Nome: Bianca de França Ribeiro

 

Introdução

A adolescência pode ser considerada como um período de transição dá infância para a idade adulta, passando por um estado de intensa dependência para uma condição de autonomia pessoal, e de uma condição de necessidade de controle externo para o autocontrole, onde as habilidades cognitivas e as experiências pessoais se tornam mais complexas.

A experimentação de novos papéis sociais e de novos valores é uma forte característica da transitoriedade dessa fase, segundo (Breinbauer,2008). A tentativa de se tornar independente em relação aos pais, faz com que o adolescente passe mais tempo com amigos, dividindo com eles as dificuldades, dúvidas e angústias. Essa necessidade de autonomia, tanto emocional quanto social, facilita a separação da Família e gera consequentes conflitos dentro de casa. Esses conflitos podem gerar rebeldia, sentimentos de raiva, rivalidade e competição. Tais sentimentos não devem ser vistos somente como pontos negativos. Tendo um equilíbrio entre os sentimentos de afeição e empatia, os sentimentos negativos servem para que o adolescente tenha um senso de si mesmo e determine seus pontos fortes e fracos.

Comumente, o adolescer é compreendido com um período de pura mudança é inquietude. Marcada pelos impulsos do crescimento corporal, pelas mudanças do desenvolvimento emocional, mental e social, além de ser um período no qual o indivíduo lança mão de intensos esforços para alcançar objetivos referentes à sociedade e de seu grupo familiar.

Vimos que viver e atravessar a etapa da adolescência é uma experiência vital que, inevitavelmente envolve sofrimento psíquico. O modo de ser do adolescente é doloroso. “Ele poderá procurar evitar a dor refugiando-se na negação e na sublimação.

Por viverem a instabilidade de um corpo e mente em constante transformação, o que provoca maior ou menor sofrimento psíquico, os adolescentes constituem um grupo de risco em relação ao consumo de drogas. Os adolescentes procuram com os pares (amigos, turma, “galera”) a dose necessária de aconchego, solidariedade e compreensão, o que faz parte de uma adolescência considerada normal. Nesta etapa, os
adolescentes querem ser diferentes dos adultos e, ao mesmo tempo, pertencer a
um grupo. Então, é esperado que questionem e duvidem de verdades prontas e
rebelem-se, expressando, assim, toda sua energia e criatividade. Mas, esta energia
também pode ser canalizada para atividades de risco ou lesivas ao próprio
bem-estar. É neste momento que as drogas, lícitas e ilícitas, têm a perversa capacidade de desviar o curso de vida dos jovens, por vezes, de maneira irreversível. Sem distinção de classe social ou nível intelectual, assuntos relacionados às drogas destacam-se em praticamente todos os campos de debates. Muito embora nos espaços acadêmicos essa discussão já seja considerada superada, pelo menos as duas vertentes: favoráveis à liberação e à proibição já
construíram, de forma sólida, seus argumentos.

 

Metodologia

Esta pesquisa foi bibliográfica descritiva. A amostra se deu a partir dos dados consultados em livros, artigos, revistas e fontes examinadas em Internet.

 

Objetivo Geral

O trabalho em questão discute a temática drogas na adolescência, sendo de
grande relevância para estudo na saúde pública, e analisar os principais motivos que levam o jovem a usar drogas.

 

Alcool e tabaco

Geralmente o adolescente começa com uso de drogas consideradas lícitas, podendo ampliar sistemicamente para o uso das drogas ilícitas.

Segundo o Psiquiatra Jorge Jaber (2002), 30% dos indivíduos que experimentam bebidas alcoólicas desenvolverão problemas relacionados a esse consumo, sendo destes, 20% por uso abusivo e 10% por dependência.  Em boa parte, esses indivíduos constituirão uma grande população de “bebedores-problemas”, preenchendo os critérios diagnósticos para abuso de drogas. Muitas vezes esse uso abusivo de álcool pode constituir um problema temporário, por exemplo, na adolescência e na presença de luto ou depressão. É porem essa população suscetível ao desenvolvimento futuro de critérios de dependência alcóolica.

De acordo com Pechansky, Szobot e Scivoletto, (2004), por ser facilmente obtida e comumente propagada, a experimentação do álcool e do tabaco vem a ser precoce e disseminada entre os adolescentes. O primeiro contato costuma ser em um ambiente de amigos. O adolescente, normalmente tem amigos que já fazem o uso de drogas, o que gera uma pressão do grupo para que ele experimente. O consumo de substâncias psicoativas pelos adolescentes tem aceitação cultural em diferentes sociedades, o que dificulta a promoção de abstinência nesse grupo etário. O álcool é o tipo de droga que os adolescentes mais se identificam e essa relação é intimamente ligada a atos de violência. Isso se reflete nos altos índices de mortes de jovens, por acidentes automobilísticos, (Aquino, 1998).

Em relação à adolescência o consumo de álcool traz prejuízos significativos para os jovens e, por isso, são protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente: No caso da adolescência o uso de álcool se torna mais complexo porque o organismo em formação não tem resistência. Um copo de cerveja é o bastante para fazer com que o indivíduo perca o senso de julgamento e a coordenação motora seja afetada. Psicologicamente o jovem sob influência do álcool ou outras drogas sofre transformações no temperamento e na personalidade (Silva, 2000, p.39).

Uma vez que o uso de álcool e tabaco por adolescentes é difuso e necessita da aceitação da sociedade em geral, promover a abstinência de álcool e do tabaco entre adolescentes não é uma meta que se consiga alcançar com facilidade.

Ainda que o tabaco e o álcool ocasionam mais mortes e aflição que todas as outras drogas ilegais acopladas, tanto uma quanto outra são evidenciadas pela mídia nas publicidades, com opiniões de pessoas bem-sucedidas, comumente artistas populares de importância, como por
exemplo de glamour, solicitando a sociabilidade e a incitação à sociedade.

Os cigarros passaram a ter cores, cheiro e até sabores diferentes, como menta e chocolate, e com isso atraíram principalmente os jovens. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que os aditivos que dão essa nova cara ao produto também aumentam o seu potencial tóxico.

O tabaco é uma droga que muitas vezes está ligada a outras drogas, Jovens fumantes quando comparados aos não fumantes, consomem 3 vezes mais álcool, usam 8 vezes mais maconha, 22 vezes mais cocaína e ainda apresentam comportamentos de risco como sexo sem proteção e agressão física (WHO, 2011).

Por isso, pais, outros adultos e programas de prevenção e promoção a saúde devem trabalhar em conjunto para oferecer maneiras de abordar e lidar com situações em que há disponibilidade de bebida alcoólica para a classe jovem.

 

O adolescente e o uso de drogas

A maturidade e o desenvolvimento do adolescente vão depender de diversos
fatores em que o adolescente está inserido, tais como sociais, culturais e históricos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu como período cronológico de idade
dos adolescentes de 10 aos 19 anos.

A adolescência passou a ser vista com olhar analítico além do que ela representava no passado, que seria somente um momento de transformações, pois os adolescentes estão cada vez mais em busca de novas sensações (LIMA, NASCIMENTO, ALCHIERI, 2015).

A idade de iniciação ao uso de drogas é cada vez mais precoce. Estudo brasileiro mostrou que
o uso de drogas por adolescente do sexo feminino e masculino se dá por volta dos 12,5 e 12,8
anos para o álcool e tabaco, respectivamente; com relação a maconha, a cocaína, o crack ,os
13,1 anos para os adolescentes e 14,4 anos para as adolescentes.
Neste caso, é de suma importância fazer o reconhecimento do grupo dos
adolescentes de risco associado ao uso de drogas e álcool (PECHANSKY et.al., 2014).

O adolescente, quando tem sua primeira experiência com a droga, o estágio
de consumo e de substâncias como outras drogas aumenta com rapidez, porém, na
vida adulta, há uma queda considerável por conta dos compromissos, como a
sustentabilidade de sua família (PESHANSCKY et. al., 2014).

Segundo “a organização Mundial de Saúde (OMS) aponta o álcool como
sendo a substância psicoativa mais consumida por crianças e adolescentes. A
média de idade, no Brasil, para o primeiro uso de álcool é de 12,5 anos”
(PECHANSKY et. al., 2014, p. 68).

De acordo com dados epidemiológicos, o início da ingestão de álcool, cigarro e outras drogas acontecem principalmente na adolescência. O mecanismo de ação de determinadas drogas certamente causará sociabilidade e ampliação do apetite sexual, que predispõe ao adolescente a praticar o ato sexual inseguro (PECHANSKY et. al., 2014).
A relação do uso de substância química e o adolescente é a realidade do nosso país. É na faixa etária de transição entre a infância e a vida adulta que, contemporaneamente, as substâncias entorpecentes exercem maior poder de atração. Para além de um problema meramente individual daqueles envolvidos na difícil relação drogas e juventude, o assunto já se tornou uma questão de saúde pública e com consequências sociais de longo alcance.

Observa-se que o consumo de drogas por adolescentes é uma realidade em todo mundo, que tem se ampliado em todas as sociedades, um fenômeno complexo, pois é na adolescência que o uso de entorpecentes pode causar danos por toda sua vida. O uso de drogas por adolescentes se constitui em um problema psicossocial, problemática que não está inserida apenas em nossa atualidade e sim vem sendo discutida há algum tempo, sendo necessário refletir sobre esse problema, objetivando soluções.
Maconha

A cannabis sativa é considerada uma droga ilícita, podendo causar
dependência. A dependência é definida pela OMS como “um estado de intoxicação
crônica periódica ou produzido pelo consumo repetido de uma droga natural ou
sintética, caracterizado pelo desejo dominante em utilizar a droga e para obter por
qualquer meio”. Alguns autores têm proposto que a maconha não induz
dependência física em humanos, enquanto outros descrevem o aparecimento de
alguns sinais de abstinência em usuários crônicos. Estes sinais incluem
irritabilidade, agitação, nervosismo, perda de apetite, perda de peso, insônia, tremor
e aumento da temperatura corporal.

Seu uso pode afetar significativamente a mente, alterando as funções normais do cérebro e interferindo em todas as áreas da vida humana. Partindo do princípio de que o adolescente cresça sofrendo esses males e consequências, sua personalidade será formada por sentimentos negativos, dificuldades para o desenvolvimento e adaptação à vida, ao relacionamento afetivo e ao ambiente de trabalho, podendo até mesmo não chegar à idade adulta, uma vez que uma das consequências do uso da cannabis Sativa leva à depressão e comportamentos suicidas.

O abuso de maconha entre adolescentes dos países desenvolvidos vem aumentando significativamente nas últimas décadas. Uma das possíveis explicações para esse fato é a percepção de que a maconha é uma “droga leve”, sem muitas consequências para a saúde do indivíduo, em contraste com outras drogas ilícitas. Na população brasileira, recente pesquisa da SENAD (Secretaria Nacional Antidrogas) demonstrou que 9% dos adolescentes já utilizaram maconha pelo menos uma vez. Esse conceito, no entanto, tem sido contestado por recentes estudos longitudinais realizados na Europa e na Nova Zelândia, que demonstraram uma associação positiva, numa curva de dose-efeito, entre o uso de maconha durante a adolescência e um risco aumentado do diagnóstico de esquizofrenia no futuro. Isso nos alerta para o fato de que o uso “inocente” de drogas durante a adolescência pode estar associado a importantes efeitos adversos a longo prazo.

É um fato bem estabelecido que pacientes esquizofrênicos tendem a fazer uso abusivo de drogas, o que tem sido relacionado a uma necessidade de automedicação para sintomas tão perturbadores. O que se observa em relação à maconha, contudo, é que muitas vezes o início do uso precede o aparecimento de sintomas esquizofrênicos. Isso levou alguns investigadores a hipotetizar que possivelmente o abuso de maconha funcionaria como um fator de risco para o desenvolvimento de sintomas esquizofrênicos em indivíduos vulneráveis.

Esses achados foram replicados em outros dois estudos realizados na Holanda e na Nova Zelândia. O primeiro estudo, também longitudinal, foi realizado numa população de 4.045 adolescentes e demonstrou um aumento de quase três vezes no risco de sintomas psicóticos em adolescentes que relataram uso frequente de maconha. No segundo estudo, com desenho de coorte com mais de mil adolescentes seguidos desde o nascimento, os jovens que relataram uso de maconha apresentaram uma chance quatro vezes maior de serem diagnosticados como portadores de transtorno esquizofreniforme aos 26 anos de idade.

Iniciativas com o objetivo de reduzir o uso de maconha entre os jovens poderiam, portanto, ter um impacto positivo na prevenção de futuros casos de esquizofrenia. Campanhas que possam esclarecer esses achados para jovens, particularmente quando desenvolvidas de uma maneira criativa e envolvendo outros jovens, são necessárias e relevantes

 

Cocaína e Crack

De acordo com tiba (1998), as crianças e os adolescentes são mais vulneráveis que os adultos aos efeitos da droga, justamente por estarem em desenvolvimento. Portanto vê-se que a puberdade é um dos períodos mais vulneráveis por que passa o ser humano, pois nesse período manifestam-se suas características sexuais secundárias, sendo grande o movimento de hormônios, de crescimento celular com consequente maturação de muitos órgãos e estruturas cerebrais neurológicas e corporais. Tendo em vista estas questões, toda essa movimentação orgânica torna a puberdade muito suscetível aos efeitos prejudiciais da droga.

Partindo do princípio e do entendimento de que o adolescente chegue à maioridade sofrendo os males e as consequências do uso da cocaína, este terá sua personalidade formada com sentimentos negativos, além de baixa estima e experiências emocionais negativas, poderão ter dificuldades para o desenvolvimento e adaptação à vida, ao relacionamento afetivo e ao ambiente de trabalho, podendo, inclusive, contrair comportamento agressivo.

O consumo de cocaína pode comprometer funções neurológicas de um modo muito mais agressivo entre os que começaram a consumir a droga ainda na adolescência do que entre aqueles que passaram a usá-la mais tarde, já na fase adulta. A conclusão, apresentada em um artigo publicado na revista Addictive Behaviors, é de um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Sob coordenação do neuropsicólogo Paulo Jannuzzi Cunha, pesquisador do Laboratório de Neuroimagem do Departamento de Psiquiatria da faculdade, eles avaliaram 103 dependentes da substância, todos da cidade de São Paulo.

Por outro lado, o abuso de drogas, em especial do crack, por adolescentes está vinculado ao crime e a pobreza, evidenciando que fatores econômicos implicam ao consumo de drogas.

O crack causa dependência em curto período de consumo e tem um efeito devastador; é a droga que mais está relacionada com a criminalidade, pois quanto mais se fuma o crack, mais se tem a necessidade de consumi-la. Esse entorpecente é muito utilizado por adolescentes moradores de rua, seu uso faz com que muitos passem a cometer atos infracionais como forma de sustentar o vício.

Diante do que foi explicitado, podem-se confirmar as graves consequências através do uso da cocaína e do crack na construção da identidade do adolescente, sejam elas consequências psicológicas ou sociais.

 

Consequências do uso de drogas na adolescência

A falta de conhecimento sobre o uso de drogas e suas consequências pode vir a propiciar o
aumento desordenado no número de usuários.

Caso contrário, se medidas urgentes não forem tomadas, consequências drásticas podem vir a acontecer, uma vez que o adolescente pode vir a sofrer prejuízo em seu desempenho escolar e ferindo sua autoestima, afetando suas relações afetivas e sociais, influenciando-o à criminalidade, e nos casos mais graves, ocasionando quadros graves de transtornos psíquicos, físicos e/ou comportamentais que, muitas vezes, trazem prejuízos irreversíveis.

Há uma série de fatores bem reconhecidos como de risco ao uso problemático de drogas, entretanto alguns parecem ter maior peso do que os outros.

Diante do exposto, é cada vez mais preocupante o uso de drogas na adolescência e suas consequências, uma vez que é nesta fase da vida que envolve amadurecimento, riscos, medos e instabilidades. Com isso, também se faz necessário uma ação conjunta entre a família, governo e a sociedade como um todo, que podem atuar no âmbito da intervenção, prevenção e diálogo, uma vez que a falta de conhecimento sobre a droga, sua existência, seu funcionamento e suas consequências podem vir a propiciar o aumento desordenado no número de usuários, e, principalmente, na gravidade de novos casos, expondo-nos a situações trágicas isoladas ou coletivas que de alguma forma poderiam ser evitadas.

Família e adolescente

Na conjuntura familiar que se divulgam os sentimentos (amor, ódio, inveja, gratidão), que a criança aprende a reconhecer-se como única (identidade) e como parte do grupo (sentido de pertencer, o sentido do nós). “Até agora não foi descoberta outra forma de ensinar gente a ser gente.” (MIOTO,2010, p. 120.
Houve várias mudanças com a família na contemporaneidade que tiveram profundas implicações na configuração familiar originando vários modelos de família.

A fase da adolescência tem sido percebida como um momento “crítico”, período de significações da identidade sexual, profissional, de apegos e sujeito a crises, muitas vezes tratadas como patológicas, ou até mesmo demarcadas num quadro típico de adolescência, sugerido por SAITO, 2000, p. 9) como uma “síndrome da adolescência normal”. Esta síndrome da adolescência fala da procura de si mesmo e da identificação adulta, separação progressiva dos pais, tendência grupal, obrigação de intelectualizar e fantasiar, evolução da sexualidade, vivência temporal particular atitude social reivindicatória e invariáveis alterações de humor.
Há dificuldade de determinação de limites precisos quanto ao término da adolescência. Existe a tendência de prolongamento desta fase devido a uma série de fatores de natureza sócio-cultural como identidade sexual, relações afetivas estáveis, capacidade de assumir compromissos profissionais e manter-se economicamente, valores pessoais e relações com os pais.
Os jovens passaram a difundir em seu meio social a ideia de que você precisa descobrir por você mesmo o barato de usar ou não drogas, e isso significa experimentar”. O resultado é que, durante a última década, após experimentarem drogas, gostam delas, continuaram a usá-las e estimularem os amigos a fazer o mesmo.
O uso de drogas pode acender confusões agudas (intoxicação ou overdose) e crônicas, com agitações duradouras ou até irreversíveis. Outros riscos ainda são considerados ao tratar-se de adolescentes, já que todas as substâncias psicoativas, quando empregadas de forma abusiva, majoram o risco de acidentes e de agressão por determinarem os cuidados de  autopreservação, já vulneráveis entre os adolescentes (FILHO et al , 2007).

O autor citado acima ainda alerta para esta presença quase que cotidiana das drogas, pois na vida em sociedade torna o tema drogas bastante complexo de ser tratado, porque, se por um lado, se identificam discursos que tentam construir uma imagem negativa da droga, por outro, existem vários outros que a erguem de forma positiva. Em se tratando de drogas lícitas, os meios de comunicação adjudicam imagens próprias ao seu uso.

Por ser uma fase conflituosa, o adolescente precisa de apoio por parte da família para enfrentar mudanças que ocorrem no comportamento, no corpo e nas relações sociais. É uma fase onde o jovem se encontra mais vulnerável ás influências diversas e se não estiver bem orientado, com uma base sólida, pode optar por caminhos de fuga, alienando-se de uma realidade que não consegue enfrentar. Em muitos casos pode tornar-se presa fácil para o caminho das drogas, as drogas estão presentes na sociedade e têm sido alvo da atenção de muitas famílias, seja pela preocupação com aqueles que não usam, pararam de usar, ou com os que fazem uso. O caminho das drogas pode mudar todo o curso normal de desenvolvimento do jovem, pois as drogas comprometem a saúde, interferindo na memória e na aprendizagem; causam grandes transtornos não só para os usuários, mas para a família ou quem está próximo convivendo no mesmo espaço.

Se o adolescente começa a fazer uso de drogas o seu rendimento escolar fica comprometido e também o relacionamento com os seus familiares e amigos.
 

Novas Drogas

Uma droga que vem se popularizando entre os adolescentes e o Lean uma bebida que mistura codeína, refrigerante e balas de goma.

Criada nos Estados Unidos, durante a cena do  blues, em 1960, é também conhecida como purple drank sizzurpe syrup , e pode levar pessoas à síndrome de abstinência e até mesmo à morte.

No Brasil, o lean se tornou famoso em 2015, e vem ganhando potência por sua predominante aparição em clipes de trap norte-americanos, em que  rappers aparecem com copos de isopor brancos cheios de gelo e, claro, a “bebida roxa”. Em sua composição, além da codeína, que é um derivado do ópio usado como anestésico contra dores moderadas e graves e em tratamentos oncológicos, usa-se prometazina, um antialérgico que aumenta o efeito de sedação.

De acordo com um levantamento realizado pelo site americano Motherboard , o consumo de purple drank chamou a atenção do governo dos EUA depois de registros numerosos de mortes por overdose. Segundo o relatório oficial da comissão presidencial, cerca de 142 pessoas vêm a óbito por dia devido ao uso de opioides, o que se igualaria à quantidade de mortos nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 a cada três semanas.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS.
O papel da droga na vida do adolescente é o de trazer uma autossuficiência momentânea que transmite uma falsa esperança de futuro. Vive num mundo paralelo em que o amanhã não tem muita importância, devido desilusões, decepções morais, afetivas e etc. Passa por frustrações intensas e não sabe como lidar com estas, por causa da imaturidade, mudanças em seus ideais e formação de conceitos. Nesse momento, já existe o abandono dos estudos, pois a mente já afetada pelas drogas faz com que ele se sinta acima dos valores morais, sociais, familiares e religiosos, levando-o a pensar apenas no momento em que vive quando está sob o efeito das substâncias psicoativas.
A temática das drogas na vida dos adolescentes necessita ser compreendida dentro de um contexto de vida familiar e cotidiano, que vai muito além das hipóteses sobre o que acontece com indivíduos individualmente. Neste contexto o que se compreende é que se reproduz uma prática de culpabilização, exclusão e condenação, que recai sobre os adolescentes usuários, tornando-os os únicos responsáveis pela sua condição. As experiências dos adolescentes usuários de drogas não são cometidas de forma solitária ou voluntariamente. Eles as
concretizam no cerne de uma história, de um contexto socioeconômico, mergulhados em momentos socioculturais, ligados a sistemas familiares e submetidos pela manipulação e apelo da sociedade na qual vivem.
Percebe-se nitidamente a falta de habilidade e a fragilidade por parte dos familiares em lidar com a problemática da dependência química e isto reflete de forma negativa sobre a composição e a própria saúde da família, compreendendo que quando procura ajuda para o adolescente a mesma já demonstra um quadro de desgaste e descrédito em função do convívio com o adolescente dependente.
O atendimento às famílias necessita de uma abordagem multidisciplinar para suprir a deficiência da dinâmica complexa que atravessa este sistema, o trabalho referente ao tratamento é o de sobrepor os preconceitos e estigmas com o qual são submetidos os dependentes químicos e familiares. Através da prática crítica, investigativa e da capacidade de decifrar a realidade, o profissional poderá contribuir para a transformação desta condição de sofrimento por parte dos adolescentes usuários de drogas e desenvolver estratégias para um agir profissional competente e comprometido com esta população usuária, em particular as classes populares.
Espera-se que o tema em tese não finalize aqui, que o mesmo sirva de canal para novos estudos no campo da dependência química, apoiados como de outros profissionais por meio de um trabalho multidisciplinar, desenvolvendo estratégias para bloquear a ação das drogas na adolescência, não esquecendo, além disso, da importância da influência familiar, que é uma área com grande carência e que demanda um olhar diferenciado por parte da sociedade, principalmente no que fere ao resgate do adolescente usuário de drogas.

 

As hipóteses construídas a partir do objetivo geral deste trabalho foram de que os adolescentes utilizam drogas, devido a questões particulares, são em sua grande maioria de classes menos favorecidas e necessitam de atenção familiar e de orientação especializada.

 

Bibliografia

 

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