{"id":1883,"date":"2017-12-21T13:41:02","date_gmt":"2017-12-21T16:41:02","guid":{"rendered":"http:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/?p=1883"},"modified":"2017-12-21T13:41:02","modified_gmt":"2017-12-21T16:41:02","slug":"significados-das-praticas-corporais-no-tratamento-da-dependencia-quimica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/2017\/12\/significados-das-praticas-corporais-no-tratamento-da-dependencia-quimica\/","title":{"rendered":"Significados das Pr\u00e1ticas Corporais no Tratamento da Depend\u00eancia Qu\u00edmica."},"content":{"rendered":"<p>Aluna: Sidilene Rodrigues Silva.<\/p>\n<p>Resumo:<br \/>\nO objetivo deste estudo foi analisar as representa\u00e7\u00f5es sociais de mulheres dependentes qu\u00edmicas sobre a contribui\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas corporais em seu processo de recupera\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o na sociedade. Quatorze internas de uma institui\u00e7\u00e3o de tratamento foram entrevistadas e, tamb\u00e9m, observadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o em um programa de pr\u00e1ticas corporais, sistematizadas na forma de jogos e exerc\u00edcios. As falas e pr\u00e1ticas demonstraram contradi\u00e7\u00f5es entre sensa\u00e7\u00f5es, justificativas e perspectivas em rela\u00e7\u00e3o ao uso de seus corpos. Com base nos resultados, se buscou compreender como as condi\u00e7\u00f5es sociais de vida medeiam o modo pelo qual essas mulheres se organizam em benef\u00edcio de sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O uso de drogas \u00e9 influenciado por m\u00faltiplos aspectos, sendo dif\u00edcil prever quais pessoas ou comportamentos desencadear\u00e3o o consumo. Se a complexidade de fatores \u00e9 inerente a essa problem\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 surpresa que sejam necess\u00e1rias diferentes pr\u00e1ticas para se efetivar o tratamento, podendo-se citar, entre elas, a educa\u00e7\u00e3o para o lazer do dependente qu\u00edmico por meio de pr\u00e1ticas corporais recreativas (Gimeno et al., 1998).<br \/>\nSem perder tal perspectiva multidisciplinar, este trabalho explorou, com base nas representa\u00e7\u00f5es sociais, significados presentes na ades\u00e3o de mulheres, em tratamento de depend\u00eancia qu\u00edmica, a um programa de pr\u00e1ticas corporais1, na forma de jogos e gin\u00e1stica. Desta forma, o presente texto traz reflex\u00f5es sobre como as participantes percebem-se em rela\u00e7\u00e3o a esse programa no seu processo de recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nParticularmente, analisa-se o modo como seu imagin\u00e1rio ordena essas percep\u00e7\u00f5es quando o discurso cient\u00edfico e terap\u00eautico sobre as pr\u00e1ticas corporais as justifica, predominantemente, por um vi\u00e9s biol\u00f3gico e funcionalista. No processo de recupera\u00e7\u00e3o, \u00e9 procedimento difundido o consumo de l\u00edquidos associado \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o corporal. H\u00e1 muito tempo sabe-se que o suor \u00e9 um ve\u00edculo para excre\u00e7\u00e3o de drogas e seus catab\u00f3litos (Kidwell, Blanco, Smith, 1997). Assim, o efeito desejado \u00e9 o aumento da transpira\u00e7\u00e3o e conseq\u00fcente excre\u00e7\u00e3o desses produtos por meio do suor.<\/p>\n<p>Aspectos metodol\u00f3gicos<\/p>\n<p>A pesquisa caracterizou-se como pesquisa-participante, uma vez que os pesquisadores n\u00e3o procederam somente \u00e0 descri\u00e7\u00e3o direta das caracter\u00edsticas do fen\u00f4meno, mas tamb\u00e9m interagiram na realidade investigada, na qualidade de atores.<br \/>\nPara tanto, foi necess\u00e1rio o planejamento de atividades em conson\u00e2ncia com o grupo pesquisado. Em termos gerais, a interven\u00e7\u00e3o constituiu-se pela realiza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas corporais como: gin\u00e1stica localizada, gin\u00e1stica aer\u00f3bica, alongamento, jogos de aventura e atividades de recrea\u00e7\u00e3o, por um per\u00edodo de sete meses, numa institui\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o para mulheres, sendo realizadas 55 aulas. A interven\u00e7\u00e3o foi desenvolvida duas vezes por semana, com dura\u00e7\u00e3o de uma hora por encontro.<br \/>\nA popula\u00e7\u00e3o deste estudo foi constitu\u00edda por mulheres com depend\u00eancia qu\u00edmica em recupera\u00e7\u00e3o numa institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica de Maring\u00e1-PR. Oriundas de fam\u00edlias com renda abaixo de quatro sal\u00e1rios-m\u00ednimos, todas eram alfabetizadas, tendo as mais jovens interrompido os estudos (Ensino M\u00e9dio e, no caso de uma, Ensino Superior) em decorr\u00eancia do consumo de drogas. Quanto \u00e0s drogas ingeridas pelas mulheres, foram identificadas, em ordem decrescente: \u00e1lcool, coca\u00edna, maconha, com casos de associa\u00e7\u00e3o das tr\u00eas. Outras drogas tamb\u00e9m citadas, em menor recorr\u00eancia, foram: tabaco, hero\u00edna, ecstasy, quinino e cafe\u00edna. Ao todo, participaram 14 mulheres, com idade entre 19 e 51 anos, todas em fase de recupera\u00e7\u00e3o e internas. Elas consentiram em participar do estudo, sendo garantido o anonimato das informantes (aqui numeradas de 1 a 14). A pesquisa foi aprovada pelo Comit\u00ea de \u00c9tica da Universidade Estadual de Maring\u00e1 &#8211; UEM (parecer n.219\/2004).<\/p>\n<p>Al\u00e9m das observa\u00e7\u00f5es diretas, foram realizadas entrevistas estruturadas em dois momentos do trabalho. O primeiro momento diagn\u00f3stico foi realizado com o objetivo de identificar o grupo amostral, as causas que o levaram \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de drogas e os tipos de drogas consumidas.<br \/>\nResultados e discuss\u00e3o:<\/p>\n<p>Ao discutirem a contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do programa de pr\u00e1ticas corporais orientado por profissional de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, embora diversas facetas fossem lembradas, as mulheres destacaram a vis\u00e3o do esfor\u00e7o como uma forma de aquecer o organismo, levando-o a expelir subst\u00e2ncias qu\u00edmicas pelo processo de sudorese.<br \/>\nO fato de o uso de \u00e1lcool e drogas il\u00edcitas poder ser diagnosticado em amostras de sangue, urina, cabelo, saliva, tecido adiposo, pele, suor e outros tecidos (Behrensdorf &amp; Steentoft, 2003), deve-se \u00e0 presen\u00e7a da pr\u00f3pria droga nesses locais ou de compostos resultantes de seu catabolismo. Embora seja conhecido, h\u00e1 muito tempo, que as drogas podem ser excretadas pelo suor, n\u00e3o existem relatos de trabalhos que tenham quantificado a a\u00e7\u00e3o da atividade f\u00edsica na recupera\u00e7\u00e3o de dependentes qu\u00edmicos em fun\u00e7\u00e3o da maior elimina\u00e7\u00e3o da droga pela sudorese.<\/p>\n<p>Os v\u00e1rios mecanismos pelos quais as drogas podem ser secretadas no suor incluem a difus\u00e3o passiva da droga do sangue para as gl\u00e2ndulas sudor\u00edparas e a migra\u00e7\u00e3o transd\u00e9rmica<br \/>\nda droga atrav\u00e9s da pele (Follador et al., 2004; Huestis et al., 1999).<br \/>\nA concentra\u00e7\u00e3o das drogas no suor varia com uma s\u00e9rie de fatores, dentre eles a concentra\u00e7\u00e3o da droga no sangue e a intensidade da transpira\u00e7\u00e3o (Huestis et al., 1999). Considerando a difus\u00e3o passiva da droga da corrente sangu\u00ednea para o suor, a pr\u00e1tica da atividade f\u00edsica, como parte do processo terap\u00eautico, levaria ao aumento do fluxo sangu\u00edneo e da transpira\u00e7\u00e3o, aumentando esta via de excre\u00e7\u00e3o da droga e seus catab\u00f3litos.<\/p>\n<p>Quando questionadas sobre a origem desse saber, as internas revelaram que se trata de um conceito adquirido do discurso biom\u00e9dico, difundido em revistas ou nas casas de tratamento. Na verdade, parece ser uma informa\u00e7\u00e3o presente em v\u00e1rios ambientes.<br \/>\nSurpreende, por\u00e9m, observar que o l\u00f3cus desse aprendizado te\u00f3rico tem sido mais os ambientes escolares, destacando-se as aulas de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica sobre sa\u00fade. O senso comum criado sobre o esporte n\u00e3o ser droga e, portanto, contribuir para a aquisi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e manter a juventude longe dos v\u00edcios, vem colocando as aulas de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica \u00e0 frente das campanhas escolares de preven\u00e7\u00e3o ao uso de subst\u00e2ncias psicoativas. Pelas informa\u00e7\u00f5es veiculadas, os conte\u00fados da cultura corporal acabam sendo reduzidos a fun\u00e7\u00f5es sociais ou fisiol\u00f3gicas.<br \/>\nEmbora n\u00e3o seja conclusiva, a rela\u00e7\u00e3o entre jogos de vertigem e drogas \u00e9 sugestiva e revela ambig\u00fcidades, pois parece tanto contribuir para o ingresso quanto para a &#8216;suspens\u00e3o&#8217; do consumo de entorpecentes. Para Caillois (1994), as drogas seriam a corrup\u00e7\u00e3o (exagero) da vertigem (ilinx), que \u00e9 um impulso prim\u00e1rio da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>De fato, tanto o uso de drogas quanto a pr\u00e1tica de esportes radicais produzem sensa\u00e7\u00f5es de vertigem (representada como emo\u00e7\u00e3o, adrenalina). A adrenalina &#8220;vicia&#8221;, fazendo com que o sujeito busque, cada vez mais, a repeti\u00e7\u00e3o da atividade que leva \u00e0 sua libera\u00e7\u00e3o. Ademais, h\u00e1 as endorfinas, que s\u00e3o analg\u00e9sicos naturais que entram em cena logo ap\u00f3s a adrenalina, como uma resposta a esse horm\u00f4nio, causando uma sensa\u00e7\u00e3o muito agrad\u00e1vel de entorpecimento e bem-estar e cessando as dores. Para Gimeno et al. (1998), os jovens em tratamento estudados por eles buscavam trocar a depend\u00eancia qu\u00edmica por uma vertigem natural e socialmente aceita (circo, caiaque, rapel).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise de Caillois (1994) enriquece essa compreens\u00e3o ao demonstrar que o alcoolismo e o consumo de drogas s\u00e3o, em tese, um transbordamento do l\u00fadico reprimido no cotidiano. O autor considera que a vida civilizada em sociedade, como existe hoje, exigiu a marginaliza\u00e7\u00e3o da vertigem, que acabou resistindo em formas degradadas e dilu\u00eddas. A intensifica\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o da produtividade capitalista, exigindo um corpo que atendesse ao ritmo das novas tecnologias, e o gosto pela velocidade, que tomou conta do homem moderno s\u00e3o, conforme Caillois (1994), sobreviv\u00eancias da vertigem no cotidiano.<br \/>\nLogo, o frenesi na forma como a sociedade produz e se reproduz \u00e9 obst\u00e1culo fundamental para se conseguir viver sem consumir drogas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que as institui\u00e7\u00f5es de tratamento precisam localizar-se em \u00e1reas naturais ou rurais, impondo um outro ritmo e uma concep\u00e7\u00e3o menos linear de tempo, para que consigam obter avan\u00e7os na recupera\u00e7\u00e3o do dependente qu\u00edmico. Embora, quimicamente, o organismo dessas pessoas v\u00e1 sempre sentir os efeitos da abstin\u00eancia das drogas, uma iniciativa no per\u00edodo p\u00f3s-alta, que parece contribuir com o tratamento e enfrentamento do cotidiano, seria poder optar por uma rela\u00e7\u00e3o menos compulsiva com o tempo social e a devolu\u00e7\u00e3o da vertigem ao seu verdadeiro l\u00f3cus, o l\u00fadico (da\u00ed os jogos de aventura).<\/p>\n<p>Feita essa reflex\u00e3o, vale retomar o contexto do estudo, questionando sobre como a interven\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica pode vir a somar-se com outras iniciativas para uma pol\u00edtica de fortalecimento do dependente qu\u00edmico na sociedade. \u00c9 importante lembrar que as pr\u00e1ticas corporais foram admitidas na institui\u00e7\u00e3o por se acreditar na sua complementaridade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao trabalho terap\u00eautico, pois a dire\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o acredita na recupera\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo em tr\u00eas n\u00edveis: f\u00edsico, mental e espiritual. Logo, foram pensadas numa perspectiva de atividade f\u00edsica e recrea\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante o limite dessa vis\u00e3o (idealista) de sa\u00fade, tal contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se restringiria somente ao tratamento, mas perduraria por toda a vida, quando as mulheres, ao sa\u00edrem da recupera\u00e7\u00e3o, continuariam envolvidas com pr\u00e1ticas corporais significativas em seu tempo livre.<\/p>\n<p>Sem desejar refor\u00e7ar uma postura compensat\u00f3ria ou utilitarista, percebe-se que, considerando a realidade estudada, as pr\u00e1ticas corporais de lazer proporcionaram sensa\u00e7\u00f5es de prazer \u00e0s mulheres que delas participaram. Essas &#8216;novas&#8217; fontes de satisfa\u00e7\u00e3o podem contribuir para que se opere a substitui\u00e7\u00e3o da recompensa percebida ao se consumirem subst\u00e2ncias qu\u00edmicas. O corpo deixa de ser espa\u00e7o de perdas (de subst\u00e2ncias) para se transformar em um territ\u00f3rio de produ\u00e7\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. Sua viv\u00eancia n\u00e3o \u00e9 atrelada a uma fun\u00e7\u00e3o social, mas come\u00e7aria a apresentar-se mais autodeterminada pelo sujeito da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, indagamos sobre as perspectivas das internas. As respostas mais freq\u00fcentes foram: reconstituir fam\u00edlia, estudar, ajudar outros dependentes qu\u00edmicos, buscar sucesso profissional e ter pr\u00e1tica corporal regular.<br \/>\nMesmo que soe previs\u00edvel a predile\u00e7\u00e3o feminina pela gin\u00e1stica localizada, independente de sua condi\u00e7\u00e3o como dependente qu\u00edmica e, como segunda op\u00e7\u00e3o, a caminhada, \u00e9 preciso questionar qual a possibilidade dessas mulheres efetivarem suas inten\u00e7\u00f5es ap\u00f3s o per\u00edodo de tratamento. Por fim, quando essas mulheres se referem \u00e0 busca do equil\u00edbrio, vale recorrer ao questionamento te\u00f3rico dessa vis\u00e3o idealizada de sa\u00fade, pois nem sempre as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para esse equil\u00edbrio est\u00e3o dispon\u00edveis. Como salienta Carvalho (2001, p. 14) &#8220;tem sa\u00fade quem tem condi\u00e7\u00f5es de optar na vida&#8221;. Estariam imbricados n\u00e3o somente o suposto equil\u00edbrio f\u00edsico-mental-espiritual (at\u00e9 porque \u00e9 necess\u00e1rio desequilibrar-se para se equilibrar), mas possibilidades relativas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida tanto em sua totalidade, quanto no acesso ao lazer, trabalho, cuidados \u00e0 sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, essas pol\u00edticas parecem n\u00e3o produzir efeito na sociedade brasileira, cuja velocidade compulsiva tem servido a um modelo de desenvolvimento desigual.<br \/>\nConsidera\u00e7\u00f5es :<br \/>\nAlgumas limita\u00e7\u00f5es podem ser citadas para o presente estudo. Como limitante podemos destacar o fato de que as entrevistas foram realizadas no espa\u00e7o f\u00edsico da institui\u00e7\u00e3o e, mesmo garantindo o anonimato absoluto, isso pode ter interferido nas falas das participantes, que podem ter se sentido vulner\u00e1veis e, por isso, omitido ou camuflado sentimentos e emo\u00e7\u00f5es. Embora todas as mulheres internas na institui\u00e7\u00e3o tenham participado do estudo, outro fato a destacar seria o tamanho da amostra que, por ter sido pequeno, costuma ser considerado um fator limitante, n\u00e3o permitindo generaliza\u00e7\u00f5es.4 Tamb\u00e9m foram obtidas informa\u00e7\u00f5es sobre as atividades f\u00edsicas, esportivas, art\u00edsticas e recreativas anteriormente praticadas no tempo livre, e de que forma a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica poderia contribuir para a sa\u00fade do grupo. No segundo momento foram feitas discuss\u00f5es sobre as representa\u00e7\u00f5es das mulheres investigadas acerca de seus corpos e da a\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas corporais realizadas sobre eles.<\/p>\n<p>Ao tomar as representa\u00e7\u00f5es sociais como conhecimento-comum a determinado grupo, assume-se sua constitui\u00e7\u00e3o com base na interpenetra\u00e7\u00e3o entre objetividade e subjetividade. Nesse sentido, salienta Minayo (1998), ao se buscar, na \u00e1rea da sa\u00fade, compreender os significados, tanto de a\u00e7\u00f5es quanto de pensamentos, sentimentos e resist\u00eancias de grupos populacionais, deve-se considerar tanto o discurso quanto a base t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Para Men\u00e9ndez (1998), a medicina praticamente se preocupa com as representa\u00e7\u00f5es e h\u00e1bitos da popula\u00e7\u00e3o quando eles incidem negativamente sobre a sa\u00fade. Todavia, cada &#8220;grupo social, independente de seu n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o formal, gera e utiliza crit\u00e9rios de preven\u00e7\u00e3o frente aos padecimentos que, real ou imaginariamente, afetam sua sa\u00fade na vida cotidiana.<\/p>\n<p>O autor considera fundamental dar-se aten\u00e7\u00e3o \u00e0s representa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es coletivas na efetiva\u00e7\u00e3o de programas de sa\u00fade, mas adverte que, seja no conhecimento comum ou no acad\u00eamico, os conceitos n\u00e3o s\u00e3o neutros estando ligados, conscientemente ou n\u00e3o, a teorias produzidas dentro de um marco referencial espec\u00edfico. Conforme outros marcos te\u00f3ricos usam o mesmo conceito, pode haver discrep\u00e2ncia, antagonismo ou complementaridade. \u00c9 preciso, portanto, ir \u00e0 raiz dos entendimentos, evitando tomar como evidentes os significados do discurso.<\/p>\n<p>Minayo (1999) reitera esse cuidado lembrando que as falas n\u00e3o podem ser tomadas como express\u00e3o pura da verdade, sob o risco de se acreditar serem os discursos transparentes, sem contamina\u00e7\u00e3o de interesses, falhas de mem\u00f3ria e a\u00e7\u00e3o da ideologia.<\/p>\n<p>Logo, as representa\u00e7\u00f5es de qualquer pessoa investigada podem corresponder ao oposto do que est\u00e1 sendo relatado. Por isso, a observa\u00e7\u00e3o participante foi fundamental para conferir outras falas, gestos e a\u00e7\u00f5es gerados espontaneamente (ou n\u00e3o) durante o cotidiano da institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo caso deste estudo, evidenciaram-se m\u00faltiplas representa\u00e7\u00f5es coletivas pass\u00edveis de significar a cultura corporal sistematizada num grupo de mulheres dependentes qu\u00edmicas. Primeiro, destacou-se a considera\u00e7\u00e3o dessas mulheres sobre o exerc\u00edcio como meio de aumentar a sudorese, isto \u00e9, o transporte de subst\u00e2ncias indesej\u00e1veis para fora do organismo. Nessa representa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 coer\u00eancia com discursos presentes na Medicina e na Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. V\u00eaem-se indissoci\u00e1veis: os valores morais, cujo ascetismo apregoa o esfor\u00e7o f\u00edsico como um sacrif\u00edcio para se adquirir mais autocontrole; a vis\u00e3o biom\u00e9dica de &#8216;equil\u00edbrio e desequil\u00edbrio&#8217;, para a qual o funcionamento saud\u00e1vel do corpo depende do equil\u00edbrio harm\u00f4nico de certos componentes dentro do corpo. A depend\u00eancia seria decorr\u00eancia da car\u00eancia ou excesso de certas subst\u00e2ncias no corpo, havendo necessidade de<br \/>\nse expelirem os catab\u00f3litos da droga.Finalmente, em menor grau, as pr\u00e1ticas corporais, como modo de lazer, foram referidas, pelas internas, como positivas ao processo geral de recupera\u00e7\u00e3o, influenciando no controle de condi\u00e7\u00f5es particulares (como controle do estresse e da ansiedade, sociabilidade, qualidade e quantidade de sono). Para o dependente qu\u00edmico, essas car\u00eancias s\u00e3o iguais ou mais importantes, pois a abstin\u00eancia da droga desencadeia diversos sintomas, tornando necess\u00e1ria a ocupa\u00e7\u00e3o do tempo com atividades.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o mero uso profil\u00e1tico das atividades, sem direcion\u00e1-las para o desenvolvimento das internas, desqualifica o papel pedag\u00f3gico do profissional de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Nesse sentido, h\u00e1 de se pensar nesses conte\u00fados f\u00edsico-esportivos como uma dupla educa\u00e7\u00e3o para a vida.<br \/>\nEm complemento, \u00e9 necess\u00e1ria uma pol\u00edtica p\u00fablica que organize esses aspectos ao longo do per\u00edodo de inser\u00e7\u00e3o do dependente qu\u00edmico na sociedade. Para tanto, urge identificar como cada coletividade cria estrat\u00e9gias para dar continuidade as suas experi\u00eancias corporais na fase p\u00f3s-interna\u00e7\u00e3o, considerando a intera\u00e7\u00e3o destas com o atendimento \u00e0s outras condi\u00e7\u00f5es de vida e seus limites numa sociedade j\u00e1 narcotizante em sua ess\u00eancia. A prop\u00f3sito, formar pessoas para autonomia, de modo que sejam capazes de escolher dentro das possibilidades existentes e, concomitantemente, lutar pela sua amplia\u00e7\u00e3o, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o primeira quando se destaca a dimens\u00e3o pol\u00edtico-pedag\u00f3gica da interven\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Cokaboradores:<br \/>\nOs autores Giuliano Gomes de Assis Pimentel, Edna Regina Netto de Oliveira e Aparecida Paulina Pastor participaram, igualmente, da elabora\u00e7\u00e3o do artigo, de sua discuss\u00e3o e reda\u00e7\u00e3o. Giuliano Gomes de Assis Pimentel e Edna Regina Netto de Oliveira tamb\u00e9m participaram da revis\u00e3o do texto.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>BEHRENSDORFF, I.; STEENTOFT, A. Medical and illegal drugs among Danish car drivers. Accid. Anal. Prevent., v.35, p.851-60, 2003.<br \/>\nCAILLOIS, R. Los juegos y los hombres: la m\u00e1scara y el v\u00e9rtigo. M\u00e9xico: Fundo de Cultura Econ\u00f3mica, 1994.<br \/>\nCARVALHO, Y.M. Atividade f\u00edsica e sa\u00fade: onde est\u00e1 e quem \u00e9 o &#8220;sujeito&#8221; da rela\u00e7\u00e3o? Rev. Bras. Ci\u00eanc. Esp., v.22, n.2, p.9-22, 2001.<br \/>\nFOLLADOR, M.J.D. et al. Detection of cocaine and cocaethylene in sweat by solid-phase microextraction and gas chromatography\/mass spectrometry. J. Chromatogr. B, v.811, p.37-40, 2004.<br \/>\nGIMENO, J.M.R. et al. La prevenci\u00f3n de drogodependencias mediante actividades cooperativas de riesgo y aventura. Apunts, n.59, p.46-54, 1998.<br \/>\nHELMAN, C.G. Cultura, sa\u00fade e doen\u00e7a. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.<br \/>\nHUESTIS, M.A. et al. Sweat testing for cocaine, codeine and metabolites by gas chromatography-mass spectrometry. J. Chromatogr. B, v.733, p.247-64, 1999.<br \/>\nKERR-CORR\u00caA, F. et al. A import\u00e2ncia da gravidade da depend\u00eancia e do g\u00eanero para a evolu\u00e7\u00e4o de dependentes de drogas. Medicina (Ribeir\u00e3o Preto), v.32, supl.1, p.36-45, 1999.<br \/>\nKIDWELL, D.A.; BLANCO, M.A.; SMITH, F.P. Cocaine detection in a university population by hair analisis and skin swab testing. Forensic Sci. Int., v.84, p.75-86, 1997.<br \/>\nMEN\u00c9NDEZ, E.L. Antropologia m\u00e9dica e epidemiologia. Processo de converg\u00eancia ou processo .<br \/>\n6 MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento. 6.ed. S\u00e3o Paulo: Hucitec, 1999.<\/p>\n<p>__. Constru\u00e7\u00e3o da identidade da antropologia na \u00e1rea da sa\u00fade: o caso brasileiro. In: ALVES, P.C.; RABELO, M.C. (Orgs.). Antropologia da sa\u00fade: tra\u00e7ando identidade e explorando fronteiras. Rio de Janeiro: Relem\u00e9 Dumar\u00e1, 1998. p.29-46.<\/p>\n<p>OLIVEIRA, J.F.; PAIVA, M.S.; VALENTE, C.L.M. Representa\u00e7\u00f5es sociais de profissionais de sa\u00fade sobre o consumo de drogas: um olhar numa perspectiva de g\u00eanero. Ci\u00eanc. Sa\u00fade Coletiva, v.11, p.473-81, 2006.<\/p>\n<p>PITANGA, F. J.G.; LESSA, I. Preval\u00eancia e fatores associados ao sedentarismo no lazer em adultos. Cad. Sa\u00fade P\u00fablica, v.21, n.3, p.870-7, 2005.<\/p>\n<p>SCIVOLETTO, S. et al. Rela\u00e7\u00e3o entre consumo de drogas e comportamento sexual de estudantes de 2\u00ba grau de S\u00e3o Paulo. Rev. Bras. Psiquiatr., v.21, n.2, p.87-94, 1999.<\/p>\n<p>SHER, L. Role of endogenous opioids in the effects on light on mood and behavior. Med. Hypoth., v.57, n.5, p.609-11, 2001.<\/p>\n<p>Fonte: www.Scielo.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aluna: Sidilene Rodrigues Silva. 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