{"id":3007,"date":"2018-11-17T05:12:07","date_gmt":"2018-11-17T08:12:07","guid":{"rendered":"http:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/?p=3007"},"modified":"2018-11-17T05:12:07","modified_gmt":"2018-11-17T08:12:07","slug":"a-importancia-de-mildfulness-no-tratamento-dos-transtornos-mentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/2018\/11\/a-importancia-de-mildfulness-no-tratamento-dos-transtornos-mentais\/","title":{"rendered":"A Import\u00e2ncia de Mildfulness no Tratamento dos Transtornos Mentais"},"content":{"rendered":"<p>Aluna: Simone Gisele Fina &#8211; 15\/10\/2018<\/p>\n<p>\u00cdNDICE<br \/>\n\uf0b7 Resumo &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. 2<br \/>\n\uf0b7 Introdu\u00e7\u00e3o &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. 3<br \/>\n\uf0b7 Mindfulness &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. 4<br \/>\n\uf0b7 Exercitando Mildfulness &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. 7<br \/>\n\uf0b7 Aceita\u00e7\u00e3o &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; 9<br \/>\n\uf0b7 Valida\u00e7\u00e3o &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. 11<br \/>\n\uf0b7 Aceita\u00e7\u00e3o e Valida\u00e7\u00e3o de M\u00e3os Dadas &#8230;&#8230;..15<br \/>\n\uf0b7 Conclus\u00e3o &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. 16<br \/>\n\uf0b7 Bibliografia &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. 17<\/p>\n<p>RESUMO<\/p>\n<p>O presente artigo aborda um conceito com origem nas pr\u00e1ticas meditativas orientais, que passou a fazer parte da medicina comportamental a partir dos programas de redu\u00e7\u00e3o de estresse de Kabat-Zinn. Mindfulness \u00e9 definida como uma forma espec\u00edfica de aten\u00e7\u00e3o plena \u2013 concentra\u00e7\u00e3o no momento atual, intencional, e sem julgamento. Significa estar plenamente em contato com a viv\u00eancia do momento, sem estar absorvido por ela. S\u00f3 durante a d\u00e9cada passada ganhou destaque nas literaturas comportamentais e cognitivas, enquanto anteriormente estava implicitamente presente nas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas destas tradi\u00e7\u00f5es. O artigo apresenta mindfulness da forma em que \u00e9 praticada em diferentes terapias contempor\u00e2neas. Discute-se ainda, as possibilidades terap\u00eauticas que este conceito traz a partir de diferentes perspectivas te\u00f3ricas como tamb\u00e9m traz uma reflex\u00e3o sobre os termos aceita\u00e7\u00e3o, valida\u00e7\u00e3o e mindfulness e sobre como seu uso na literatura da terapia cognitivo-comportamental contempor\u00e2nea esclarece alguns processos importantes na terapia. Esclarecendo diferen\u00e7as entre id\u00e9ias estabelecidas e novas, esses termos ampliam a liberdade de escolhas terap\u00eauticas. Coloc\u00e1-los em oposi\u00e7\u00e3o aos mais tradicionais na literatura traz um sentimento de descontinuidade na teoria cognitivo-comportamental, mas ajuda a enxergar de forma mais clara o leque de possibilidades para o desenvolvimento da teoria e da pr\u00e1tica. Finalmente, o conceito de mindfulness \u00e9 exposto, para mostrar como pode subsidiar a valida\u00e7\u00e3o e promover a aceita\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um crescente interesse em temas que apresentam interfaces entre espiritualidade e sa\u00fade, entre psicologia e religi\u00e3o. Alguns estudos t\u00eam abordado essas aproxima\u00e7\u00f5es tanto na perspectiva dos clientes como dos terapeutas religiosos\/espirituais, ou ainda no que se refere \u00e0s interven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma t\u00e9cnica que tem se destacado nas interven\u00e7\u00f5es da terapia cognitivo-comportamental \u00e9 o mindfulness, advinda do budismo.<\/p>\n<p>Palavras-chave: Aceita\u00e7\u00e3o, Mindfulness, Valida\u00e7\u00e3o, Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia Dial\u00e9tica Comportamental<\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de mindfulness passou a fazer parte da medicina comportamental a partir dos programas de redu\u00e7\u00e3o de estresse de Kabat-Zinn (1982). O conceito, cuja origem est\u00e1 nas pr\u00e1ticas orientais de medita\u00e7\u00e3o (Hanh, 1976), despertou, logo no in\u00edcio dos anos de 90, o interesse de cl\u00ednicos fora da \u00e1rea da medicina comportamental. Tomou de assalto as terapias comportamentais contextualistas, que j\u00e1 tinham afirmado sua identidade durante a d\u00e9cada anterior (Zettle &amp; Hayes, 1986; Kohlenberg &amp; Tsai, 1987; Linehan, 1987) e se estabeleceu como uma caracter\u00edstica central destas (Hayes, 2004). Kabat-Zinn (1990) define mindfulness como uma forma espec\u00edfica de aten\u00e7\u00e3o plena \u2013 concentra\u00e7\u00e3o no momento atual, intencional, e sem julgamento. Concentrar-se no momento atual significa estar em contato com o presente e n\u00e3o estar envolvido com lembran\u00e7as ou com pensamentos sobre o futuro. Considerando que as pessoas funcionam muito num modo que o autor chama de piloto autom\u00e1tico, a inten\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de mindfulness seria exatamente trazer a aten\u00e7\u00e3o plena para a a\u00e7\u00e3o no momento atual. \u2018Intencional\u2019 significa que o praticante de mindfulness faz a escolha de estar plenamente atento e se esfor\u00e7a para alcan\u00e7ar esta meta. Est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com a tend\u00eancia geral das pessoas de estarem desatentas, ou de se perderem em julgamentos e reflex\u00f5es que as alienam do mundo que as cerca. Para estar com aten\u00e7\u00e3o concentrada no momento atual, os conte\u00fados dos pensamentos e dos sentimentos s\u00e3o vivenciados na maneira em que se apresentam. Eles n\u00e3o s\u00e3o categorizados como positivos ou negativos. \u2018Sem julgar\u2019 significa que o praticante aceita todos os sentimentos, pensamentos e sensa\u00e7\u00f5es como leg\u00edtimos. A atitude de n\u00e3o julgar est\u00e1 em contraste com a tend\u00eancia autom\u00e1tica das pessoas de investirem na luta contra viv\u00eancias aversivas, deixando de viver o resto da sua realidade. O praticante n\u00e3o trata de forma diferenciada, determinados sentimentos (por exemplo, raiva contra uma pessoa admirada ou medo de algum aspecto de si mesmo), pensamentos (como id\u00e9ias imorais) ou sensa\u00e7\u00f5es (por exemplo, dor na aus\u00eancia de uma les\u00e3o ou diagn\u00f3stico que a justifiquem). S\u00e3o suspensas as racionaliza\u00e7\u00f5es pelas quais as pessoas costumam truncar suas percep\u00e7\u00f5es de eventos inquietantes para encaix\u00e1-los nas suas opini\u00f5es preconcebidas.<br \/>\nMINDFULNESS<br \/>\nAluna: Simone Gisele Fina &#8211; 15\/10\/2018<br \/>\n4<br \/>\nUma id\u00e9ia central na literatura sobre mindfulness \u00e9 que viver sob o comando do piloto autom\u00e1tico n\u00e3o permite \u00e0 pessoa lidar de maneira flex\u00edvel com os eventos do momento. Confiar no piloto autom\u00e1tico promove modos r\u00edgidos e altamente limitados de reagir ao ambiente. Na vida urbana moderna, agimos muitas vezes sem estar emocionalmente envolvidos em nossas a\u00e7\u00f5es, ou fazemos v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo, \u00e0s vezes sem percebermos que as diferentes atividades t\u00eam diferentes objetivos e atrapalham entre si. Assim, podemos agir r\u00e1pido e nos projetar como eficientes e produtivos. Em outros casos, permitimo-nos ficar t\u00e3o emaranhados em nossos pensamentos e sentimentos sobre passado ou futuro, ou em nossas racionaliza\u00e7\u00f5es sobre a nossa viv\u00eancia, que perdemos contato com o que est\u00e1 acontecendo no momento atual (Hayes, 2004; Linehan, 1993; Kabat-Zinn, 1990). Muitas vezes vivemos desta forma porque o contato com certos aspectos importantes do nosso cotidiano \u00e9 doloroso. Evitamos pensamentos, sentimentos e situa\u00e7\u00f5es que nos deixam tristes, inseguros ou envergonhados ou porque achamos que n\u00e3o ag\u00fcentar\u00edamos. Esta esquiva experiencial, ou esquiva da viv\u00eancia emocional, foi descrita por Hayes (1999) como a tentativa de n\u00e3o ter determinados sentimentos, pensamentos, mem\u00f3rias, ou estados f\u00edsicos, por estes serem avaliados negativamente. Trata-se de uma estrat\u00e9gia adaptativa e socialmente aprovada que ocorre quando eventos privados passam a ser alvos de controle verbal. Esta estrat\u00e9gia visa a promover um \u2018sentir-se bem\u2019 com a \u00eanfase em \u2018bem\u2019, mas isto ocorre ao custo da capacidade de \u2018sentir-se bem\u2019 com \u00eanfase no \u2018sentir-se\u2019. A pessoa acaba evitando em curto prazo \u2018sentir-se mal\u2019, mas perde o contato com aspectos aversivos (por\u00e9m importantes) da sua viv\u00eancia (Hayes, Pankey &amp; Gregg, 2002). Uma falha importante desta estrat\u00e9gia adaptativa \u00e9 que a pessoa procura excluir sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos negativos, enquanto que estes n\u00e3o s\u00e3o danosos em si, mas sim sinais de condi\u00e7\u00f5es de vida que deveriam ser enfrentados. Outra falha \u00e9 que muitas vezes a recusa de vivenciar essas sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos os torna mais insistentes. Quanto mais a pessoa tenta n\u00e3o t\u00ea-los, mais os ter\u00e1 (Hayes, 1987; Hayes, Pankey &amp; Gregg, 2002). MILDFULNESS Foi a partir da aproxima\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias m\u00e9dicas e psicol\u00f3gicas com a religi\u00e3o que surgiu uma t\u00e9cnica muito discutida atualmente: o mindfulness. Jon Kabat-Zinn, aproveitando-se de um ambiente mais aberto a essas ideias, incorporou algumas pr\u00e1ticas budistas (principalmente da medita\u00e7\u00e3o) \u00e0 medicina comportamental em seus trabalhos que visavam \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de estresse e manejo de dores cr\u00f4nicas. Assim, no grupo desenvolvido por ele, em um programa de gest\u00e3o de estresse baseado em mindfulness, o pesquisador come\u00e7ou a desenvolver a capacidade dessa aten\u00e7\u00e3o plena nos pacientes. Especificamente, o mindfulness refere-se \u00e0 capacidade de prestar aten\u00e7\u00e3o no momento presente e a tudo que surge internamente ou externamente, sem a realiza\u00e7\u00e3o de julgamentos ou o desejo de que as coisas sejam diferentes (Vandenberghe &amp; Assun\u00e7\u00e3o, 2009). Assim, quando o mindfulness ocorre, o indiv\u00edduo tem uma consci\u00eancia sincera, intencional, ao que est\u00e1 acontecendo de momento a momento, sem julgar, na viv\u00eancia enquanto ela ocorre. Pode-se dizer, ent\u00e3o, que mindfulness \u00e9 a habilidade de estar consciente dos seus pensamentos, emo\u00e7\u00f5es, sensa\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es, no momento presente sem julgar ou criticar a si mesmo ou a pr\u00f3pria experi\u00eancia. \u00c9 &#8220;estar no aqui e agora&#8221;. Atualmente, a literatura tem investigado esta t\u00e9cnica em diversos tratamentos e para diferentes transtornos. Hardt et al. (2011) mostram que h\u00e1 evid\u00eancia do mindfulness ligado \u00e0 sa\u00fade f\u00edsica e mental, estando associado a um menor \u00edndice de estresse e dist\u00farbios mentais. Al\u00e9m disso, o aumento na capacidade de mindfulness sugere uma diminui\u00e7\u00e3o na ang\u00fastia e no relato de sintomas m\u00e9dicos. Os autores levantam que v\u00e1rios programas t\u00eam sido desenvolvidos com o objetivo de ajudar os pacientes no tratamento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, c\u00e2ncer e depress\u00e3o. McKay et al. (2007) afirmam que as habilidades em mindfulness ajudam no foco em um elemento em um dado momento e isso pode auxiliar no melhor controle de emo\u00e7\u00f5es intensas, visando acalm\u00e1-las. Al\u00e9m disso, h\u00e1 argumentos de que o mindfulness ajuda na identifica\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o de julgamentos das experi\u00eancias, al\u00e9m de agir sobre o equil\u00edbrio entre o racioc\u00ednio dos pensamentos com as necessidades das emo\u00e7\u00f5es. O mindfulness \u00e9 tamb\u00e9m conhecido como uma medita\u00e7\u00e3o envolvendo o desenvolvimento da aten\u00e7\u00e3o plena. H\u00e1 in\u00fameros relatos dessa medita\u00e7\u00e3o e de exerc\u00edcios semelhantes em diversos sistemas religiosos como cristianismo, islamismo, juda\u00edsmo, mas esta t\u00e9cnica \u00e9 principalmente conhecida a partir dos ensinamentos budistas (Mckay et al., 2007). Atualmente, o budismo \u00e9 uma das poucas religi\u00f5es que ainda valoriza o desenvolvimento dessa habilidade. Ela \u00e9 muito utilizada para o trabalho com as emo\u00e7\u00f5es e para que o praticante consiga estabelecer o foco no presente. Apesar de seu surgimento estar vinculado a um contexto religioso, o mindfulness come\u00e7a a ocupar outros espa\u00e7os. Iniciado com os pacientes de Kabat-Zinn, hoje a t\u00e9cnica j\u00e1 \u00e9 vista em outras formas de psicoterapia, incluindo algumas terapias cognitivas. Nestas, o mindfulness \u00e9 colocado como uma t\u00e9cnica sistematizada, que pode ser ensinada e que \u00e9 trein\u00e1vel. Giuffra (2009) destaca que apesar do mindfulness ser considerado um componente essencial da psicologia budista e fazer parte do Caminho \u00d3ctuplo para se alcan\u00e7ar o nirvana, ele n\u00e3o deve ser considerado como um conceito religioso e nem mesmo um conceito espiritual. O autor classifica como um conceito cognitivo, usado no budismo, mas que hoje tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido e estudado pela Psicologia e que tem se destacado em abordagens como a Gestalterapia, e diferentes Terapias Cognitivo-Comportamentais, tais como a Terapia de Aceita\u00e7\u00e3o e Compromisso (ACT), a Terapia Comportamental Dial\u00e9tica (TCD), Terapia Cognitiva baseada em Mindfulness (MBCT) e Programa de Redu\u00e7\u00e3o de Estresse em Mindfulness (MBSR). Na Terapia Comportamental Dial\u00e9tica, o Mindfulness \u00e9 relatado como uma das quatro habilidades cr\u00edticas que podem ajudar na regula\u00e7\u00e3o emocional, ajudando o paciente a se manter equilibrado quando as emo\u00e7\u00f5es surgirem de forma intensa (McKay et al., 2007).<\/p>\n<p>Na Terapia de aceita\u00e7\u00e3o e compromisso, o mindfulness \u00e9 considerado um importante recurso para ajudar o paciente no processo de aceita\u00e7\u00e3o. A aceita\u00e7\u00e3o neste contexto \u00e9 diferente da resigna\u00e7\u00e3o. Refere-se a um processo ativo no qual o indiv\u00edduo admite o que acontece consigo sem se apegar aquilo que gostaria que fosse. Trata-se de compreender a realidade percebendo o aparecimento inevit\u00e1vel de pensamentos, sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es sem evit\u00e1-los, recha\u00e7\u00e1-los ou julg\u00e1-los (Roomer &amp; Orsillo, 2010). O mindfulness permite uma maior aten\u00e7\u00e3o, uma maior consci\u00eancia e ao mesmo tempo permite que o indiv\u00edduo entenda sobre a imperman\u00eancia daquilo que est\u00e1 se passando naquele momento. O pensamento, a sensa\u00e7\u00e3o e a emo\u00e7\u00e3o daquele momento ir\u00e3o passar e por isso o mindfulness permite uma maior aceita\u00e7\u00e3o dos fatos, uma maior compreens\u00e3o dos processos que est\u00e3o acontecendo naquele momento. Obviamente, a aceita\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser entendida como uma postura de conforma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo a uma determinada situa\u00e7\u00e3o ou circunst\u00e2ncia, mas como uma postura mais aberta e compassiva que permite a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos pensamentos, dos comportamentos, entendendo as ocorr\u00eancias da vida como partes do caminho que se deseja trilhar. Opta-se assim por estabelecer o foco no que est\u00e1 acontecendo sem se prender em atitudes julgadoras que normalmente s\u00e3o in\u00fateis para o indiv\u00edduo. Nas terapias, as interven\u00e7\u00f5es baseadas na aceita\u00e7\u00e3o e em mindfulness estabelecem o foco na habilidade em manter-se atento ao momento presente, e atualmente esta habilidade \u00e9 apontada como um importante recurso para lidar com emo\u00e7\u00f5es intensas, com dores cr\u00f4nicas, epis\u00f3dios depressivos, transtornos alimentares, transtornos de personalidade borderline. Entretanto, o fato de ter sido incorporada ao contexto das Terapias cognitivo-comportamentais evidencia a tentativa de buscar rela\u00e7\u00f5es entre a Psicologia e a Religi\u00e3o, neste caso, o budismo. Outras rela\u00e7\u00f5es t\u00eam sido feitas. Giuffra (2009), buscando discutir as semelhan\u00e7as entre ambas, utiliza o encontro entre Dalai Lama (14\u00ba) e Aaron Beck na abertura do V Congresso Internacional de Psicoterapia Cognitiva ocorrido em junho de 2005, na cidade de Gotemburgo, Su\u00e9cia. O autor discute as origens da Terapia Cognitiva, e alguns pontos interessantes sobre o budismo, incluindo a forma como esse sistema religioso v\u00ea e lida com a mente. Entretanto, como ponto central nesse artigo est\u00e3o as semelhan\u00e7as levantadas no di\u00e1logo por ambos os mestres. Primeiramente, a Terapia Cognitiva e o Budismo buscam eliminar o sofrimento e gerar o bem-estar. Ambos defendem que as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o resultados de eventos reais e sim uma forma de nossas mentes process\u00e1-los. Al\u00e9m disso, tanto os terapeutas cognitivos quanto os praticantes budistas buscam treinar a mente para melhorar a objetividade, diminuir as distor\u00e7\u00f5es, erradicando o sofrimento e alcan\u00e7ando a felicidade. Ambos valorizam a sabedoria, compaix\u00e3o, entendimento, aceita\u00e7\u00e3o. Por fim, ambos valorizam o m\u00e9todo cient\u00edfico e d\u00e3o um grande valor a gerar e cultivar um estado de alerta e aten\u00e7\u00e3o mental. Apesar das origens do mindfulness estarem vinculadas ao budismo, hoje \u00e9 poss\u00edvel perceber que ela tem sido considerada, no campo cient\u00edfico, apenas como uma interven\u00e7\u00e3o que pode contribuir para melhorar o estado de alguns pacientes. Como t\u00e9cnica ela pode ser aprendida, desenvolvida, treinada e n\u00e3o precisa estar vinculada a um contexto espiritual\/religioso. A busca principal (como se pode ver em Davis &amp; Hayes, 2011; Foley et al., 2010; Hofmann et al., 2010, Ma &amp; Teasdale, 2004), tem sido em verificar, de forma emp\u00edrica, os efeitos e fundamentos dessa aten\u00e7\u00e3o que pode se tornar uma importante ferramenta terap\u00eautica no futuro.<\/p>\n<p>EXERCITANDO MILDFULNESS<\/p>\n<p>Distanciar-se, nesse contexto, significa notar os pr\u00f3prios pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas sem elabora\u00e7\u00e3o ou julgamento, de forma a possibilitar um esvaziamento dos conflitos e uma redu\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia que os medos t\u00eam sobre a pessoa. Consiste em aceitar que certas preocupa\u00e7\u00f5es est\u00e3o presentes e deix\u00e1-las passar, sem mexer com elas. Ao praticar, deve-se estar atento a sua aten\u00e7\u00e3o, pois o que importa \u00e9 como focar (o processo), e n\u00e3o em que se focar (o conte\u00fado). O objeto do exerc\u00edcio nada mais \u00e9 do que um pretexto para aprender a tomar recuo da mente sempre tagarela. Identificar-se demasiadamente com o que sentimos ou pensamos a nosso respeito gera atitudes defensivas e r\u00edgidas. Na terapia, o paciente aprende a tomar recuo de seus pensamentos e sentimentos a respeito de si, podendo observ\u00e1-los e entender seu significado, mas sem acreditar neles (Hayes et al., 2012). N\u00e3o se procura reestruturar o que a pessoa pensa sobre si, mas ajud\u00e1-la a se reconhecer como espectadora de seus conte\u00fados e conflitos. O recuo psicol\u00f3gico propiciado pela observa\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio ato de observar seus conte\u00fados psicol\u00f3gicos permite enxergar o lugar deles na paisagem mais ampla. A pessoa torna-se, portanto, mais capaz de agir de acordo com suas escolhas e seus valores, e n\u00e3o sob o controle de suas ang\u00fastias, conflitos e\/ou emo\u00e7\u00f5es (Hayes et al., 2012). Atividades cotidianas, como escovar os dentes, atender ao telefone, fazer limpeza ou fazer anota\u00e7\u00f5es, podem ser aproveitadas como oportunidades de treinar a aten\u00e7\u00e3o plena, pois a pessoa se concentra em observar cores, texturas, cheiros e movimentos envolvidos nas atividades. O terapeuta convida o paciente a observar sucessivamente suas sensa\u00e7\u00f5es corporais (S), a produ\u00e7\u00e3o de seu intelecto (I) e sua percep\u00e7\u00e3o do mundo externo (M). Na primeira fase, o paciente presta aten\u00e7\u00e3o ao seu corpo. Aplica-se a aceitar tanto as sensa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis quanto as agrad\u00e1veis. Na segunda fase, atenta-se aos pensamentos, \u00e0s imagens, \u00e0s lembran\u00e7as e \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es. O cliente nota quando est\u00e1 evitando certo conte\u00fado ou se agarrando a outro, e percebe que certos pensamentos ou avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o como anz\u00f3is e, ao mord\u00ea-las, ficaria preso nelas. Por\u00e9m, nota-se tamb\u00e9m que, quando n\u00e3o morde a isca, o anzol n\u00e3o o prejudica. Na terceira fase, o cliente percebe o que ocorre a seu redor. Quando est\u00e1 com os olhos abertos, cores, contornos ou outros aspectos da vis\u00e3o fazem parte do material do mundo observado. Fazendo o exerc\u00edcio de olhos fechados, a informa\u00e7\u00e3o vem principalmente em forma de ru\u00eddos e cheiros. A pessoa presta aten\u00e7\u00e3o nas varia\u00e7\u00f5es sutis do barulho, distingue o mundo externo de suas atividades interiores e aprende a deixar mais clara a distin\u00e7\u00e3o entre a realidade externa e os produtos da mente sempre tagarela: julgamentos, associa\u00e7\u00f5es e elabora\u00e7\u00f5es racionais. Finalmente, quando o cliente relata sua viv\u00eancia do exerc\u00edcio, o terapeuta verifica se ele est\u00e1 em contato com seu Eu-como-Perspectiva, fazendo uma pergunta simples, como &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 observando quem est\u00e1 fazendo todas essas observa\u00e7\u00f5es?&#8221; ou &#8220;Voc\u00ea percebe que \u00e9 voc\u00ea que est\u00e1 fazendo tal ou tal distin\u00e7\u00e3o?&#8221;, e deixa um tempo para essa realiza\u00e7\u00e3o (Schoendorff et al., 2011). Interven\u00e7\u00f5es mais simples podem ser igualmente v\u00e1lidas.<\/p>\n<p>Quando um terapeuta sugere ao paciente, no in\u00edcio da sess\u00e3o, que ele tire uns minutos para prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 respira\u00e7\u00e3o, ele faz mais que simplesmente induzir o relaxamento. Dessa forma, ele convida o cliente a conectar-se com sua viv\u00eancia interior, de interromper a elabora\u00e7\u00e3o intelectual e o julgamento dos conte\u00fados e de olhar para dentro de si com curiosidade. Ao perguntar, posteriormente, o que o paciente notou e sentiu, espera-se que ele esteja em melhores condi\u00e7\u00f5es de relatar sua viv\u00eancia interior e mais capaz de distingui-la de suas elabora\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es a respeito dela. Assim, um breve exerc\u00edcio pode trazer um pouco mais mindfulness para a sess\u00e3o. Na DBT, mindfulness \u00e9 entendida como uma conex\u00e3o com a mente s\u00e1bia que integra e transcende a emo\u00e7\u00e3o e a raz\u00e3o. A mente s\u00e1bia \u00e9 a sabedoria que resulta da sedimenta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da pessoa, e \u00e9 altamente intuitiva, direcionada pelos valores profundos e por uma vis\u00e3o ampla e contextualizada da experi\u00eancia vivida. De acordo com Linehan (1993), a mente s\u00e1bia supera as falhas inerentes em outras formas de funcionar, como seguir as emo\u00e7\u00f5es ou a elabora\u00e7\u00e3o racional. A mente emocional \u00e9 um modo de a\u00e7\u00e3o impulsiva, gerida pelo que sentimos, e \u00e9 genu\u00edna e intuitiva, mas inst\u00e1vel, e entrega a pessoa \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o da sua viv\u00eancia. A mente racional refere-se \u00e0 an\u00e1lise objetiva e \u00e0 a\u00e7\u00e3o sob o controle do pensamento l\u00f3gico, garante a racionalidade, mas \u00e9 fria, calculista e potencialmente alienadora. Quando a mente emocional est\u00e1 ativada, nota-se a intensidade da emo\u00e7\u00e3o e sua varia\u00e7\u00e3o, dependendo das circunst\u00e2ncias. A mente s\u00e1bia, por sua vez, \u00e9 est\u00e1vel e hol\u00edstica. O que parece ser verdadeiro ou certo no calor da emo\u00e7\u00e3o refere-se \u00e0 mente emocional. Se a pessoa desacelera e permite que esse calor passe, abre-se a porta para entrar em contato com a mente s\u00e1bia, o que permite agir em conson\u00e2ncia com seus valores mesmo quando sua vida ou as circunst\u00e2ncias est\u00e3o realmente dif\u00edceis, possibilitando abra\u00e7ar cada momento como \u00e9, e n\u00e3o como gostaria ou temeria que fosse. Para entrar em contato com a mente s\u00e1bia, a pessoa precisa aprender a observar os eventos dos quais participa, suas emo\u00e7\u00f5es e seus comportamentos, colocar em palavras as coisas que observa, deixando de lado suas avalia\u00e7\u00f5es e racionaliza\u00e7\u00f5es, e participar do presente, envolvendo-se com aten\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 ocorrendo. E como fazer isso? Sem privilegiar ou rejeitar qualquer observa\u00e7\u00e3o por ela ser agrad\u00e1vel ou desagrad\u00e1vel, fazendo uma coisa de cada vez, com qualidade e concentra\u00e7\u00e3o, de forma pragm\u00e1tica, atento ao que funciona. Dessa forma, mindfulness n\u00e3o \u00e9 mais uma disciplina, mas uma maneira de estar plenamente presente na vida. O conceito de mindfulness foi introduzido mais tarde na IBCT e conceituado como estar plenamente consciente do contexto das intera\u00e7\u00f5es com o parceiro e dos alvos e valores relevantes para o relacionamento, sem fazer julgamentos, procurando validar o que o parceiro traz para a intera\u00e7\u00e3o (Fruzetti &amp; Iverson, 2004). De acordo com os autores, as habilidades que os c\u00f4njuges devem aprender para aceder \u00e0 mindfulness em situa\u00e7\u00f5es de conflito s\u00e3o: (1) escutar o parceiro com aten\u00e7\u00e3o sem permitir que as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es ou pensamentos contaminem a escuta; (2) prestar aten\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 acontecendo com o parceiro; (3) resumir a perspectiva do parceiro e refleti-la; (4) permitir-se ser vulner\u00e1vel quando o parceiro \u00e9; e (5) demonstrar que aceitou o que o outro revelou de si.<\/p>\n<p>Quando o terapeuta pede a uma paciente que simplesmente ou\u00e7a o parceiro, sem considerar o que ela trouxe de sentimentos e preocupa\u00e7\u00f5es para a sess\u00e3o, ele j\u00e1 est\u00e1 iniciando um exerc\u00edcio de mindfulness. O terapeuta deve acompanhar todos os passos enquanto o casal aprende a ser mindful nas suas discuss\u00f5es e o processo inteiro deve se tornar uma habilidade rec\u00edproca do casal, que pode ser usada quando novos conflitos aparecem (Fruzetti &amp; Iverson, 2004). Aqui, novamente, como no caso da aceita\u00e7\u00e3o e da valida\u00e7\u00e3o, o processo \u00e9 tanto um ingrediente da interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica quanto uma habilidade a ser ensinada ao paciente para uso no dia a dia.<\/p>\n<p>ACEITA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Dependendo da abordagem, o objeto da aceita\u00e7\u00e3o pode ser interno ou externo e pode tratar-se dos pr\u00f3prios sentimentos ou da forma de ser do outro. Na ACT, a aceita\u00e7\u00e3o enfoca principalmente o relacionamento da pessoa com sua viv\u00eancia interior (Hayes et al., 2012); j\u00e1 a IBCT enfatiza a aceita\u00e7\u00e3o dos sentimentos e das dificuldades a respeito do outro no relacionamento (Jacobson &amp; Christensen, 1996); e, na DBT, as incoer\u00eancias e a intensidade dos eventos interiores e os desafios externos do ambiente interpessoal podem ser igualmente objetos de aceita\u00e7\u00e3o (Linehan, 1993). No entanto, em nenhuma das vertentes apresentadas, a aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 um fim em si; ela \u00e9 sempre um processo terap\u00eautico em evolu\u00e7\u00e3o. E, em cada uma das tr\u00eas vertentes, a aceita\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a funcionam como pr\u00e9-requisitos uma para a outra. A aceita\u00e7\u00e3o autoriza o indiv\u00edduo a ter dificuldades, e o casal, a ter diferen\u00e7as. Se todo comportamento ocorre em um contexto que produz seu significado, as dificuldades do indiv\u00edduo e o comportamento do parceiro devem sempre ser compreendidos no contexto. O sentido que o comportamento de um c\u00f4njuge tem \u00e9 resultado da hist\u00f3ria passada do indiv\u00edduo e do contexto atual do casal (Jacobson, 1997). O terapeuta procura promover, no casal, um recuo psicol\u00f3gico combinado com um engajamento de cultivar o que \u00e9 valioso no relacionamento de acordo com os pacientes. Recuar significa que a pessoa se desapega suficientemente de suas expectativas e seus julgamentos para poder abrir m\u00e3o da atribui\u00e7\u00e3o de culpa. O engajamento significa um envolvimento ativo ao enfrentar desafios relevantes para sua vida. No casal, esse distanciamento engajado \u00e9 vis\u00edvel na express\u00e3o n\u00e3o abrasiva de emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e na abertura para vivenciar problemas com a inten\u00e7\u00e3o de super\u00e1-los. A pessoa se envolve ativamente, norteado pelo que valoriza mais na rela\u00e7\u00e3o de casal, mas mantem o recuo psicol\u00f3gico necess\u00e1rio para poder compreender suas a\u00e7\u00f5es no contexto mais amplo. Tal tomada de perspectiva ajuda aceitar emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que fazem parte da sua vida de casal e ajuda a express\u00e1-los sem culpar o outro. O distanciamento engajado o torna poss\u00edvel de reconhecer emo\u00e7\u00f5es positivas relacionadas com situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, e ajuda o casal a assumir uma atitude benigna frente aos desafios que fazem parte da sua vida conjugal (Jacobson &amp; Christensen, 1996). O termo aceita\u00e7\u00e3o radical, usado por Linehan (1993), expressa a profundeza do que se pretende com o ato de aceitar a realidade como ela \u00e9 e consiste em acolher o momento presente, o aqui e o agora, sem exigir que ele seja diferente do que \u00e9. O adjetivo &#8220;radical&#8221; alude \u00e0 genuinidade e \u00e0 profundidade do acolhimento da vida, incondicionalmente, em sua totalidade. Trata-se de um consentimento \u00e0 vida nos termos impostos por ela, incluindo seus desafios, seus inc\u00f4modos e suas dimens\u00f5es tr\u00e1gicas. De acordo com a autora, a aceita\u00e7\u00e3o radical possui tr\u00eas partes: o consentimento completo e total de que a realidade \u00e9 o que \u00e9, a aced\u00eancia de que as situa\u00e7\u00f5es que geram dor possuem causas e hist\u00f3rias e a compreens\u00e3o de que sentimentos conflitantes e dif\u00edceis n\u00e3o impedem a valoriza\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Hayes e colaboradores (2012) descrevem a aceita\u00e7\u00e3o como o consentimento em acolher pensamentos e emo\u00e7\u00f5es, mesmo quando se apresentam de forma dolorosa. A definem como uma abertura intencional para a viv\u00eancia interior. A pessoa escolhe relacionar-se de forma tolerante com seus conte\u00fados psicol\u00f3gicos, sem tentar fugir do que lhe \u00e9 desagrad\u00e1vel, e, ao mesmo tempo, lembra que seus pensamentos e sentimentos s\u00e3o nada mais que suas pr\u00f3prias produ\u00e7\u00f5es e produtos da sua hist\u00f3ria e do seu contexto, n\u00e3o assumindo que representam o mundo real. Essa aceita\u00e7\u00e3o ajudar\u00e1 o indiv\u00edduo a reduzir a energia que investe na luta contra as emo\u00e7\u00f5es negativas e a engajar-se mais em a\u00e7\u00f5es construtivas. Ela o permite investir em um redirecionamento da sua vida, uma vez que n\u00e3o est\u00e1 mais ref\u00e9m da luta com as emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Schoendorff, Grand e Bolduc (2011) esmi\u00fa\u00e7am como o cliente pode construir, na ACT, uma aceita\u00e7\u00e3o profunda de suas ang\u00fastias e dores ou de sua perplexidade diante de seus problemas. O primeiro passo para a constru\u00e7\u00e3o da aceita\u00e7\u00e3o consiste em tomar consci\u00eancia de emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Pode ser penoso assumir sentimentos problem\u00e1ticos, j\u00e1 que os suprimir ou esquivar-se deles diminui o sofrimento, mas a supress\u00e3o e a esquiva prejudicam a habilidade de viver o momento de forma plena, a conex\u00e3o com a viv\u00eancia interior e o contato genu\u00edno com a outra pessoa com quem est\u00e1 interagindo em um momento dif\u00edcil. O cliente descobre como, ao suprimir e esquivar, seu comportamento se tornou mais r\u00edgido. Ele chegou a responder menos a seus valores e a suas necessidades mais sutis. Ao dar-se conta desses preju\u00edzos, pode decidir abandonar a supress\u00e3o e a esquiva e optar por criar mais espa\u00e7o dentro de si para permitir um leque maior de emo\u00e7\u00f5es, deixando-as ir e vir livremente. Ao cultivar maior abertura para a experi\u00eancia, a pessoa ganha independ\u00eancia das regras e dos conceitos r\u00edgidos que fazem parte de seu condicionamento social. Essa independ\u00eancia se traduz em uma maior flexibilidade psicol\u00f3gica e uma liberta\u00e7\u00e3o das amarras que prejudicam a criatividade e limitam a capacidade de enfrentar suas dificuldades. Aceitar a viv\u00eancia interior \u00e9 distinto de acreditar ou aderir ao conte\u00fado de seus sentimentos ou pensamentos. Aceita\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que a pessoa se submete \u00e0 l\u00f3gica de suas respostas internas, mas que apenas as considera e as autoriza. Aceitar permite tomar recuo e permite que a viv\u00eancia interior flua livremente. Observando os pensamentos e sentimentos a partir de uma dist\u00e2ncia psicol\u00f3gica, o sujeito est\u00e1 aberto a receber e a considerar as dicas que sentimentos, pensamentos e outras respostas internas trazem a respeito do que ocorre em sua vida. Por exemplo, ao sentir tristeza em certa situa\u00e7\u00e3o, aceitar significa acolher o sentimento e entend\u00ea-lo como um sinal, trazendo informa\u00e7\u00f5es acerca da situa\u00e7\u00e3o que vive e do sentido que essa situa\u00e7\u00e3o tem em rela\u00e7\u00e3o a sua hist\u00f3ria. Essa informa\u00e7\u00e3o pode ajud\u00e1-lo a fazer escolhas consistentes com seus alvos e valores. O termo recuo \u00e9 importante aqui, e n\u00e3o pode ser confundido com fuga ou rejei\u00e7\u00e3o. Significa tomar uma perspectiva n\u00e3o julgadora. A tristeza pode ser mais bem compreendida quando a pessoa n\u00e3o foge dela e nem se agarra a ela (Hayes et al., 2012). Imagine uma cliente que tem dificuldade para admitir o vazio que sente e a desilus\u00e3o pela condi\u00e7\u00e3o de seu casamento. Na sess\u00e3o, ela nega ter esses sentimentos, e em seu dia a dia, tenta ignor\u00e1-los. Para ela, senti-los significa que fracassou, que n\u00e3o conseguiu ser o que ela e sua fam\u00edlia exigem dela. Ser feliz no casamento \u00e9, de acordo com as regras que lhe foram impostas, uma tarefa a ser cumprida, compar\u00e1vel com sua ascens\u00e3o na profiss\u00e3o. O sentimento de vazio \u00e9 duro de aceitar sob essas premissas, mas rejeit\u00e1-lo dificulta compreender bem o que est\u00e1 ocorrendo em sua vida. Quando a terapia a ajuda a aceitar a legitimidade de seu sentimento de vazio, ajudar\u00e1 tamb\u00e9m a compreender o que ele mostra a respeito de suas escolhas e de seus valores. Primeiro, o terapeuta a ajudaria a fazer as pazes com seus sentimentos, acolhendo-as como mensageiros, e n\u00e3o como inimigos.<\/p>\n<p>Para poder promover essa aten\u00e7\u00e3o para e abertura \u00e0 experi\u00eancia, o terapeuta tamb\u00e9m deve estar atento e aberto a acolher, sem julgar, seus pensamentos e sentimentos no momento (a viv\u00eancia interna do terapeuta) e as emo\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es do cliente (o ambiente externo). A mindfulness do terapeuta o ajuda a perceber mudan\u00e7as sutis no comportamento do cliente, a escutar com aten\u00e7\u00e3o, a reconhecer seus pr\u00f3prios erros, a manter a conex\u00e3o com seus valores e a lidar com momentos complexos e dif\u00edceis para poder estar plenamente presente com o cliente (Vandenberghe &amp; Silveira, 2013). Dessa forma, prestar aten\u00e7\u00e3o, sem julgar, e com abertura para a experi\u00eancia beneficia \u00e0 alian\u00e7a terap\u00eautica (Razzaque, Okoro, &amp; Wood, 2015). Nessas condi\u00e7\u00f5es, o relacionamento com o terapeuta \u00e9 um terreno privilegiado para ajudar o cliente a cultivar aten\u00e7\u00e3o plena, abertura e aceita\u00e7\u00e3o. A intera\u00e7\u00e3o com um terapeuta que est\u00e1 mindful oferece um ambiente interpessoal seguro, no qual o cliente pode se abrir para pensamentos e sentimentos dif\u00edceis. Quando percebe que o cliente rejeita aspectos dif\u00edceis de sua viv\u00eancia interior ou tenta se esquivar deles, o terapeuta o ajuda de forma delicada, a entender o que est\u00e1 ocorrendo. Assim, o cliente pode aprender a identificar sua esquiva interior tamb\u00e9m em outros momentos, fora da sess\u00e3o (Hayes et al., 2012; Schoendorff et al., 2011). \u00c9 poss\u00edvel conceber a aceita\u00e7\u00e3o como o ato de tomar um tempo para sentir o que est\u00e1 ocorrendo dentro de si. Trata-se da op\u00e7\u00e3o de ceder um espa\u00e7o para a viv\u00eancia interior, para acolher o que a situa\u00e7\u00e3o evoca em n\u00f3s. Para preparar esse espa\u00e7o, o terapeuta convida o cliente a desacelerar, para conseguir observar com equanimidade os sentimentos e pensamentos que se apresentam. O fluxo natural de pensamentos e sentimentos \u00e9 comparado, por Schoendorff e colaboradores. (2011), a um riacho pelo qual passam tanto dicas v\u00e1lidas quanto enganosas, al\u00e9m de, metaforicamente falando, anz\u00f3is com iscas atraentes que despistam a pessoa do compromisso com seus valores. Um anzol seria, nessa met\u00e1fora, um impulso ou julgamento que n\u00e3o apresenta perigo algum se o peixe (a pessoa) n\u00e3o &#8220;morde&#8221;. Ao convidar o cliente a desacelerar e recuar, o terapeuta s\u00f3 inicia o processo que permitir\u00e1 ao cliente explorar e, gradualmente, conhecer melhor o fluxo de sua viv\u00eancia interior, para discriminar os anz\u00f3is e fazer melhores escolhas para sua vida (Schoendorff et al., 2011). Consentir \u00e0 plenitude da viv\u00eancia do momento o torna poss\u00edvel direcionar seus esfor\u00e7os \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma vida mais valiosa. A aceita\u00e7\u00e3o de sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis confere mais liberdade para agirmos em um mundo que n\u00e3o est\u00e1 sob nosso controle, mas no qual podemos nos envolver ativamente (Linehan, 1993).<\/p>\n<p>VALIDA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Na presente se\u00e7\u00e3o discutimos como, nas tr\u00eas terapias apresentadas, a valida\u00e7\u00e3o \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednica importante em resposta \u00e0 viv\u00eancia do cliente. Por\u00e9m, antes disso, explana-se como a valida\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente parte do processo terap\u00eautico, mas tamb\u00e9m uma habilidade do dia a dia de casais, que ajuda cultivar a aceita\u00e7\u00e3o entre os parceiros e tornar sua comunica\u00e7\u00e3o mais eficiente (Jacobson &amp; Christensen, 1996; Fruzetti &amp; Iverson, 2004) e uma precondi\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento psicol\u00f3gico saud\u00e1vel do indiv\u00edduo (Linehan, 1993). Entre as diversas t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o ensinadas na terapia de casal, a valida\u00e7\u00e3o \u00e9 uma habilidade crucial. Consiste em expressar que a perspectiva e os sentimentos do parceiro foram compreendidos. Como estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o, a valida\u00e7\u00e3o ajuda os parceiros a lidar com conflitos e a dialogar sobre diferen\u00e7as (Jacobson &amp; Christensen, 1996). De acordo com Linehan (1993), pessoas com transtorno de personalidade borderline muitas vezes foram criadas em ambientes familiares e sociais onde suas necessidades e seus sentimentos n\u00e3o foram validados e, por consequ\u00eancia, elas n\u00e3o aprenderam a confiar em sua pr\u00f3pria viv\u00eancia interior. A valida\u00e7\u00e3o pelos pais e por outras pessoas importantes na vida da crian\u00e7a \u00e9 crucial para ajud\u00e1-la a desenvolver uma conex\u00e3o saud\u00e1vel com sua viv\u00eancia interna. A valida\u00e7\u00e3o ocorre em diferentes n\u00edveis e graus. De acordo com Linehan (1993, 1997), apenas escutar com aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 funciona como uma forma de valida\u00e7\u00e3o, mas, para Jacobson e Christensen (1996), \u00e9 necess\u00e1rio algo a mais. Al\u00e9m do simples fato de comunicar ao seu parceiro que se prestou aten\u00e7\u00e3o ao que ele falou, \u00e9 preciso tamb\u00e9m deixar claro que se levou em considera\u00e7\u00e3o o que o ele alega. Ao comunicar que o ouvinte leva em considera\u00e7\u00e3o os sentimentos do outro, mesmo sem concordar, ele afirma que h\u00e1 algo plaus\u00edvel ou cab\u00edvel nesse conte\u00fado, ao menos do ponto de vista do outro. Essa explana\u00e7\u00e3o da valida\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o em casais ou em fam\u00edlias tamb\u00e9m pode servir como modelo para compreender como ocorre a valida\u00e7\u00e3o da viv\u00eancia do cliente por parte do terapeuta, e isso \u00e9 um ingrediente importante no processo terap\u00eautico. Como uma a\u00e7\u00e3o do terapeuta, a valida\u00e7\u00e3o pode ser definida como o ato de comunicar que o ponto de vista e o sentimento expressos pelo cliente s\u00e3o apropriados e compreens\u00edveis (Linehan, 1993; McFarr et al., 2014). Jacobson e Christensen (1996) enfatizam a diferen\u00e7a entre validar, concordar e refletir. Concordar seria expressar que a perspectiva do terapeuta \u00e9 igual \u00e0 do cliente. Refletir (como um espelho) seria captar o estado emocional do cliente, devolvendo para ele o que falou, usando termos que tornam mais expl\u00edcitos as emo\u00e7\u00f5es subjacentes. Refletir, nesse sentido, \u00e9 uma t\u00e9cnica importante que o terapeuta usa para verificar se compreendeu a viv\u00eancia emocional expressa pelo cliente. O terapeuta pode tamb\u00e9m refletir especificamente o teor emocional da fala do cliente para mostrar que est\u00e1 sincronizado com seus sentimentos. Validar, para esses autores, vai al\u00e9m de refletir, pois ao validar o terapeuta mostra que considera plaus\u00edvel a perspectiva e os sentimentos expressos pelo cliente cab\u00edveis, mesmo que n\u00e3o correspondam com a perspectiva do terapeuta. Linehan (1997) e Koerner (2012) tamb\u00e9m distinguem validar de concordar, mas, diferente de Jacobson e Christensen (1996), acreditam que o ato de refletir os sentimentos do cliente j\u00e1 pode implicar certa medida de valida\u00e7\u00e3o. Mesmo escutar com aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 constitui um in\u00edcio de valida\u00e7\u00e3o, de acordo com Linehan (1993, 1997) e Koerner (2012). As autoras concebem uma hierarquia de interven\u00e7\u00f5es que representam v\u00e1rios graus de valida\u00e7\u00e3o e enfatizam que o terapeuta deve procurar alcan\u00e7ar o grau mais avan\u00e7ado desej\u00e1vel em cada contexto. Por sua vez, articular o sentimento que ficou impl\u00edcito na fala do cliente j\u00e1 confere maior grau de valida\u00e7\u00e3o que a escuta atenta por si s\u00f3, por exemplo: &#8220;Ao ouvi-lo falar, entendo que est\u00e1 com muita raiva pelo que aconteceu&#8221;. Uma forma mais avan\u00e7ada de validar que o ato de refletir o que o cliente sente \u00e9 descrever como seu comportamento e sua viv\u00eancia fazem sentido em termos de sua hist\u00f3ria passada. O terapeuta, nesse caso, comunica explicitamente que considera v\u00e1lidas suas rea\u00e7\u00f5es com semblante disfuncional ou patol\u00f3gico, considerando o que o cliente j\u00e1 viveu. Por exemplo: &#8220;Entendo que esteja com muita raiva pelo que aconteceu, pois, quando crian\u00e7a, voc\u00ea teve de aguentar situa\u00e7\u00f5es parecidas sem poder se defender&#8221;. No pr\u00f3ximo grau de valida\u00e7\u00e3o, o terapeuta explica como o comportamento do cliente faz sentido l\u00f3gico nas circunst\u00e2ncias atuais. Esse trabalho exige uma an\u00e1lise racional da situa\u00e7\u00e3o de vida do cliente. Quando se trata de sentimentos exagerados e a\u00e7\u00f5es que, \u00e0 primeira vista, s\u00e3o inadequadas, o terapeuta n\u00e3o sente de imediato, que elas fazem sentido na atual situa\u00e7\u00e3o. Talvez precise fazer um esfor\u00e7o maior para descobrir como os sentimentos podem tamb\u00e9m ser compreens\u00edveis e cab\u00edveis no contexto de vida atual do cliente. Por exemplo: &#8220;Posso imaginar que voc\u00ea fique com muita raiva porque a outra pessoa n\u00e3o exp\u00f5e suas inten\u00e7\u00f5es e, assim, voc\u00ea n\u00e3o pode se defender&#8221;. Embora precise fazer esse esfor\u00e7o intelectual para descobrir ao menos algo no momento atual que possa justificar a perspectiva do cliente, o terapeuta n\u00e3o deve distorcer os fatos. O comportamento validado deve verdadeiramente fazer sentido para o terapeuta depois da an\u00e1lise feita. Somente os aspectos realmente validos da rea\u00e7\u00e3o do cliente devem ser validados. O n\u00edvel mais avan\u00e7ado de valida\u00e7\u00e3o, de acordo com Linehan (1993) e Koerner (2012), consiste em sentir genuinamente e comunicar espontaneamente que os atos e sentimentos do cliente fazem sentido, do ponto de vista do terapeuta, naquele momento. Para esse caso, n\u00e3o precisa de an\u00e1lise racional ou exame l\u00f3gico da situa\u00e7\u00e3o. Por exemplo: &#8220;Agora me vejo no seu lugar. Tudo isso \u00e9 chocante. Posso sentir exatamente o que voc\u00ea est\u00e1 passando&#8221;. Talvez mais fundamental que validar sentimentos e comportamentos seja a valida\u00e7\u00e3o da pessoa do cliente, quando o terapeuta deixa claro que considera o cliente capaz de assumir sua pr\u00f3pria perspectiva e que n\u00e3o precisa ser ajustado para ter uma vida mais valiosa (Hayes et al., 2012). A valida\u00e7\u00e3o pelo terapeuta \u00e9 \u00fatil para ensinar o cliente a validar a si mesmo diante dos contextos de sua vida, e isso \u00e9 importante porque muitos clientes n\u00e3o confiam na validade de seus sentimentos. Esse \u00e9 o caso daqueles cujos sentimentos e pontos de vista foram com frequ\u00eancia invalidados por sua fam\u00edlia (Linehan, 1993), ou pelas expectativas culturais e as regras prescritas em seu ambiente social (Jacobson &amp; Christensen, 1996). Para poder validar, o terapeuta precisa verificar e compreender o sentido que as rea\u00e7\u00f5es do cliente possuem no contexto, compreender suas pr\u00f3prias rea\u00e7\u00f5es ao que o cliente vivencia e expressar essa compreens\u00e3o a ele (Vandenberghe &amp; Silveira, 2013). Linehan (1993) descreve tr\u00eas passos para realizar esse processo. O primeiro \u00e9 a observa\u00e7\u00e3o ativa, na qual o terapeuta re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre o que aconteceu e est\u00e1 acontecendo com o cliente. O terapeuta escuta e observa o que o cliente relata estar pensando, sentindo e fazendo, e \u00e9 preciso despir-se de qualquer conceito e at\u00e9 de teorias e pontos de vista pessoais que possam atrapalhar a observa\u00e7\u00e3o. No segundo passo, o terapeuta relata ao cliente o que observou, muitas vezes defendendo observa\u00e7\u00f5es que o cliente j\u00e1 tinha feito sobre si mesmo, mas n\u00e3o tinha assumido como v\u00e1lidas, oportunizando ao cliente corrigir as percep\u00e7\u00f5es do terapeuta. No terceiro passo, o terapeuta esclarece o que h\u00e1 de s\u00e1bio no comportamento e nas emo\u00e7\u00f5es do cliente. Ao validar o ponto de vista do cliente, o terapeuta aceita o que ele traz para a sess\u00e3o, e isso tem implica\u00e7\u00f5es para o processo terap\u00eautico. A \u00eanfase colocada em validar a perspectiva do cliente produz um paradoxo quando seu ponto de vista se op\u00f5e ao do terapeuta. A flexibilidade do terapeuta deve permitir que os clientes sejam espont\u00e2neos em expressar suas perspectivas. E o terapeuta deve ser capaz de enxergar o que h\u00e1 de valido em pontos de vistas com os quais n\u00e3o concorda. Impor a vis\u00e3o do terapeuta arriscaria invalidar o que o cliente sente, por isso, o terapeuta precisa estar disposto a aceitar, inclusive, a indisposi\u00e7\u00e3o do cliente em colaborar com a terapia, apesar de essa aceita\u00e7\u00e3o n\u00e3o significar que concorda com seu posicionamento. A valida\u00e7\u00e3o, por parte do terapeuta, da resist\u00eancia do cliente evita que ambos travem uma luta pelo controle da terapia e permite que novos caminhos de mudan\u00e7a sejam descobertos, os quais teriam continuado despercebidos se o profissional tivesse tentado superar a resist\u00eancia dos clientes (Jacobson &amp; Christensen, 1996). Na ACT, \u00e9 poss\u00edvel verificar um racioc\u00ednio similar. O terapeuta evita usar seus pr\u00f3prios objetivos como crit\u00e9rios para a valida\u00e7\u00e3o. Por exemplo: quando o cliente n\u00e3o consegue enxergar uma sa\u00edda para seus problemas, isso pode travar o progresso para a terapia. O terapeuta n\u00e3o teria motivos para validar o sentimento de desamparo e a falta de colabora\u00e7\u00e3o com a terapia, por\u00e9m, do ponto de vista do cliente e no seu contexto de vida, esse sentimento pode fazer total sentido. O terapeuta n\u00e3o tentar\u00e1 convenc\u00ea-lo de abandonar a resist\u00eancia. Validar o sentimento do cliente de n\u00e3o ver sa\u00edda pode parecer um ato paradoxal para o terapeuta, mas, muitas vezes abra a porta para mais aceita\u00e7\u00e3o e abertura por parte do cliente. Tentar convenc\u00ea-lo de que h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis pode deix\u00e1-lo mais descrente (Vincent, 2004). O terapeuta deve ser sens\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dosagem de valida\u00e7\u00e3o que um determinado cliente (McFarr et al., 2014) ou casal (Jacobson &amp; Christensen, 1996) precisa, e a DBT coloca as estrat\u00e9gias de valida\u00e7\u00e3o em intera\u00e7\u00e3o com as de solu\u00e7\u00e3o de problemas. Engajando-se na terapia, buscando solu\u00e7\u00f5es para seus problemas, o cliente se compromete a mudar, o que favorece a perspectiva do profissional cujo trabalho seria de mudar o comportamento do cliente. Assim, arrisca-se definir o cliente como algu\u00e9m inadequado, necessitando de concerto. As estrat\u00e9gias de valida\u00e7\u00e3o s\u00e3o usadas para ajudar o cliente a entender como suas a\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e pensamentos fazem sentido diante de sua realidade. Assim, h\u00e1 uma dial\u00e9tica entre validar e desafiar que p\u00f5e as perspectivas do cliente e do terapeuta no mesmo patamar. Se a terapia enfatizasse demasiadamente a mudan\u00e7a, apoiaria implicitamente a ideia de que as emo\u00e7\u00f5es e as atitudes do cliente est\u00e3o erradas. Por outro lado, a \u00eanfase em valida\u00e7\u00e3o apoiaria a ideia de que nada precisa mudar. Assim, as t\u00e9cnicas de desafiar os posicionamentos do cliente e de validar suas perspectivas devem ser usadas de forma conjugada em cada interven\u00e7\u00e3o, evitando-se que o processo terap\u00eautico entre em estagna\u00e7\u00e3o devido a um desequil\u00edbrio entre os dois tipos (Linehan, 1993). Na literatura sobre IBCT, essa dial\u00e9tica \u00e9 descrita em termos de uma intera\u00e7\u00e3o entre dois conjuntos de t\u00e9cnicas de interven\u00e7\u00e3o. A valida\u00e7\u00e3o \u00e9, nessa vertente, apenas uma entre muitas estrat\u00e9gias para promover a aceita\u00e7\u00e3o (Jacobson &amp; Christensen, 1996). Alguns casais precisam de mais aceita\u00e7\u00e3o, enquanto outros precisam de mais mudan\u00e7a, e, para cada um, deve ser encontrado um equil\u00edbrio entre esses dois tipos de interven\u00e7\u00f5es. Sendo necess\u00e1rio procurar a medida certa de valida\u00e7\u00e3o que os parceiros precisam, \u00e9 importante que o terapeuta n\u00e3o valide todas as emo\u00e7\u00f5es que eles relatam. N\u00e3o deve ser um processo autom\u00e1tico; \u00e9 importante saber quando e porque validar. A valida\u00e7\u00e3o deve ser usada propositalmente para alcan\u00e7ar objetivos terap\u00eauticos claros, pois torna impasses super\u00e1veis na rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica e possibilita mudan\u00e7as espec\u00edficas na vida dos clientes. A ACT possui a mesma vis\u00e3o complexa a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre os dois tipos de interven\u00e7\u00e3o. Podemos retomar o exemplo em que o terapeuta valida a resist\u00eancia \u00e0 terapia e o sentimento do cliente de estar travado. Ao validar o desamparo e a agonia, o terapeuta permite que o cliente mude sua rela\u00e7\u00e3o com esses sentimentos, e pode convid\u00e1-lo a desacelerar por um momento e a observar a experi\u00eancia de ang\u00fastia e descren\u00e7a com aten\u00e7\u00e3o. Ao debru\u00e7ar-se sobre esses sentimentos dessa forma, o cliente j\u00e1 mudou sua maneira de se relacionar com eles, e, ao assumir uma nova perspectiva, j\u00e1 iniciou a mudan\u00e7a terap\u00eautica que pode ajud\u00e1-lo a descobrir quais valores importantes est\u00e3o envolvidos nesse sofrimento e devem ser resgatados para que seja poss\u00edvel sair do impasse (Vincent, 2014).<\/p>\n<p>ACEITA\u00c7\u00c3O E VALIDA\u00c7\u00c3O DE M\u00c3OS DADAS<\/p>\n<p>No modelo da ACT, a mindfulness ajuda o paciente parar a luta contra a dor. Ao investir sua energia na luta contra os conte\u00fados psicol\u00f3gicos dolorosos, as pessoas se arriscam a ficar presas em uma batalha sem \u00eaxito, o que impede que cuidem e valorizem sua vida. \u00c9 preciso aceitar os conte\u00fados dif\u00edceis e abandonar a batalha para ter as m\u00e3os livres para construir um projeto de vida valorizada. Mindfulness \u00e9 usado como instrumento para promover a aceita\u00e7\u00e3o e come\u00e7ar a reposicionar-se frente \u00e0 viv\u00eancia interna. Em vez de sacrificar o que \u00e9 importante em sua vida para poder evitar emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, a pessoa descobre como investir na realiza\u00e7\u00e3o de seus valores mais preciosos (Hayes et al., 2012). Se mindfulness consiste em estar aberto para a viv\u00eancia, intencionalmente, sem intelectualizar ou fazer julgamentos, no momento em que esta desabrocha, ele implica tamb\u00e9m em um desapego dos conceitos e preconceitos do cotidiano. Assim, possibilita ao cliente reposicionar-se em seu relacionamento com seu mundo interior e ajuda a entender seus pensamentos, avalia\u00e7\u00f5es e outros conte\u00fados psicol\u00f3gicos como sendo nada mais do que a evid\u00eancia da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida e do seu contexto atual. Assim, o cliente deve identificar o que \u00e9 realmente importante para ele em cada situa\u00e7\u00e3o, desconsiderando as iscas que se apresentam (Schoendorff et al., 2011). A DBT usa mindfulness como fundamento para todos os outros m\u00f3dulos do tratamento, pois d\u00e1 suporte \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de polaridades e traz mais facilidade para que o cliente construa uma s\u00edntese dial\u00e9tica das contradi\u00e7\u00f5es em sua vida, para descobrir sentido no caos da sua viv\u00eancia fragmentada. A mindfulness ajuda na regula\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es porque facilita colocar emo\u00e7\u00f5es intensas e varia\u00e7\u00f5es abruptas em seu devido contexto. Sua pr\u00e1tica tamb\u00e9m d\u00e1 suporte ao desenvolvimento de habilidades interpessoais, pois ajuda a agir de forma que as emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o controlem a situa\u00e7\u00e3o e permite enxergar o que realmente importa em certo relacionamento ou situa\u00e7\u00e3o (Linehan, 1993). Ao contr\u00e1rio da ACT e da DBT, o modelo terap\u00eautico da IBCT foi desenvolvido, originalmente, sem incluir uma elabora\u00e7\u00e3o expl\u00edcita do conceito de mindfulness. Somente ao divulgar o novo modelo, seus autores descobriram que outros psic\u00f3logos reconheceram, na promo\u00e7\u00e3o de aceita\u00e7\u00e3o, essa qualidade da filosofia oriental (Jacobson &amp; Christensen, 1996). Ao examinar melhor como a valida\u00e7\u00e3o \u00e9 ensinada como estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o para o casal, fica claro como ela est\u00e1 interla\u00e7ada com o processo de aceita\u00e7\u00e3o e como mindfulness \u00e9 um pr\u00e9-requisito para validar a outra pessoa (Fruzetti &amp; Iverson, 2004). \u00c9 necess\u00e1rio estar presente no momento, prestando total aten\u00e7\u00e3o ao comportamento do outro, aberto, sem categoriza\u00e7\u00f5es ou racionaliza\u00e7\u00f5es, para, em seguida, poder validar genuinamente o que a outra pessoa expressou. A pr\u00e1tica de mindfulness por um casal aumenta a aceita\u00e7\u00e3o do parceiro e sustenta a capacidade de lidar de forma produtiva com o estresse do relacionamento (Barnes, Brown, Krusemark, Campbell, &amp; Rogge, 2007). Estar aberto e curioso (duas caracter\u00edsticas de mindfulness) facilita compreender a perspectiva do outro, em vez de olhar as coisas de um \u00fanico ponto de vista. Identificar e contextualizar as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es no momento em que elas desabrocham permite separ\u00e1-los da perspectiva do parceiro e facilita uma comunica\u00e7\u00e3o mais clara e uma resposta mais emp\u00e1tica (Cordova, Gee, &amp; Warren, 2005; Mirgain &amp; Cordova, 2007). Da mesma forma, o terapeuta que valida a viv\u00eancia do cliente precisa estar intencionalmente atento ao momento presente, suspendendo a elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, permitindo-se ser orientado pela curiosidade, pela abertura e pela aceita\u00e7\u00e3o emocional, al\u00e9m de compreender e saber contextualizar as pr\u00f3prias respostas emocionais, para poder separ\u00e1-las da perspectiva do cliente. Assim, pode oferecer sua interven\u00e7\u00e3o com base no contexto vivido do cliente, e n\u00e3o baseado no seu crit\u00e9rio (Vandenberghe &amp; Silveira, 2013). Isso torna a mindfulness do terapeuta uma precondi\u00e7\u00e3o fundamental para se pensar o processo de valida\u00e7\u00e3o no consult\u00f3rio. \u00c9 dif\u00edcil isolar a contribui\u00e7\u00e3o da mindfulness da dos outros elementos empregados nas terapias discutidas. A promo\u00e7\u00e3o de mindfulness na sess\u00e3o ajuda o cliente ou o casal a considerar seu problema de diferentes \u00e2ngulos para poder lidar com ele de forma mais flex\u00edvel. Ele sustenta tanto a aceita\u00e7\u00e3o quanto o compromisso com a mudan\u00e7a (Hayes et al., 2012; Linehan, 1993; Cordova et al., 2005), e est\u00e1 intrinsecamente entrela\u00e7ado no tecido do processo terap\u00eautico.<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p>A linguagem de mindfulness n\u00e3o deve ser colocada em segundo plano no tratamento ou considerada apenas uma t\u00e9cnica auxiliar para ser indicada aos pacientes como atividade de autocuidado. Ela \u00e9 a atitude terap\u00eautica e, ao mesmo tempo, a filosofia profunda que sustenta as pr\u00e1ticas de valida\u00e7\u00e3o e de aceita\u00e7\u00e3o em v\u00e1rias terapias contempor\u00e2neas. A procura de um equil\u00edbrio entre estrat\u00e9gias de mudan\u00e7a e de aceita\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o merece um lugar mais centralizado nos programas de forma\u00e7\u00e3o em terapia cognitivo-comportamental e at\u00e9 mesmo nos aconselhamentos por conselheiros. Como a ACT usa o trabalho de mindfulness para ajudar a pessoa a fazer uma melhor conex\u00e3o com o Eu-como-Perspectiva, a DBT o utiliza para promover melhor conex\u00e3o com a mente s\u00e1bia, e a IBCT, para beneficiar a comunica\u00e7\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o no casal. O equil\u00edbrio entre a valida\u00e7\u00e3o e a aceita\u00e7\u00e3o de um lado e o questionar e o desafiar de outro lado flexibiliza as ferramentas do di\u00e1logo terap\u00eautico. Al\u00e9m disso, os conceitos de mindfulness, valida\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o oferecem uma linguagem que ajuda a mentalizar alguns processos importantes que ocorrem na sess\u00e3o, t\u00e3o importantes quanto os enfatizados tradicionalmente na literatura. Por\u00e9m, o desenvolvimento de mindfulness como caracter\u00edstica do terapeuta (Vandenberghe &amp; Silveira, 2013; Razzaque et al., 2015) merece maior aten\u00e7\u00e3o, pois, como mindfulness est\u00e1 ligado \u00e0 valida\u00e7\u00e3o e \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas, tem os mesmos benef\u00edcios na comunica\u00e7\u00e3o entre terapeuta e paciente. Ainda, \u00e9 preciso estabelecer de maneira mais clara de quais formas a inclus\u00e3o de t\u00e9cnicas de valida\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o deixam o trabalho do terapeuta cognitivo-comportamental mais eficiente, comparado com as t\u00e9cnicas de reestrutura\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a cognitiva e comportamental. Definir tanto a TAC como a CBA como terapias fundamentadas na filosofia do behaviorismo radical e na ci\u00eancia da an\u00e1lise do comportamento poderia sugerir, \u00e0 primeira vista, que TAC, ACT, FAP, DBT, BA, IBCT e MBT s\u00e3o totalmente compat\u00edveis entre si ou, at\u00e9 mesmo, que s\u00e3o apenas nomes diferentes para um mesmo tipo de pr\u00e1tica. Entretanto, a rela\u00e7\u00e3o entre elas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim.<\/p>\n<p>Por um lado, ambas defendem a transposi\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios comportamentais empiricamente validados, mas, por outro, alguns modelos terap\u00eauticos encerrados sob a CBA apresentam desprendimento com os princ\u00edpios te\u00f3rico-conceituais da an\u00e1lise do comportamento e fazem uso de um linguajar que soa mentalista para aqueles que valorizam o jarg\u00e3o Skinneriano (Vandenberghe, 2011). Por exemplo, diversos autores (e.g. Foody, Barnes-Holmes, Barnes-Holmes &amp; Luciano, 2013; Guilhardi, 2012; McEnteggart, Barnes-Holmes, Hussey &amp; Barnes-Holmes, 2015) argumentam que os termos utilizados pela ACT, como fus\u00e3o cognitiva, aceita\u00e7\u00e3o, mindfulness (aten\u00e7\u00e3o plena), self conceitualizado e self como contexto, entre outros, n\u00e3o possuem qualquer rela\u00e7\u00e3o com o vocabul\u00e1rio anal\u00edtico-comportamental ou com os fundamentos filos\u00f3ficos, te\u00f3ricos e emp\u00edricos dessa abordagem, o que dificulta compreens\u00e3o rec\u00edproca. A despeito de qual seja a rela\u00e7\u00e3o entre TAC e as diferentes modalidades de terapia abarcadas sob o r\u00f3tulo CBA, o cen\u00e1rio hist\u00f3rico descrito aqui permite constatar que, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, ainda n\u00e3o existe consenso sobre o modelo anal\u00edtico-comportamental de interven\u00e7\u00e3o psicoter\u00e1pica. Nesse sentido, pesquisas futuras deveriam ocupar-se de analisar tanto o grau de embasamento te\u00f3rico, emp\u00edrico e pr\u00e1tico desses diferentes modelos de terapia na an\u00e1lise do comportamento, assim como as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre eles, de modo a buscar um modelo homog\u00eaneo de uma an\u00e1lise do comportamento cl\u00ednica \/ terapia anal\u00edtico-comportamental.<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA Eysenck, H. J. (1959). Learning theory and behavior therapy. Journal of Mental Science, 105, 61-75. Eysenck, H. J. (1994). The outcome problem in psychotherapy: What have we learned? Behavior Research and Therapy, 32, 477-495. Grossman, P.; Niemann, L.; Schmidt, S. &amp; Walach, H. (2003). Mindfulness -based stress reduction and health benefits: A meta-analysis. Journal of Psychosomatic Research, 57, 35-43. Hanh, N. T. (1976). The miracle of mindfulness: A manual for meditation. Boston: Beacon. Hayes, S. C. (2004). 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