{"id":2404,"date":"2018-05-14T15:37:42","date_gmt":"2018-05-14T18:37:42","guid":{"rendered":"http:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/?p=2404"},"modified":"2018-05-14T15:37:42","modified_gmt":"2018-05-14T18:37:42","slug":"patologia-dual-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/2018\/05\/patologia-dual-2\/","title":{"rendered":"Patologia Dual"},"content":{"rendered":"<p>aluno:\u00a0M\u00e1rcio Souza da Silva<\/p>\n<ol>\n<li><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O termo data da d\u00e9cada de 1970, mas continua pouco conhecido. Designa os doentes que sofrem simultaneamente de doen\u00e7a psiqui\u00e1trica e adictiva. Para combater o estigma e melhorar as suas condi\u00e7\u00f5es de tratamento e de vida, em 2009 foi criada a Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Patologia Dual.<\/p>\n<p>A AAPD foi criada em 2009, em Coimbra e desde ent\u00e3o tem vindo a intervir na sensibiliza\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o, com o objetivo de combater o estigma e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de tratamento e de vida da popula\u00e7\u00e3o que sofre simultaneamente de doen\u00e7a adictiva e mental.<\/p>\n<p>Em 2009 fizeram um protocolo de colabora\u00e7\u00e3o com a Sociedade Espanhola de Patologia Dual (SEPD), em 2013 com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria (ABP), e integramos como membro de pleno direito na Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psiquiatria (WPA).<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>O QUE \u00c9 PATOLOGIA DUAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Trata-se da exist\u00eancia de uma alta preval\u00eancia de comorbidade em depend\u00eancia qu\u00edmica e doen\u00e7as mentais. T\u00e3o significativa \u00e9 esta associa\u00e7\u00e3o, que ela passa a se comportar epidemiologicamente como uma entidade cl\u00ednica e por isso foi denominada \u201cPatologia Dual\u201d.<\/p>\n<p>A designa\u00e7\u00e3o nasceu do fato de existirem concomitantemente no mesmo doente, uma patologia psiqui\u00e1trica e uma patologia aditiva (\u00e1lcool, drogas ou outras).<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m escolhe ter uma adic\u00e7\u00e3o e esta n\u00e3o se desenvolve em pessoas entregues ao prazer, ao v\u00edcio ou com \u201cdebilidades de car\u00e1cter\u201d.<\/p>\n<p>Patologia Dual \u00e9 o termo que define a soma de duas doen\u00e7as, uma psiqui\u00e1trica e uma de depend\u00eancia (seja de \u00e1lcool, drogas ou de outro tipo) em um s\u00f3 paciente. A exist\u00eancia de duas comorbidades agrava a situa\u00e7\u00e3o do paciente dificultando seu tratamento e reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>PARADIGMAS DE INVESTIGA\u00c7\u00c3O EM ADI\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>As diversas disciplinas t\u00eam tentado conceptualizar a depend\u00eancia de subst\u00e2ncias atrav\u00e9s de dois paradigmas fundamentais.<\/p>\n<ul>\n<li>Paradigma centrado na subst\u00e2ncia (modelo de exposi\u00e7\u00e3o)<\/li>\n<li>Paradigma centrado na vulnerabilidade individual<\/li>\n<li><strong>PARADIGMA CENTRADO NA SUBST\u00c2NCIA<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>O paradigma centrado na subst\u00e2ncia foi usado para explicar o desenvolvimento de adi\u00e7\u00e3o e fundamentou os m\u00faltiplos planos e interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas nesta \u00e1rea at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo. De acordo com esse paradigma todas as altera\u00e7\u00f5es apresentadas pelo indiv\u00edduo doente, resultam do efeito das subst\u00e2ncias no c\u00e9rebro (modelo de exposi\u00e7\u00e3o) da\u00ed que o primeiro objetivo de todas as interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas seja a abstin\u00eancia completa do uso de subst\u00e2ncia a que o indiv\u00edduo \u00e9 adicto, presumindo-se que a paragem do consumo da(s) subst\u00e2ncia(s) leva a que o doente recupere a sa\u00fade o bem estar, o equil\u00edbrio, bem como a capacidade de gerir a sua vida<\/p>\n<ul>\n<li><strong>PARADIGMA CENTRADO NA VULNERABILIDADE INDIVIDUAL<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>De acordo com este, a adi\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma perturba\u00e7\u00e3o do comportamento que ocorreu num fen\u00f3tipo vulner\u00e1vel, no qual existe uma predisposi\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca que determina a neuroplasticidade induzida pelas subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>De acordo com esta teoria s\u00e3o considerados 3 n\u00edveis de vulnerabilidade:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Primeiro N\u00edvel:<\/strong> Vulnerabilidade sociocultural e sociodemogr\u00e1fica<\/li>\n<li><strong>Segundo N\u00edvel:<\/strong> Vulnerabilidade psicol\u00f3gica e psiqui\u00e1trica<\/li>\n<li><strong>Terceiro N\u00edvel:<\/strong> Vulnerabilidade biol\u00f3gica e gen\u00e9tica<\/li>\n<\/ul>\n<p>No primeiro n\u00edvel t\u00eam-se estudado as vari\u00e1veis que caracterizam a popula\u00e7\u00e3o em geral (localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e aspectos socioculturais) e as que caracterizam os indiv\u00edduos de uma determinada popula\u00e7\u00e3o (idade, sexo, ra\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o, estado civil). No segundo n\u00edvel t\u00eam se estudado vari\u00e1veis relacionadas com prefer\u00eancias, experi\u00eancias ou problemas do indiv\u00edduo, a exist\u00eancia de patologia psiqui\u00e1trica e a personalidade. No terceiro n\u00edvel s\u00e3o estudados os efeitos das subst\u00e2ncias no indiv\u00edduo e a sua val\u00eancia aditiva, bem como os aspectos gen\u00e9tico familiares.<\/p>\n<p>Assim sendo, podemos entender o adoecer com patologia aditiva, tendo em conta todos os fatores que podem influenciar o indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>\u00c9 esta a diferen\u00e7a entre os servi\u00e7os de tratamentos de adi\u00e7\u00f5es e os servi\u00e7os de Patologia Dual. No primeiro, o objetivo \u00e9 parar os consumos e promover a abstin\u00eancia, enquanto no segundo, o objetivo \u00e9 melhorar o doente, tratar as doen\u00e7as e reduzir os consumos at\u00e9 se conseguir a abstin\u00eancia.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>DIFICULDADES E DESAFIOS DO DOENTE DUAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li><strong>DIFICULDADES<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Uma das primeiras dificuldades come\u00e7a logo no diagn\u00f3stico psiqui\u00e1trico e psicol\u00f3gico, bem como na defini\u00e7\u00e3o das vulnerabilidades presentes. O diagn\u00f3stico da doen\u00e7a metal grave no doente adicto \u00e9 geralmente tardio. Sabemos que, em muitas doen\u00e7as mentais graves as manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas surgem preferencialmente no final da adolesc\u00eancia e in\u00edcio da idade adulta. Por outro lado, os efeitos das subst\u00e2ncias mimetizam muitos sintomas de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas. Assim, frequentemente o doente, os amigos, a fam\u00edlia e os pr\u00f3prios m\u00e9dicos e outros t\u00e9cnicos de sa\u00fade interpretam estes sintomas como efeitos das substancias, desvalorizando-os e atrasando o envio a consultas de especialidade e o inicio do tratamento.<\/p>\n<p>Os sistemas de classifica\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica em uso (CID-9-MC, DSM-IV) n\u00e3o ajudam no diagn\u00f3stico, uma vez que apenas permitem um classifica\u00e7\u00e3o categorial, n\u00e3o tendo um capitulo onde seja poss\u00edvel diagnosticar a presen\u00e7a concomitante de doen\u00e7a menta e adi\u00e7\u00e3o. A recente CID-10 continua a n\u00e3o trazer respostas efetivas e eficazes para o diagn\u00f3stico correto e preciso destas perturba\u00e7\u00f5es. Seria importante que fosse poss\u00edvel fazer o diagn\u00f3stico de esquizofrenia e de outras doen\u00e7as mentais com ou sem adi\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>DESAFIOS<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Os desafios que estes doentes levantam as equipes terap\u00eauticas s\u00e3o m\u00faltiplos e complexos. Podemos tentar sistematiza-los em desafios para motivar o doente e a fam\u00edlia, tratar eficazmente e recuperar.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>MOTIVAR O DOENTE E A FAM\u00cdLIA<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Geralmente os doentes e a fam\u00edlia , quando chegam aos servi\u00e7os de Patologia Dual j\u00e1 passaram por m\u00faltiplas tentativas de tratamento em diversos servi\u00e7os, quer p\u00fablicos quer privados, incluindo v\u00e1rias comunidades terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>A falta de sucesso nestes tratamentos e o longo percurso originam quer no doente, quer na fam\u00edlia, sentimentos de desesperan\u00e7a, des\u00e2nimo, sentimentos de que nada vale a pena, de que o doente n\u00e3o presta e n\u00e3o tem for\u00e7a de vontade. Tanto o doente como a fam\u00edlia apresentam sentimentos de culpa e de inefic\u00e1cia pessoal, sendo dif\u00edcil de motivar e entusiasmar por mais um projeto terap\u00eautico. A exaust\u00e3o acompanha-se de inani\u00e7\u00e3o, falta de empenho e desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>Na primeira consulta \u00e9 fundamental fazer uma hist\u00f3ria detalhada com o doente e a fam\u00edlia, por forma a perceber o percurso, as tentativas de tratamento, os sucessos e fracassos, o grau de exaust\u00e3o do doente e fam\u00edlia, a presen\u00e7a de psicopatologia do doente e tamb\u00e9m (com frequ\u00eancia) da fam\u00edlia (nomeadamente perturba\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o, perturba\u00e7\u00f5es depressivas). Durante a consulta t\u00eam de se esclarecer a mudan\u00e7a no paradigma, nomeadamente que o objetivo do tratamento n\u00e3o estar\u00e1 centrado unicamente na abstin\u00eancia do consumo de substancias, mas no tratamento global do doente, da psicopatologia, na recupera\u00e7\u00e3o integral e reinser\u00e7\u00e3o no seu meio social. Quanto aos consumos o objetivo final ser\u00e1 geralmente a abstin\u00eancia, mas poder\u00e1 haver m\u00faltiplas etapas intermedi\u00e1rias at\u00e9 o atingir. Trata-se de um processo longo, complexo, com avan\u00e7os e recuos, de (re)constru\u00e7\u00e3o da personalidade, autoestima e autoconfian\u00e7a, desenvolvimento de capacidades e compet\u00eancias. Nesse processo, o doente e a fam\u00edlia t\u00eam de perceber que a equipe estar\u00e1 sempre l\u00e1 para apoi\u00e1-los, esclarecer suas\u00a0 duvidas, reavaliar e reformular o plano terap\u00eautico.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>TRATAR EFICAZMENTE<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Os doentes com adi\u00e7\u00e3o grave e Patologia Dual, apresentam frequentemente situa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e ps\u00edquica grave e complexa. \u00c9 muito frequente a multipatologia, afetando m\u00faltiplos sistemas. Al\u00e9m da adi\u00e7\u00e3o e psicopatologia (patologia afetiva, psicoses, perturba\u00e7\u00e3o de personalidade, perturba\u00e7\u00e3o de hiperatividade e d\u00e9ficit de adi\u00e7\u00e3o, perturba\u00e7\u00e3o de ansiedade, perturba\u00e7\u00e3o obsessiva compulsiva) os doentes trazem patologia gastrointestinal (esofagites, gastrites, ulceras), hep\u00e1tica (insufici\u00eancia hep\u00e1tica, cirrose), neurol\u00f3gica (neuropatia perif\u00e9rica, epilepsia), end\u00f3crina (diabetes), infecciosa (hepatites B e C, SIDA, infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias), entre outras. Esta situa\u00e7\u00e3o faz com que o doente apresente grande fragilidade. Com frequ\u00eancia estes doentes apresentam situa\u00e7\u00f5es que constituem risco de vida (<em>delirium tremens<\/em>, encefalopatia hepatot\u00f3xica, depress\u00e3o respirat\u00f3ria). O cl\u00ednico e a equipe t\u00eam de estar muito atentos ao doente global, manuseando com grande cuidado e aten\u00e7\u00e3o todas as vari\u00e1veis em causa.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>RECUPERAR<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o destes doentes \u00e9 lenta e complexa. Para que esta possa ter sucesso, \u00e9 fundamental o acompanhamento por um equipe multidisciplinar atuando de forma integrada, articulada e complementar. Este acompanhamento tem de ser continuado ao longo do tempo, em ambulat\u00f3rio, em articula\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia, no meio social e laboral, por forma a permitir a integra\u00e7\u00e3o progressiva.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>REINSERIR<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que o doente consiga a reinser\u00e7\u00e3o plena na fam\u00edlia e nos meios social e laboral. Quando atingir-se esta fase do tratamento, o doente recebe alta da unidade, sendo referenciado para os cuidados prim\u00e1rios de sa\u00fade. Contudo, a equipe deve manter a disponibilidade para voltar a intervir sempre que necess\u00e1rio. Muitos doentes n\u00e3o conseguem atingir essa fase do tratamento, pois t\u00eam debilidade mental de base e\/ou deterioram muito jovens.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>TRATAMENTO DO DOENTE ADICTO E COM PATOLOGIA DUAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Tratar o doente com adi\u00e7\u00e3o grave e Patologia Dual \u00e9 um processo complexo e continuado, que exige um equipe multidisciplinar treinada e com m\u00faltiplas compet\u00eancias, capaz de adequar o projeto terap\u00eautico as necessidades do doente.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>FASES DO TRATAMENTO<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<ol>\n<li>Fase de compensa\u00e7\u00e3o aguda<\/li>\n<li>Fase de recupera\u00e7\u00e3o precoce<\/li>\n<li>Fase de recupera\u00e7\u00e3o continuada<\/li>\n<li>Reca\u00edda<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>5.1 a) FASE DE COMPENSA\u00c7\u00c3O AGUDA<\/strong><\/p>\n<p>A fase de compensa\u00e7\u00e3o aguda desenvolve-se quando o doente apresenta descompensa\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica e\/ou consumos de subst\u00e2ncias ativas. Nesta fase faz-se a preven\u00e7\u00e3o e o tratamento das s\u00edndromes de priva\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias, preven\u00e7\u00e3o e tratamento de agita\u00e7\u00e3o psicomotora, agressividade, viol\u00eancia, tratamento da psicopatologia ativa, nomeadamente patologia afetiva (depress\u00e3o, manias, estados mistos), psicoses, perturba\u00e7\u00e3o de hiperatividade e d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o do adulto (PHDA), dentre outras. Habitualmente era desenvolvida em internamento, podendo durar de duas a seis semanas, a maior parte das vezes em cerca de tr\u00eas a quatro semanas. No entanto, mais recentemente, com a utiliza\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica opi\u00f3ide e outras respostas psicofarmacol\u00f3gicas, havendo bom suporte familiar ou institucional, tem-se privilegiado o tratamento dos doentes em hospital de dia ou em ambulat\u00f3rio. Pra isso se exige uma equipe com disponibilidade de atendimento semanal ao doente, bem como, contato telef\u00f3nico di\u00e1rio para esclarecimento de d\u00favidas ou reavalia\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>b) FASE DE RECUPERA\u00c7\u00c3O PRECOCE<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>A fase de recupera\u00e7\u00e3o precoce segue-se a fase de tratamento agudo. Tem por objetivo recuperar o equil\u00edbrio do doente do ponto de vista psiqui\u00e1trico, ps\u00edquico, cognitivo e f\u00edsico. Dura cerca de seis meses a um ano e desenvolve-se em hospital de dia ou em ambulat\u00f3rio. Nesta fase \u00e9 necess\u00e1rio definir com o doente e a fam\u00edlia o plano terap\u00eautico e o projeto de vida.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>c) FASE DE RECUPERA\u00c7\u00c3O CONTINUADA<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Ap\u00f3s a fase inicial de recupera\u00e7\u00e3o o doente, estando estabilizado do ponto de vista ps\u00edquico, familiar, social e laboral, h\u00e1 que manter o acompanhamento do doente, por forma a detectar precocemente sinais de risco de reca\u00edda ou de descompensa\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica, intervindo o mais precocemente poss\u00edvel. Nesta fase, que ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o muito vari\u00e1vel, consoante \u00e0s limita\u00e7\u00f5es e progn\u00f3stico do doente, dever\u00e1 manter consulta semestral, facilidade de contato com a equipe, bem como as interven\u00e7\u00f5es farmacol\u00f3gicas, psicol\u00f3gicas e psicoterap\u00eauticas necess\u00e1rias \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da estabilidade do doente.<\/p>\n<p>Esta fase pode ser acompanhada pelo ambulat\u00f3rio da unidade, pelo m\u00e9dico da fam\u00edlia, ou por estruturas de interven\u00e7\u00e3o comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>5.1 d) RECA\u00cdDA<\/strong><\/p>\n<p>A reca\u00edda \u00e9 entendida como um per\u00edodo de \u201ccrise\u201d da doen\u00e7a cr\u00f3nica de adi\u00e7\u00e3o, tal como pode acontecer em qualquer outra patologia (exemplo: esquizofrenia, doen\u00e7as afetivas, diabetes, \u00falcera g\u00e1strica, etc). A descompensa\u00e7\u00e3o pode acontecer por reca\u00edda no consumo de subst\u00e2ncias, por agravamento do quadro psicopatol\u00f3gico ou por ambas. \u00c9 fundamental que a fam\u00edlia, os cuidadores e o pr\u00f3prio doente, percebam os sinais de risco de agravamento o mais precocemente poss\u00edvel, recorrendo de imediato \u00e0 consulta da equipe que o segue. Deve ser feita a avalia\u00e7\u00e3o com o doente e a fam\u00edlia, al\u00e9m de entrevista motivacional, reformulando o projeto terap\u00eautico. Se for necess\u00e1rio novo internamento, este dever\u00e1 ser realizado o mais precocemente poss\u00edvel para evitar o agravamento do quadro cl\u00ednico.<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>ESTRUTURAS DE TRATAMENTO EM ADI\u00c7\u00c3O E PATOLOGIA DUAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Existe uma rede de centros para tratamento dos doentes com problemas de depend\u00eancia do \u00e1lcool, outro para doentes com depend\u00eancia de substancias il\u00edcitas e outro de psiquiatria e sa\u00fade mental. Esta situa\u00e7\u00e3o cria dificuldades ao atendimento dos doentes com patologia dual, uma vez que necessitam de respostas integradas e abrangentes, adequadas a sua situa\u00e7\u00e3o clinica.<\/p>\n<p>Ao n\u00edvel dos cuidados de sa\u00fade metal comunit\u00e1ria devem ser desenvolvidos programas de tratamento de doentes com depend\u00eancia leve e moderada e com patologia dual ligeira \u00e0 moderada. Situa\u00e7\u00f5es mais complexas ou com reca\u00eddas sucessivas, devem ser referenciadas para unidades especializadas de psiqui\u00e1tria a n\u00edvel hospitalar. Por sua vez ap\u00f3s estabiliza\u00e7\u00e3o do quadro de descompensa\u00e7\u00e3o aguda, dever\u00e3o os doentes voltar aos servi\u00e7os de sa\u00fade mental comunit\u00e1ria ou cuidados prim\u00e1rios de sa\u00fade, para acompanhamento e vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Todos os n\u00edveis de interven\u00e7\u00e3o t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de avaliar as interven\u00e7\u00f5es, investigar em depend\u00eancias e articular com estruturas e entidades implicadas.<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Como conclus\u00e3o podemos referir que a depend\u00eancia de subst\u00e2ncias \u00e9 uma doen\u00e7a psiqui\u00e1trica cr\u00f3nica, recidiva, como esquizofrenia ou doen\u00e7a bipolar. Adoecer n\u00e3o est\u00e1 dependente da vontade ou falta dela, mas da vulnerabilidade individual e relaciona-se com m\u00faltiplos fatores socioculturais e sociodemogr\u00e1ficos, psicol\u00f3gicos e psiqui\u00e1tricos, biol\u00f3gicos e gen\u00e9ticos. O tratamento do doente com adi\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias e patologia dual tem de ser individualizado e procurando intervir nos fatores de vulnerabilidade do doente. Pode ser dividido em tr\u00eas fases: compensa\u00e7\u00e3o aguda, recupera\u00e7\u00e3o precoce e recupera\u00e7\u00e3o continuada. Finalmente conclui-se que o tratamento do doente deve ser integrado, mobilizando todos os n\u00edveis assistenciais: cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios, unidades de sa\u00fade mental comunit\u00e1ria e unidades especializadas de psiquiatria ao n\u00edvel hospitalar.<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>L\u00f3pez-Mu\u00f1oz F, \u00c1lamo C, Rubio G, Fundamentos y Justificaci\u00f3n de la patologia dual. In Haro G, Bobes J, Casas M, Didia J, Rubio G. Tratado sobre patologia dual &#8211; reintegrando Ia salud mental. Barcelona: mra ediciones, SL; 2012. P21 &#8211; P37<\/li>\n<li>Swendse JD, Merikangas KR. The Comorbidity of depression and substance use disorders. Clin Pychol Ver 2000. 20. 173-189<\/li>\n<li>Stohler R, R\u00fcssIer W. Dual Diagnosis: the evolving conceptual framework Z\u00fcrich. Karger. 2005<\/li>\n<li>Ruggeri M, Leese M, Thornicroft G et al Definition and prevalence of severe and persistent mental illness. BR J Psychiatry 2000; 149-55<\/li>\n<li>Szerman et al. Rethinking Dual Disorders\/Pathology. Addict Their Treatment. 2013; 12 (1): 1 &#8211; 10<\/li>\n<li>Propuesta a la estrat\u00e9gia em salud metal del Sistema Nacional de Salud, Asociaci\u00f3n Espa\u00f1ola de Patolog\u00eda Dual, Congreso Internacional de Patolog\u00eda Dual, 2009<\/li>\n<li>Decreto-Lei N\u00ba 176\/2006, de 30 de agosto 2008<\/li>\n<li>Despacho N\u00ba 3250\/2014, Di\u00e1rio da Rep\u00fablica, 2\u00aa s\u00e9rie &#8211; N\u00ba 41 &#8211; 27 de Fevereiro de 201<\/li>\n<li>saude.rs.gov.br<\/li>\n<li>abp.org.br<\/li>\n<li>patologiadual.pt<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>aluno:\u00a0M\u00e1rcio Souza da Silva INTRODU\u00c7\u00c3O O termo data da d\u00e9cada de 1970, mas continua pouco conhecido. 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