Aluno

 

Maurício Francisco Ribeiro

 

Rio de Janeiro, Novembro/2018

Introdução:

 

O suicídio é a segunda principal causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 800 mil pessoas se suicidam a cada ano, ou seja, um caso a cada 40 segundos.

 

O que nem sempre a gente percebe é que essas mortes poderiam ser evitadas. Grande parte desses suicídios é o desfecho de um processo, muitas vezes influenciado por transtornos mentais, abuso de álcool e outras drogas. E os dados indicam que essa influência não é uma suposição.

 

Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) recente mostrou que jovens com histórico de internação hospitalar devido ao uso excessivo de álcool e drogas ou por envolvimento em violência têm risco cinco vezes maior de tentar suicídio na década seguinte.

 

Foram analisados registros de mais de um milhão de adolescentes de 10 a 19 anos. O estudo revelou também que pacientes internados alguma vez por automutilação são mais propensos a morrer, tanto por suicídio quanto por abuso de álcool e drogas.

 

Mas não para por aí. Em outro trabalho, pesquisadores analisaram tentativas de suicídio atendidas em um pronto-socorro e sua correspondência com a dependência ou o abuso de substâncias durante um período de 12 meses.

 

Os resultados mostram que, além do consumo de álcool antes da tentativa em 21% dos casos, a maconha e a cocaína também foram rastreadas em 7,5% das ocorrências. A dependência de alguma substância apareceu em 10% dos casos.

 

 

 

 

 

Palavras chaves: suicídio, dependência química, doenças..


 

 

Desenvolvimento:

 

 

 

O vínculo entre os transtornos mentais e a dependência de drogas varia. Uma coisa pode causar a outra, ser a conseqüência da outra ou, ainda, acontecer de forma paralela. Seja como for, o abuso de substâncias está entre os fatores de risco para o desenvolvimento do comportamento suicida.

 

Nesse caso, a dependência pode funcionar de duas maneiras:

 

Como uma prisão, que impede o dependente de escapar de um ciclo de desconforto;

 

Como uma ilusão de alívio de outras condições aprisionadoras: depressão, transtorno bipolar, transtornos ligados à ansiedade e outros, como a esquizofrenia. Freqüentemente, essas doenças não são tratadas (ou tratadas inadequadamente).

 

A ligação entre problemas de saúde mental, suicídio e uso de drogas soma-se a sintomas como isolamento; mudanças de comportamento; depoimentos sobre o desejo de morrer ou em tom de despedida — inclusive nas redes sociais; falta de planos para o futuro e medidas para colocar todas as contas em ordem, com o objetivo de “não deixar nenhum problema para a família”.

 

Quando estamos diante dessa preocupação, é útil avaliar, junto aos sintomas, alguns fatores de risco:

 

Tentativa prévia;

 

Viver sozinho;

 

Histórico de suicídio na família;

 

ser portador de uma doença que causa dor física ou incapacita para o trabalho e tarefas cotidianas;

 

Perdas econômicas e de status social;

 

Relacionamentos afetivos disfuncionais;

 

Sensação de abandono afetivo, seja pela separação ou por falecimento do cônjuge, afastamento de amigos próximos, ausência ou divórcio dos pais;

 

Violência no contexto familiar e agressão sexual, moral ou psicológica;


 

Humilhação e desonra, como nos casos de homofobia, racismo e xenofobia;


Vulnerabilidade social;

 

Casos de sofrimento psíquico, transtorno mental e dificuldades em lidar com problemas, principalmente entre os mais jovens.

 

A súbita melhora de um quadro de depressão também deve ser observada com atenção pelas pessoas próximas, porque a decisão de encerrar a própria vida pode ter sido tomada.

 

Como lidar com esses sinais.

 

De acordo com a OMS, a abordagem preventiva deve ocorrer de duas formas principais:

 

Restringindo o acesso a métodos comuns de suicídio (por exemplo: armas de fogo e alguns medicamentos);

 

Oferecendo tratamento para a depressão e a dependência de álcool e drogas.

 

Para entender porque o segundo item é tão importante, lembre-se de que as drogas pioram a adesão da pessoa ao tratamento do transtorno mental, afetam a resposta aos medicamentos e à terapia psicológica, contribuem para aumentar a impulsividade e intensificam os sintomas de depressão e ansiedade.

 

Restringir o consumo de substâncias que causam dependência facilita o diagnóstico e a resposta mais rápida ao tratamento. Além disso, tratar a dependência torna mais fácil o caminho para a mudança de estilo de vida e para reencontrar elementos significativos no dia a dia.

 

  • muito importante lembrar que, para ter chance de sucesso no tratamento, a família deve estar engajada no processo. Se você estiver lidando com uma situação como essa, procure informações de fontes confiáveis e busque orientações com especialistas e grupos de apoio, como por exemplo, o CVV (Centro de Valorização da Vida), entre outros grupos de Apoio Fraternos nas

 

Instituições religiosas.

 

 

 

Conclusão:

 

Nunca minimize a tentativa ou ignorare as idéias suicidas. Se alguém chega a esse grau de manifestação do desespero, deve ser encaminhado para sistemas de apoio e tratamento.


 

  • fundamental tentar vencer os preconceitos e não julgar o indivíduo com comportamento suicida. “É comum ouvirmos as palavras “covardes” e egoístas”


nesses momentos. Na verdade, a pessoa não quer magoar ninguém: ela está buscando uma saída para uma dor ou um sofrimento que parece intolerável.

 

Em vez de ridicularizar, a postura deve ser de ouvir, amparar e buscar ajuda. Quanto mais rapidamente for percebida a ameaça, mais ágil será a ajuda. Em alguns casos, quando a ideação suicida está associada a um conjunto de fatores de risco, a exemplo da dependência química, a internação pode ser necessária.

 

Finalizo, com um trecho do Livro Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no Brasil e no mundo: “No fundo, as pessoas não querem se matar, elas querem evitar a dor. O que move as pessoas nessa direção não é a morte, mas a própria vida, não suportar viver, com sofrimento e dor”

 

 

 

Referencia:

 

[2] O tratamento da dependência química e as terapias cognitivo-comportamentais: um guia para terapeutas/ Organizadores, Neide A. Zanelatto, Ronaldo Laranjeira – Porto Alegre: Artmed, 2013.

 

*Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).

 

[1]​​Trigueiro, André, 1966 – Viver é a melhor opção: a prevenção do suicídio no

Brasil e no mundo/André Trigueiro – São Bernardo do Campo. SP: Correio Fraterno, 2015

 

[4]http://www.uniad.org.br/interatividade/noticias/item/25171-confira-a-entrevista -exclusiva-com-o-psiquiatra-dr-hamer-palhares-sobre-depress%C3%A3o-e-dep end%C3%AAncia-qu%C3%ADmica


 

Centro de Valorização da Vida, CVV,HTTPS://WWW.cvv.org.br/.