100 mil) e Rússia (23,6/100 mil). No Brasil, a estimativa foi d100,2/100 mil, considerada baixa em escala mundial, ocupando assim o 71°No entanto, em números absolutos, o Brasil está entre os 10 países com mais suicídios (MELLO, 2005).

 

O suicídio é uma das quatro principais causas de morte entre as pessoas com idade entre 15 e 44 anos, tanto em países desenvolvidos como em países em desenvolvimento (OMS, 2002).

 

ADOLESCENTES

 

O suicídio é a terceira causa de morte entre os jovens estadunidenses (Joe et al., 2007). Na América Latina, há maior incidência de conduta suicida nos jovens entre 15 e 19 anos de idade (Gutiérrez et al., 2009), havendo estimativas que apontam para o fato de que, a cada oito jovens, um tenta se suicidar (Psic, 2011).

A principal correlação para o suicídio na adolescência se apresenta mediante ideação ou intento suicida prévio, associando-se a fatores de risco, tais como a depressão maior, devido, em grande parte, a dificuldades no enfrentamento de frustrações pessoais, disfunção familiar, abuso sexual, maus tratos, bem como a não satisfação das necessidades básicas (Psic, 2011). Ademais, uso de substâncias psicoativas, perda de alguém próximo por suicídio, acesso a armas de fogo, ser vítima de algum tipo de violência, transtornos psiquiátricos, questões sócio-econômicas, problemas de interação social, abuso físico e/ou sexual, eventos estressantes, mudanças constantes de domicílio, falta de suporte social, conflitos intrafamiliares, transtornos alimentares e alterações neuropsicológicas também são apresentados como fatores potencialmente de risco na infância e adolescência (Botega et al., 2005; Gómez et al., 2002; Larranguibel et al., 2000; Pavez et al., 2009; Silva & Maia, 2010).

Em relação ao abuso sexual infantil, seus efeitos podem manifestar-se imediatamente ou em longo prazo, podendo ocasionar, desde mudanças na estrutura e funcionamento cerebral (Roy, 2005) até transtornos psiquiátrico cerebral tais como: transtorno de estresse pós-traumático, depressão, ideação ou intento suicida, insensibilidade emocional, disfunções sexuais, bem como problemas com substâncias psicoativas (Pérez-Olmos et al., 2007).

Enquanto transtornos psiquiátricos, a depressão é apontada como o principal fator associado ao comportamento suicida. Considera-se que mais de 50% dos adolescentes que se suicidaram eram acometidos de depressão maior e, destes, 25% cometeram alguma tentativa prévia de suicídio, com 15% de indivíduos consumando o ato (Gómez et al., 2002). No que abrange as variáveis ambientais, as adversidades familiares se apresentam como principal risco de suicídio (Mitchell & Kim, 2004; Reyes & Torres, 2001). Entre as variáveis emocionais, aponta-se a repressão emocional, tristeza, necessidade de afeto, busca por valorização, baixa autoestima, sentimentos de culpa e inferioridade, timidez, violência e restrição social como fatores potencialmente de risco a comportamentos suicidas (Campo et al., 2003).

 

ADULTOS

 

As taxas mundiais de suicídio tiveram um aumento de 60% nos últimos 45 anos, sendo que, em alguns países, está entre a principal causa de mortalidade de 15 a 44 anos (Botega et al., 2009; Minayo, Pinto, et al., 2012). No Brasil, as taxas de suicídio em homens com menos de 60 anos atingiu, em 2005, a marca de 11/100mil habitantes, com declínio, em 2006, para 7,1/100mil. Referente ao sexo feminino, a média, em 2006, fora de 3,4 suicídios de homens para cada mulher.

Num estudo realizado na Colômbia por Castro-Rueda et al. (2010) com 448 indivíduos e média de idade de 35,9 anos, que realizaram tentativas de suicídio, as estratégias citadas para tal finalidade foram: intoxicação por medicamentos e/ou veneno; autoagressão com arma de fogo ou instrumento perfurante; lançar-se em veículos em movimento; precipitação em locais elevados; bem como outros métodos, podendo levar, quando não consumado, desde danos físicos sem perigo, quanto a danos físicos com risco de vida.

Diversas pesquisas apontam como principais fatores de risco para condutas suicidas: consumo e/ou uso abusivo de álcool e outras substâncias psicoativas; problemas familiares e/ou parentais; transtornos mentais severos; enfermidades terminais; impulsividade; não possuir parentes e/ou vínculos sociais; rompimento de relações interpessoais significativas; problemas Financeiros; histórico familiar de suicídio; abuso na infância, tentativas prévias e ideação suicida; isolamento social; perdas afetivas; histórico familiar de suicídio; transtornos mentais severos, principalmente os transtornos depressivos e doenças terminais; bem como variáveis demográficas e socioeconômicas (Almeida et al., 2009; Meneghel et al., 2004; Rogers, 2001; Weir, 2001; WHO, 2000/2008).

 

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