{"id":3064,"date":"2018-11-23T10:32:28","date_gmt":"2018-11-23T13:32:28","guid":{"rendered":"http:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/?p=3064"},"modified":"2018-11-23T10:32:28","modified_gmt":"2018-11-23T13:32:28","slug":"entrevista-motivacional-e-estagios-da-mudanca-comportamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/2018\/11\/entrevista-motivacional-e-estagios-da-mudanca-comportamental\/","title":{"rendered":"Entrevista motivacional e est\u00e1gios da mudan\u00e7a comportamental"},"content":{"rendered":"<p>SIDNEI NOGUEIRA DE SOUZA JUNIOR<\/p>\n<p>Resumo:<br \/>\nO objetivo deste estudo \u00e9 apresentar um m\u00e9todo de comunica\u00e7\u00e3o entre o<br \/>\nprofissional e o cliente, como uma das ferramentas estrat\u00e9gicas mais utilizadas no<br \/>\ntratamento \u00e0 depend\u00eancia qu\u00edmica, que auxilia um indiv\u00edduo a reconhecer seus<br \/>\nproblemas atuais e potenciais quando h\u00e1 d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a<br \/>\ncomportamental, bem como a estimular o comprometimento para a realiza\u00e7\u00e3o dessa<br \/>\nmudan\u00e7a por meio de abordagens persuasivas e encorajadoras, levando-o ao primeiro<br \/>\npasso para a sua recupera\u00e7\u00e3o, quando o mesmo admite que, diante das drogas, se torna<br \/>\numa pessoa impotente.<br \/>\nPesquisas sobre psicoterapia e qualidade da alian\u00e7a terap\u00eautica, particularmente<br \/>\npercebida pelo cliente, mostram que h\u00e1 uma expectativa acerca de resultados. O cliente<br \/>\npode fazer alguns questionamentos do tipo: &#8220;Eu me sinto respeitado por este<br \/>\nprofissional?&#8221;; &#8220;Ser\u00e1 que este profissional me ouve e me entende?&#8221;; &#8220;Confio nesta<br \/>\npessoa?&#8221;; &#8220;Este profissional parece estar mais disposto a negociar, ao inv\u00e9s de ditar o<br \/>\nque eu tenho que fazer?&#8221;. Algumas armadilhas s\u00e3o apresentadas a fim de alertar o<br \/>\nprofissional e evitar que elas aconte\u00e7am, por dificultarem o processo de constru\u00e7\u00e3o da<br \/>\nalian\u00e7a terap\u00eautica.<br \/>\nEm suma, motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo mental positivo que estimula a iniciativa e,<br \/>\nquando se tem um motivo para agir, significa ter um desejo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es<br \/>\npositivas.<br \/>\nPalavras-chave: Entrevista motivacional, depend\u00eancia qu\u00edmica, tratamento,<br \/>\nmetodologia, engajamento, armadilhas.<br \/>\nIntrodu\u00e7\u00e3o<br \/>\nO surgimento da Entrevista Motivaconal (EM), desde 1983, quando foi lan\u00e7ada,<br \/>\nrepresenta uma contribui\u00e7\u00e3o efetiva no cen\u00e1rio do tratamento da depend\u00eancia qu\u00edmica,<br \/>\numa vez que revis\u00f5es recentes atestam sua efic\u00e1cia. Essa t\u00e9cnica, originalmente descrita<br \/>\npelos psic\u00f3logos William Miller e Stephen Rollnick da Universidade do Novo M\u00e9xico<br \/>\n(Estados Unidos), em Cardiff University, Wales tem como objetivo a modifica\u00e7\u00e3o do<br \/>\ncomportamento de risco por meio da explora\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o da ambival\u00eancia dos<br \/>\nclientes, quando estes querem e ao mesmo tempo, n\u00e3o querem se comprometer a mudar<br \/>\ndeterminado comportamento. Inicialmente, em sua primeira edi\u00e7\u00e3o, a EM concentravase<br \/>\nem pessoas com problemas relacionados ao \u00e1lcool e outras drogas. Contudo, logo<br \/>\nap\u00f3s a sua primeira publica\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias outras pesquisas foram realizadas e atualmente \u00e9<br \/>\nposs\u00edvel encontrar v\u00e1rios ensaios cl\u00ednicos randomizados sobre a t\u00e9cnica em proje\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPercebeu-se, ent\u00e3o, que a EM poderia ampliar seu campo de interven\u00e7\u00e3o, sendo<br \/>\nencontradas pesquisas sobre traumatismo craniano, sa\u00fade cardiovascular, odontologia,<br \/>\ndiabetes, transtornos da alimenta\u00e7\u00e3o e obesidade, fam\u00edlia e relacionamentos, jogo<br \/>\npatol\u00f3gico, promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, dentre outros.<br \/>\nA EM surgiu a partir de experi\u00eancias cl\u00ednicas com dependentes de \u00e1lcool e<br \/>\natualmente sua efic\u00e1cia \u00e9 consagrada para o beber problem\u00e1tico e outras depend\u00eancias<br \/>\nqu\u00edmicas, bem como no tratamento de doen\u00e7as como hipertens\u00e3o, diabetes,<br \/>\ncomorbidades psiqui\u00e1tricas e transtornos alimentares.<br \/>\nA EM, tamb\u00e9m conhecida como motivationalenhancementtherapy (MET), foi<br \/>\ndesenhada para ser uma interven\u00e7\u00e3o breve em intensidade e dura\u00e7\u00e3o. \u00c9 mais vantajosa<br \/>\nquando aplicada em ambientes com grande demanda de atendimento e pouca<br \/>\ndisponibilidade de tempo e profissionais. Tr\u00eas importantes revis\u00f5es examinaram a<br \/>\nefic\u00e1cia das interven\u00e7\u00f5es breves baseadas nos princ\u00edpios da EM e conclu\u00edram que a EM<br \/>\nbreve \u00e9 eficaz para v\u00e1rios problemas comportamentais relacionados ao uso de<br \/>\nsubst\u00e2ncias como \u00e1lcool, maconha e opi\u00e1ceos; \u00e9 eficaz quando usada na intensifica\u00e7\u00e3o<br \/>\nde outros tratamentos de abuso de subst\u00e2ncia, funcionando melhor para o beber<br \/>\nproblem\u00e1tico e tratamentos intensivos do consumo de subst\u00e2ncias, n\u00e3o tendo o efeito da<br \/>\nEM diminu\u00eddo ao longo do tempo, e \u00e9 mais eficaz do que o n\u00e3o tratamento e t\u00e3o eficaz<br \/>\nquanto qualquer outro tratamento ativo, cientificamente reconhecido para o uso de<br \/>\n\u00e1lcool, outras drogas e dieta\/ exerc\u00edcio.<br \/>\nTrata-se de uma evolu\u00e7\u00e3o no campo da cl\u00ednica das depend\u00eancias qu\u00edmicas, pois<br \/>\nat\u00e9 ent\u00e3o v\u00e1rios tipos de tratamento pregavam que s\u00f3 poderiam ajudar o cliente se este<br \/>\ndesejasse. Nesse contexto, \u00e9 importante dar-se conta de que a hesita\u00e7\u00e3o faz parte da<br \/>\nnatureza humana e nem todos os clientes estar\u00e3o preparados, desejosos e habilitados<br \/>\npara mudar algum h\u00e1bito ou comportamento. Para esses clientes, pouco preparados,<br \/>\ndesejosos e habilitados para mudar algum comportamento de risco, a EM prop\u00f5e-se a<br \/>\najudar a pessoa a resolver sua ambival\u00eancia\/conflito e desta forma tomar uma decis\u00e3o<br \/>\nque almeje a reabilita\u00e7\u00e3o como pessoa e n\u00e3o apenas a abstin\u00eancia.<br \/>\nDesenvolvimento:<br \/>\nDefini\u00e7\u00e3o da Entrevista Motivacional<br \/>\nDe acordo com Miller e Rollnick (2013), a EM \u00e9 um estilo de conversa<br \/>\ncolaborativa voltado para o fortalecimento da sua pr\u00f3pria motiva\u00e7\u00e3o e<br \/>\ncomprometimento com uma mudan\u00e7a. Por se tratar de uma abordagem que tem uma<br \/>\nmeta espec\u00edfica, que \u00e9 resolver a ambival\u00eancia, \u00e9 compreendida com car\u00e1ter de<br \/>\ninterven\u00e7\u00e3o breve, podendo assim, ser utilizada por uma ampla gama de profissionais<br \/>\nem diferentes servi\u00e7os, acompanhando as fases de mudan\u00e7a comportamental do cliente,<br \/>\na saber:<br \/>\n1. Pr\u00e9-contempla\u00e7\u00e3o: o paciente n\u00e3o considera ter um problema, muito<br \/>\nmenos \u00e0 possibilidade de mudan\u00e7a. Consiste na entrada do paciente para o<br \/>\nprocesso de mudan\u00e7a, ainda n\u00e3o est\u00e1 considerando a mudan\u00e7a, n\u00e3o encara<br \/>\nseu comportamento como um problema, esse est\u00e1gio pode ser entendido<br \/>\ncomo &#8216;resistente&#8217; ou &#8216;em nega\u00e7\u00e3o.<br \/>\n2. Contempla\u00e7\u00e3o: existe a consci\u00eancia do problema, mas a ambival\u00eancia \u00e9<br \/>\nevidente, pois o paciente considera a mudan\u00e7a e a rejeita ao mesmo tempo,<br \/>\nnesta fase a ambival\u00eancia (d\u00favida) est\u00e1 no seu \u00e1pice, est\u00e1gio onde \u00e9 feito o<br \/>\ntrabalho rumo \u00e0 decis\u00e3o de mudar.<br \/>\n3. Prepara\u00e7\u00e3o: est\u00e1 decidido a dar os passos certos para mudar o<br \/>\ncomportamento, reconhece o problema e acredita que precisa fazer algo,<br \/>\nmas n\u00e3o sabe como. Est\u00e1 compromissado com a mudan\u00e7a, ocorre um<br \/>\naumento da responsabilidade pela mudan\u00e7a e um plano espec\u00edfico de a\u00e7\u00e3o.<br \/>\n4. A\u00e7\u00e3o: o paciente engaja-se em a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para alcan\u00e7ar a mudan\u00e7a;<br \/>\nO paciente muda e usa a terapia como meio de assegurar-se do seu plano,<br \/>\ne para ganhar auto-efic\u00e1cia, ela cria condi\u00e7\u00f5es externas para a mudan\u00e7a; O<br \/>\nprocesso pode durar de 3 a 6 meses, j\u00e1 que o novo comportamento (o de<br \/>\nabstin\u00eancia geralmente) demora um tempo para se estabelecer.<br \/>\n5. Manuten\u00e7\u00e3o: o paciente j\u00e1 realizou a mudan\u00e7a e procura mant\u00ea-la por<br \/>\nmeio da constru\u00e7\u00e3o de um novo padr\u00e3o de comportamento para evitar<br \/>\nreca\u00eddas; Momento para comprovar-se a efetividade da mudan\u00e7a, verificar<br \/>\na estabilidade da mudan\u00e7a.<br \/>\n6. Reca\u00edda: algo que n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel, mas que faz parte do processo de<br \/>\nmudan\u00e7a. Esta abordagem visa \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o da ambival\u00eancia e o<br \/>\nconsequente aumento da motiva\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs premissas b\u00e1sicas que auxiliam o profissional na pr\u00e1tica da EM s\u00e3o empatia,<br \/>\ncongru\u00eancia, esp\u00edrito colaborativo no aumento da motiva\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a; ado\u00e7\u00e3o de<br \/>\num estilo calmo e eliciador; considerar a ambival\u00eancia natural (a motiva\u00e7\u00e3o para a<br \/>\nmudan\u00e7a deve ser eliciada no cliente e n\u00e3o imposta); a resist\u00eancia pode ser reduzida ou<br \/>\naumentada atrav\u00e9s das intera\u00e7\u00f5es interpessoais (o profissional \u00e9 diretivo em auxiliar o<br \/>\ncliente a examinar e resolver a ambival\u00eancia); o relacionamento cliente-profissional<br \/>\ndeve ser colaborativo e amig\u00e1vel; clientes s\u00e3o respons\u00e1veis pelo seu progresso (o<br \/>\nprofissional atua como um facilitador no processo, estimulando e apoiando a<br \/>\nautoefic\u00e1cia do cliente); a abstin\u00eancia \u00e9 a meta mais segura, mas nem sempre a melhor<br \/>\nescolha, principalmente com clientes em pr\u00e9-contempla\u00e7\u00e3o ou contempla\u00e7\u00e3o.<br \/>\nH\u00e1 26 anos surgiu, a primeira descri\u00e7\u00e3o de EM. Tal fato confere a essa abordagem<br \/>\nsua modernidade e, por isso, surgem confus\u00f5es de conceitos com outras abordagens e<br \/>\nideias. Em uma recente publica\u00e7\u00e3o, Miller e Rollnick (2009), listaram dez coisas que a<br \/>\nEM n\u00e3o \u00e9, como uma forma de esclarecer sua conceitua\u00e7\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o que consistem<br \/>\nem:<br \/>\n1. EM n\u00e3o \u00e9 baseada no Modelo Transte\u00f3rico;<br \/>\n2. EM n\u00e3o \u00e9 um meio de enganar o cliente para fazer o que ele n\u00e3o quer<br \/>\nfazer;<br \/>\n3. EM n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica;<br \/>\n4. EM n\u00e3o \u00e9 balan\u00e7a decis\u00f3ria;<br \/>\n5. EM n\u00e3o requer avalia\u00e7\u00f5es\/ feedback;<br \/>\n6. EM n\u00e3o \u00e9 terapia cognitivo-comportamental;<br \/>\n7. EM n\u00e3o \u00e9 apenas o aconselhamento centrado no cliente;<br \/>\n8. EM n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de aprender e ser aplicada;<br \/>\n9. EM n\u00e3o \u00e9 o que voc\u00ea sempre fez, sendo humanista, otimista e motivador; e<br \/>\n10. EM n\u00e3o \u00e9 uma panac\u00e9ia.<br \/>\nAssim, para que a aprendizagem da EM ocorra, \u00e9 preciso que o profissional tenha<br \/>\ncomo alvo passar por oito est\u00e1gios, sendo eles:<br \/>\n1) Trabalhar em parceria com o cliente, baseando no reconhecimento de que<br \/>\n\u00e9 o especialista em sua pr\u00f3pria vida;<br \/>\n2) Habilidade em oferecer um aconselhamento centrado no cliente,<br \/>\nincluindo empatia precisa;<br \/>\n3) Reconhecer os aspectos chave das falas do cliente norteadoras para a<br \/>\npr\u00e1tica da EM;<br \/>\n4) Eliciar e fortalecer as falas de mudan\u00e7a do cliente;<br \/>\n5) Lidar com a resist\u00eancia;<br \/>\n6) Negociar um plano de a\u00e7\u00e3o;<br \/>\n7) Consolidar o compromisso do cliente com a mudan\u00e7a;<br \/>\n8) Ser flex\u00edvel no uso da EM juntamente com outros estilos de interven\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEsp\u00edrito da Entrevista Motivacional<br \/>\nA fim de facilitar ainda mais a compreens\u00e3o da abordagem, os autores ainda nos<br \/>\nconvidam para que compreendamos o &#8220;Esp\u00edrito da EM&#8221;, que envolve um estilo<br \/>\ncolaborativo, evocativo e com respeito \u00e0 autonomia do cliente. Ao esp\u00edrito da EM<br \/>\ncomp\u00f5em quatro elementos, sendo eles:<br \/>\n1. Parceria: A EM \u00e9 feita &#8220;com&#8221; e n\u00e3o &#8220;para&#8221; a pessoa. Trata-se de uma proposta<br \/>\nque tira o profissional da zona de conforto de do comodismo, na medida em que n\u00e3o<br \/>\nbasta uma atitude pontual, demarcada e limitada ao tempo da consulta. Trata-se de um<br \/>\nelemento que refor\u00e7a a necessidade do terapeuta interagir e se interessar pela hist\u00f3ria e<br \/>\nevolu\u00e7\u00e3o do cliente e n\u00e3o se ater a uma conduta prescritiva. Nesta perspectiva, a EM<br \/>\nconvida o profissional a construir em seu trabalho uma postura equilibrada na tens\u00e3o<br \/>\nentre seguir o indiv\u00edduo e tamb\u00e9m, gui\u00e1-lo. O profissional e o cliente procuram sa\u00eddas<br \/>\njuntos. Se ainda assim, est\u00e1 invi\u00e1vel para a pessoa alcan\u00e7ar a sa\u00edda, o profissional<br \/>\ncontinua o processo junto com o cliente. Trata-se de uma proposta do poss\u00edvel em<br \/>\ndetrimento da proposta do ideal para o indiv\u00edduo. A ades\u00e3o se d\u00e1 pela pr\u00f3pria<br \/>\nperman\u00eancia da caminhada em conjunto.<br \/>\n2. Aceita\u00e7\u00e3o: Para a compreens\u00e3o da EM, a aceita\u00e7\u00e3o tem forte influ\u00eancia nas<br \/>\nobras de Carl Rogers e prop\u00f5e que o profissional se interesse e valorize o potencial de<br \/>\ncada indiv\u00edduo. Aceitar a pessoa n\u00e3o significa necessariamente que o profissional<br \/>\naprova ou endossa o status quo1 ou as a\u00e7\u00f5es do cliente, ou seja, se o profissional aprova<br \/>\nou reprova \u00e9 irrelevante. A aceita\u00e7\u00e3o consiste no reconhecimento absoluto, na empatia<br \/>\nacurada, no suporte \u00e0 autonomia do cliente e no refor\u00e7amento positivo de falas, e<br \/>\nposturas em prol da sa\u00fade e integridade de vida do cliente. No reconhecimento absoluto<br \/>\ntamb\u00e9m h\u00e1 uma compreens\u00e3o na forma do respeito \u00e0s particularidades do outro,<br \/>\nacreditando que este mesmo outro, na sua unicidade, \u00e9 capaz e tem seu valor pr\u00f3prio.<br \/>\nEsta perspectiva parte do pressuposto de que, quando o indiv\u00edduo se sente de alguma<br \/>\nforma julgado ou suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o respeitadas ou no m\u00ednimo, acolhidas, este se v\u00ea<br \/>\nimobilizado para a mudan\u00e7a. Paradoxalmente, quando o profissional aceita o cliente da<br \/>\nforma como este se lhe apresenta (vale lembrar que aceitar n\u00e3o implica em concordar),<br \/>\neste se sente aceito e por isso mesmo, mais livre e disposto para experimentar<br \/>\nmovimentos de mudan\u00e7a naturalmente. Na perspectiva da empatia acurada, h\u00e1 o convite<br \/>\nde que o profissional se interesse verdadeiramente pelo cliente e procure se esfor\u00e7ar<br \/>\nintensamente para compreend\u00ea-lo. A empatia acurada n\u00e3o consiste na identifica\u00e7\u00e3o do<br \/>\nprofissional com o cliente, tampouco em sentimentos que remetam \u00e0 piedade ou \u00e0<br \/>\ncamaradagem. Consiste no real envolvimento. Contudo, para que o profissional consiga<br \/>\nverdadeiramente ajudar seu cliente, ele deve se envolver ativamente com a sua hist\u00f3ria &#8211;<br \/>\no que ele n\u00e3o deve \u00e9 misturar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria com a hist\u00f3ria de quem pretende<br \/>\najudar. N\u00e3o cabe ao profissional o julgamento, tampouco a imposi\u00e7\u00e3o ou influ\u00eancia de<br \/>\nsuas pr\u00f3prias ideias. O julgamento, bem como outras abordagens, faz com que o<br \/>\nprofissional n\u00e3o escute o cliente e sim, a si mesmo (aos seus pr\u00f3prios valores,<br \/>\npercep\u00e7\u00f5es do que seja certo ou errado, melhor ou pior para o outro, suposi\u00e7\u00f5es e\/ou<br \/>\ninterpreta\u00e7\u00f5es). Este processo faz com que o profissional atue com uma interven\u00e7\u00e3o<br \/>\nprescritiva. A proposta da EM \u00e9 que, no final das contas, o cliente escute a si mesmo e<br \/>\nse d\u00ea conta de suas motiva\u00e7\u00f5es e ambival\u00eancias, assumindo uma decis\u00e3o perante seu<br \/>\ncomportamento de risco. Para que o processo de aceita\u00e7\u00e3o se fortale\u00e7a, os autores<br \/>\nsugerem ainda a necessidade de fortalecer o apoio \u00e0 autonomia, na medida em que o<br \/>\nprofissional respeita a autonomia do cliente e reconhece sua capacidade de direcionar a<br \/>\npr\u00f3pria vida. Para alguns profissionais este movimento pode ser dif\u00edcil de ser feito,<br \/>\nquando o cliente pode fazer escolhas e tomar atitudes que, na vis\u00e3o do profissional, n\u00e3o<br \/>\ncorresponderia ao que haveria de melhor para o seu cliente. Mesmo motivado por boas<br \/>\ninten\u00e7\u00f5es, agindo desta forma o profissional corre o risco de induzir, coagir ou controlar<br \/>\no cliente, desconstruindo assim, o processo de aceita\u00e7\u00e3o. Finalmente, para a EM a<br \/>\naceita\u00e7\u00e3o se completa quando h\u00e1 o movimento de afirma\u00e7\u00e3o pelo profissional, quando<br \/>\neste busca reconhecer os pontos fortes da pessoa e refor\u00e7\u00e1-los de forma positiva.<br \/>\n3. Evoca\u00e7\u00e3o: Evocar as for\u00e7as que motivam a pessoa, ao inv\u00e9s de persuadir.<br \/>\nEvocar quer dizer lembrar, recordar. Motiva\u00e7\u00e3o vem de motivo, que quer dizer aquilo<br \/>\nque pode fazer mover, motor que causa ou determina alguma coisa. A motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 um<br \/>\nrecurso interno. A evoca\u00e7\u00e3o traz a proposta de ajudar o cliente a se recordar de<br \/>\nelementos pr\u00f3prios e \u00fanicos que podem se tornar motivos para que haja uma mudan\u00e7a<br \/>\nde comportamento. Neste sentido, os autores da EM chamam \u00e0 aten\u00e7\u00e3o para que os<br \/>\nprofissionais tomem cuidado e n\u00e3o se deixem influenciar por uma conduta na qual<br \/>\nintitulam &#8220;reflexo de endireitamento&#8221;), que seria o desejo do profissional de tentar<br \/>\ncorrigir no outro aquilo que lhe parece errado, modificando o curso das a\u00e7\u00f5es a partir de<br \/>\nsuas pr\u00f3prias perspectivas ou do local de trabalho. Muitos modelos de aconselhamento<br \/>\npartem do princ\u00edpio de que h\u00e1 algum d\u00e9ficit na pessoa, que justificaria a sua busca de<br \/>\najuda profissional. A EM vai em dire\u00e7\u00e3o oposta a este modelo, uma vez que parte do<br \/>\npressuposto de que quem tem a verdade ou as respostas para os questionamentos \u00e9 o<br \/>\npr\u00f3prio cliente; cabe ao profissional evocar estas informa\u00e7\u00f5es e empoderar o indiv\u00edduo<br \/>\nquanto a este saber de si mesmo.<br \/>\n4. Compaix\u00e3o: Promover ativamente o bem-estar do outro, priorizando suas<br \/>\nnecessidades. A compaix\u00e3o pode ser compreendida como um meio de tentar fazer o<br \/>\nprofissional se aproximar mais verdadeiramente da pessoa e n\u00e3o do problema dela. Uma<br \/>\nvez que o profissional consegue ter acesso \u00e0 unicidade de cada um, torna-se poss\u00edvel<br \/>\numa melhor compreens\u00e3o das complexidades individuais que dificultam as mudan\u00e7as<br \/>\nde comportamento. \u00c9 um ato de aproximar-se para verdadeiramente ajudar. Os autores<br \/>\nrefor\u00e7am o convite para &#8220;colocar a m\u00e3o na massa&#8221; JUNTO com a pessoa e n\u00e3o PELA<br \/>\npessoa.<br \/>\nOs Processos da Entrevista Motivacional<br \/>\nA EM atualmente \u00e9 descrita na conflu\u00eancia de quatro processos que s\u00e3o<br \/>\napresentados sequencialmente e devem ser visualizados sob a forma de degraus, a saber:<br \/>\nEngajamento: consiste na constru\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a terap\u00eautica. Quando o<br \/>\nprofissional consegue estabelecer uma boa alian\u00e7a terap\u00eautica com o cliente, h\u00e1 mais<br \/>\nengajamento no tratamento, possibilitando que haja uma maior ades\u00e3o ao mesmo. Aqui,<br \/>\no engajamento \u00e9 definido como um processo de constru\u00e7\u00e3o em uma rela\u00e7\u00e3o de ajuda,<br \/>\nque busca uma solu\u00e7\u00e3o para o problema apontado. Esta rela\u00e7\u00e3o \u00e9 pautada no respeito e<br \/>\nna confian\u00e7a m\u00fatuos. O cliente engajado n\u00e3o \u00e9 passivo ao seu pr\u00f3prio processo de<br \/>\nmudan\u00e7a.<br \/>\nFoco: a constru\u00e7\u00e3o do foco est\u00e1 no desenvolvimento e manuten\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o<br \/>\nespec\u00edfica da conversa para a mudan\u00e7a. O cliente durante o atendimento pode estar<br \/>\nmuitas vezes envolto em uma s\u00e9rie de acontecimentos e sua tend\u00eancia pode ser a de se<br \/>\nconcentrar nos sintomas ou nos fatos mais recentes que o levaram at\u00e9 ali,<br \/>\nsubvalorizando ou at\u00e9 mesmo desconhecendo o fator &#8220;causa&#8221;. Cabe ao profissional se<br \/>\npreocupar em manter o foco durante o atendimento, para que a conversa n\u00e3o se perca no<br \/>\nmeio do caminho. Manter o foco na conversa ajuda na elabora\u00e7\u00e3o e no resgate do<br \/>\nsentido, bem como possibilita a constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a.<br \/>\nEvoca\u00e7\u00e3o: evocar consiste no movimento do profissional de extrair da pessoa os<br \/>\npr\u00f3prios sentimentos concernentes ao prop\u00f3sito de mudan\u00e7a. Esta \u00e9 a ess\u00eancia da EM.<br \/>\nTodas as conclus\u00f5es ou caminhos a serem percorridos, devem ser uma conclus\u00e3o que o<br \/>\ncliente alcan\u00e7a sozinho, com o aux\u00edlio do profissional e n\u00e3o com a sua indu\u00e7\u00e3o. A<br \/>\nresposta para as quest\u00f5es deve ao final, sair da boca do cliente, como se fosse realmente<br \/>\numa grande descoberta!<br \/>\nPlanejamento: o planejamento est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o do movimento de &#8220;quando&#8221; e<br \/>\n&#8220;como&#8221; mudar. Tomando-se como base os est\u00e1gios de prontid\u00e3o para a mudan\u00e7a, h\u00e1 um<br \/>\nmomento em que o cliente diminui os seus questionamentos e come\u00e7a a se preparar para<br \/>\numa tomada de atitude. Neste momento, o planejamento \u00e9 fundamental, uma vez que<br \/>\ndesenvolve a formula\u00e7\u00e3o de um plano de a\u00e7\u00e3o espec\u00edfico, podendo encorajar o cliente a<br \/>\naumentar seu compromisso com a mudan\u00e7a. A constru\u00e7\u00e3o do planejamento n\u00e3o deve ser<br \/>\nprescrito e sim, evocado do cliente; da mesma forma, n\u00e3o deve ser pontual e deve ser<br \/>\nsempre revisto. Quando h\u00e1 ensaios rumo ao movimento para a mudan\u00e7a, o<br \/>\nplanejamento torna o cliente mais seguro, uma vez que promove sentimentos de autoefic\u00e1cia<br \/>\npautados na sua autonomia e nas suas tomadas de decis\u00f5es.<br \/>\nMetodologia da Entrevista Motivacional<br \/>\nEmbora a reflex\u00e3o seja a estrat\u00e9gia-chave na EM, \u00e9 importante salientar que a<br \/>\nmetodologia n\u00e3o consiste apenas no uso de reflex\u00f5es. A metodologia consiste na<br \/>\nutiliza\u00e7\u00e3o de reflex\u00f5es, refor\u00e7os positivos, resumos e perguntas abertas em uma rela\u00e7\u00e3o<br \/>\nde no m\u00ednimo 2:1, ou seja, a utiliza\u00e7\u00e3o de cada duas estrat\u00e9gias para cada pergunta, com<br \/>\nprefer\u00eancia das reflex\u00f5es. Nesta rela\u00e7\u00e3o, para cada vez que o profissional escolher fazer<br \/>\numa pergunta aberta, as outras duas estrat\u00e9gias dever\u00e3o ser, preferencialmente, qualquer<br \/>\ndas outras dispon\u00edveis. Neste contexto, as perguntas s\u00e3o utilizadas em menor propor\u00e7\u00e3o<br \/>\nporque espera-se que todas as estrat\u00e9gias possam gerar mais reflex\u00e3o no cliente. A<br \/>\npr\u00f3pria reflex\u00e3o do cliente possibilita que ele fale mais do que o profissional e tenha<br \/>\noportunidade de ouvir a si mesmo &#8211; muito mais do que ao profissional &#8211; de descobrir<br \/>\ncoisas por si mesmo e, ao final, perceber que \u00e9 capaz de discernir, fazer escolhas, tomar<br \/>\ndecis\u00f5es e agir. Mesmo com estas possibilidades de estrat\u00e9gias a serem utilizadas por<br \/>\nparte do profissional, o protagonismo deve ser sempre do pr\u00f3prio cliente. As estrat\u00e9gias<br \/>\npodem ser definidas sob o acr\u00f4nimo PARR.<br \/>\nFazer Perguntas Abertas: uma boa maneira de come\u00e7ar a terapia \u00e9 fazer as<br \/>\nperguntas de modo que encoraje o cliente a falar o m\u00e1ximo poss\u00edvel. As perguntas<br \/>\nabertas s\u00e3o aquelas que n\u00e3o podem ser respondidas facilmente com uma palavra ou<br \/>\nfrase simples. Fazer perguntas abertas \u00e9 um convite ao cliente para que ele possa refletir<br \/>\ne elaborar, uma vez que, para a EM, n\u00e3o \u00e9 a resposta para aquilo que o profissional quer<br \/>\nsaber, que \u00e9 o mais importante.<br \/>\nRefletir: Trata-se da principal estrat\u00e9gia na EM e deve constituir uma propor\u00e7\u00e3o<br \/>\nsubstancial durante a fase inicial da EM, principalmente entre os pr\u00e9contempladores e<br \/>\nos contempladores. O elemento crucial na escuta reflexiva \u00e9 como o profissional<br \/>\nresponde ao que o cliente diz. Para que a escuta reflexiva ocorra, esse processo deve ser<br \/>\nhorizontal, objetivo e direto. Ao refletir, o profissional se coloca na rela\u00e7\u00e3o, mas ao<br \/>\nmesmo tempo, deve ser fiel ao que o cliente disse. Por este motivo, a EM n\u00e3o trabalha<br \/>\ncom interpreta\u00e7\u00e3o. As rela\u00e7\u00f5es com o cliente s\u00e3o aut\u00eanticas e deve permitir que ele<br \/>\nexprima abertamente seus sentimentos e atitudes sobre o seu comportamento e o<br \/>\nprocesso mudan\u00e7a. Oferecer uma escuta reflexiva requer treinamento e pr\u00e1tica para<br \/>\npensar reflexivamente.<br \/>\nAfirmar \u2013 Refor\u00e7o Positivo: O refor\u00e7o positivo tamb\u00e9m tem seu lugar no<br \/>\ntratamento, sendo isso uma das peculiaridades na EM. Pode ser realizado atrav\u00e9s de<br \/>\napoio e oferecimento de aprecia\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o por parte do profissional. \u00c9<br \/>\nimportante ter em mente a ideia de reconhecer comportamentos, situa\u00e7\u00f5es ou<br \/>\npensamentos que ocorram na rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica ou que o profissional tenha evid\u00eancias<br \/>\nconcretas de sua exist\u00eancia, pois, caso contr\u00e1rio, o refor\u00e7o positivo pode funcionar<br \/>\ncomo uma barreira para escutar o cliente se n\u00e3o for verdadeiro. Podemos utilizar uma<br \/>\nmet\u00e1fora, no qual o profissional pode enxergar o copo meio vazio ou o copo meio cheio<br \/>\n&#8211; no refor\u00e7o positivo, h\u00e1 o reconhecimento do copo meio cheio, valorizando o que j\u00e1 foi<br \/>\nconquistado at\u00e9 o momento. O refor\u00e7o n\u00e3o pode ser uma forma de indu\u00e7\u00e3o; desta forma,<br \/>\nvale ressaltar que quem produz mudan\u00e7as \u00e9 o cliente e n\u00e3o o profissional. Esta<br \/>\nperspectiva convida a uma mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica comum a muitas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas,<br \/>\nque utilizam a interven\u00e7\u00e3o contra o fato negativo, com a cren\u00e7a de que, confrontando o<br \/>\nque est\u00e1 &#8220;ruim&#8221;, &#8220;errado&#8221; ou &#8220;mal&#8221;, o cliente ter\u00e1 mais condi\u00e7\u00f5es de se mover em<br \/>\ndire\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a. O refor\u00e7o positivo \u00e9 uma forma de apoio aut\u00eantico, de incentivo e<br \/>\nde verdadeiro reconhecimento daquilo que h\u00e1 de valor em cada ser humano &#8211; e n\u00e3o de<br \/>\noferecer um mero elogio.<br \/>\nResumo: Resumos podem ser utilizados para conectar os assuntos que foram<br \/>\ndiscutidos, demonstrando que voc\u00ea escutou o cliente, al\u00e9m de funcionarem como<br \/>\nestrat\u00e9gia did\u00e1tica para que o cliente possa organizar suas ideias. Em um atendimento<br \/>\nonde h\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a terap\u00eautica e o cliente se sente seguro e \u00e0 vontade<br \/>\npara promover &#8220;uma tempestade de ideias&#8221;, nem sempre ele consegue alcan\u00e7ar a<br \/>\ndimens\u00e3o de tudo aquilo que ele pr\u00f3prio disse. Estas conex\u00f5es n\u00e3o precisam se dar<br \/>\nexclusivamente com os assuntos do mesmo atendimento; ao contr\u00e1rio, o profissional<br \/>\ntem liberdade, quando ver esta necessidade, de resumir um processo, n\u00e3o somente uma<br \/>\nfala, permitindo ao cliente a oportunidade de perceber que de fato h\u00e1 um interesse e um<br \/>\nacompanhamento por parte do profissional. O cliente pode ver que o profissional &#8220;n\u00e3o<br \/>\nse esquece das coisas que ele disse&#8221;.<br \/>\nInformar e Aconselhar: A EM entende que o manejo de clientes ambivalentes no<br \/>\naux\u00edlio ao movimento para a mudan\u00e7a \u00e9 bastante particular e por este motivo, requer<br \/>\ninterven\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Neste contexto, percebe-se como err\u00f4nea a cren\u00e7a de que o<br \/>\nprofissional n\u00e3o pode aconselhar ou fornecer informa\u00e7\u00f5es aos clientes. Os clientes<br \/>\nambivalentes em uma abordagem completamente n\u00e3o diretiva podem se sentir confusos<br \/>\nou inseguros. Por este motivo, a EM encoraja os profissionais a fornecerem informa\u00e7\u00f5es<br \/>\ne conselhos, principalmente quando os clientes pedirem, desde que estas sejam<br \/>\nimportantes e complementares ao processo de constru\u00e7\u00e3o e descoberta deles.<br \/>\nArmadilhas<br \/>\nA premissa, na fase inicial da terapia, \u00e9 a de que o cliente est\u00e1 ambivalente. Uma<br \/>\nvez que a ambival\u00eancia tenha sido entendida e ultrapassada, a pessoa estar\u00e1 mais<br \/>\npr\u00f3xima de tomar a decis\u00e3o de mudar. \u00c9 comum, na fase inicial do tratamento, surgirem<br \/>\narmadilhas. A primeira sess\u00e3o \u00e9 crucial e determina o tom e as expectativas para a<br \/>\nterapia. Como vimos, as a\u00e7\u00f5es do terapeuta podem ter uma influ\u00eancia poderosa sobre a<br \/>\nresist\u00eancia do cliente e sobre os resultados em longo prazo. \u00c9, portanto, importante<br \/>\nadotar a abordagem adequada desde o in\u00edcio e evitar cair em algumas armadilhas que<br \/>\npodem comprometer o progresso do cliente no tratamento.<br \/>\nArmadilha da Avalia\u00e7\u00e3o: o cotidiano do profissional que auta tanto em<br \/>\ninstitui\u00e7\u00f5es quanto no desenvolvimento do trabalho aut\u00f4nomo, demanda que, muitas<br \/>\nvezes, haja a necessidade do preenchimento de fichas, protocolos e bateria de testes. A<br \/>\npreocupa\u00e7\u00e3o do profissional em atender a demanda de fazer uma anamnese completa,<br \/>\npode criar uma esfera que deixa o cliente passivo e o profissional ativo, uma vez que ele<br \/>\npassa a ser o detentor do poder de direcionar as perguntas para aquilo que ele pr\u00f3prio<br \/>\nquer ou precisa saber. Esta armadilha traz muitas desvantagens, uma vez que<br \/>\ndesempodera o cliente, fazendo assim um movimento oposto ao esp\u00edrito da EM. Este<br \/>\ndesempoderamento pode dificultar a constru\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a terap\u00eautica e deixar o cliente<br \/>\nem uma posi\u00e7\u00e3o acomodada de limitar-se a responder aos questionamentos do<br \/>\nprofissional. Contudo, vale ressaltar que a Avalia\u00e7\u00e3o pode e deve ser utilizada dentro de<br \/>\numa atmosfera de fornecer informa\u00e7\u00f5es e subs\u00eddios para que o cliente realize seu<br \/>\nprocesso de mudan\u00e7a.<br \/>\nArmadilha do Especialista: o terapeuta entusiasmado e competente pode dar a<br \/>\nimpress\u00e3o de que tem todas as respostas, conduzindo o cliente a um papel passivo. A<br \/>\nEM tem como objetivo dar ao cliente a oportunidade de explorar e resolver sua<br \/>\nambival\u00eancia por si mesmo. Haver\u00e1 momentos para a opini\u00e3o do especialista, mas o<br \/>\nfoco deve ser o de estimular a motiva\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio cliente. Para a EM \u00e9 err\u00f4nea a ideia<br \/>\nde que \u00e9 o profissional quem deve estar no controle. Esta cren\u00e7a n\u00e3o se aplica porque<br \/>\nem um processo terap\u00eautico a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de poder. Desta forma, o profissional n\u00e3o<br \/>\nprecisa se preocupar para investigar uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es para emitir um parecer,<br \/>\num diagn\u00f3stico ou dizer ao cliente o que ele precisa fazer. Esta perspectiva torna a<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o desigual.<br \/>\nArmadilha da Rotula\u00e7\u00e3o: profissional e cliente tamb\u00e9m podem ser facilmente<br \/>\nseduzidos pela quest\u00e3o da rotula\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica. Muitas vezes, pode haver um processo<br \/>\nsubjacente de briga por poder, na qual o profissional busca afirmar seu controle e<br \/>\nconhecimento ou uma comunica\u00e7\u00e3o de julgamento. Outras vezes, o profissional \u00e9<br \/>\nqualificado de modo a compreender que, para que possa utilizar seu saber em prol do<br \/>\ncliente, deve dar algum nome para a situa\u00e7\u00e3o com a qual se depara no momento. Para<br \/>\nalguns clientes, por outro lado, at\u00e9 mesmo pequenas frases aparentemente inofensivas,<br \/>\ncomo &#8220;seu problema com&#8230;&#8221;, podem gerar sentimentos de press\u00e3o e desconforto,<br \/>\nevocando uma resist\u00eancia prejudicial ao progresso. Os problemas podem ser<br \/>\ninteiramente explorados sem o uso de r\u00f3tulos. Muitas vezes, a preocupa\u00e7\u00e3o pode ser do<br \/>\ncliente e a nossa resposta pode ser muito importante. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 motivos para<br \/>\ndesencorajar os clientes a aceitarem um diagn\u00f3stico, se estiverem inclinados a isso.<br \/>\nNossa \u00eanfase \u00e9 n\u00e3o entrar em discuss\u00f5es quanto a r\u00f3tulos.<br \/>\nArmadilha do Foco Prematuro: n\u00e3o \u00e9 incomum que o profissional queira<br \/>\nconcentrar-se logo de imediato nas quest\u00f5es relacionadas ao uso abusivo de<br \/>\n\u00e1lcool\/drogas, enquanto o cliente quer discutir outras quest\u00f5es. Neste momento, o<br \/>\nprofissional pode de equivocar, preocupando-se primeiro em resolver o problema que<br \/>\nlhe \u00e9 demandado para depois come\u00e7ar a estabelecer uma alian\u00e7a terap\u00eautica com o<br \/>\ncliente. O importante \u00e9 evitar o envolvimento em disputas quanto ao t\u00f3pico mais<br \/>\nadequado para as primeiras conversas. Come\u00e7ar pelas preocupa\u00e7\u00f5es do cliente evitar\u00e1<br \/>\nque essa armadilha aconte\u00e7a.<br \/>\nArmadilha da Culpa: Outra armadilha muito comum encontrada nas primeiras<br \/>\nsess\u00f5es \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o do cliente com a causa do problema ou o culpado por este, que,<br \/>\nse n\u00e3o for tratada adequadamente, poder\u00e1 tomar muito tempo e energia em atitudes de<br \/>\ndefesa. A chave, aqui, \u00e9 que a culpa \u00e9 irrelevante e isso pode ser enfrentado com o<br \/>\naux\u00edlio e a reformula\u00e7\u00e3o das preocupa\u00e7\u00f5es do cliente. Uma explica\u00e7\u00e3o estruturada<br \/>\noferecida no in\u00edcio da terapia tamb\u00e9m pode ser \u00fatil, uma vez que, se o cliente tiver um<br \/>\nentendimento claro dos objetivos do trabalho, as quest\u00f5es sobre a culpa podem ser<br \/>\nevitadas.<br \/>\nArmadilha do Bate Papo: ap\u00f3s conhecer o esp\u00edrito da EM ou mesmo animados<br \/>\ncom as perspectivas humanistas, o profissional pode se entusiasmar no desejo intenso de<br \/>\nconstruir uma alian\u00e7a terap\u00eautica com o cliente e cair neste tipo de armadilha. O cliente<br \/>\nambivalente, particularmente o pr\u00e9-contemplativo e os contemplativo, pode trazer para<br \/>\no atendimento assuntos amenos, que nada t\u00eam \u00e0 ver com a proposta de trabalho. Ceder \u00e0<br \/>\n&#8220;conversa fiada&#8221; pode ser educado e at\u00e9 estrat\u00e9gico para que o cliente se sinta \u00e0<br \/>\nvontade; contudo, cabe ao profissional ficar atento para que este tipo de conversa se<br \/>\nestenda por muito tempo. Estudos apontam que atendimentos que tinham tempos<br \/>\nelevados de conversa informal entre profissional e cliente, predispuseram que estes<br \/>\napresentassem n\u00edveis mais baixos de motiva\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a e ades\u00e3o ao tratamento.<br \/>\nEquil\u00edbrio e Equanimidade<br \/>\nA EM traz a ideia de equanimidade que remete \u00e0 perspectiva do aconselhamento<br \/>\ncom neutralidade. Partindo de sua base conceitual, a EM tem como base evocar os<br \/>\nmotivos para a mudan\u00e7a. Desta forma, a neutralidade j\u00e1 estaria, em si mesma, impl\u00edcita.<br \/>\nContudo, pode haver casos mais urgentes e graves, onde o fator tempo para a decis\u00e3o,<br \/>\npor exemplo, precisa ser considerado. Nestes casos, uma abordagem completamente n\u00e3o<br \/>\ndiretiva poderia n\u00e3o ter validade e n\u00e3o auxiliar o indiv\u00edduo em processos de mudan\u00e7a.<br \/>\nO esp\u00edrito de EM indica um tipo de equanimidade como uma caracter\u00edstica geral<br \/>\ndesta pr\u00e1tica. Esta qualidade por parte do profissional \u00e9 bastante diferente da escolha<br \/>\nconsciente de aspira\u00e7\u00e3o por parte do profissional: atuar estrategicamente em dire\u00e7\u00e3o a<br \/>\nobjetivo particular mudan\u00e7a no cliente, ou intencionalmente manter a neutralidade com<br \/>\nrela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as de objetivos do cliente (equil\u00edbrio). Ambas as escolhas que<br \/>\nenvolvem a equanimidade, e exigem aten\u00e7\u00e3o intencional, consciente e habilidades<br \/>\ninterpessoais.<br \/>\n\u00c9 importante distinguir equil\u00edbrio de equanimidade. A equanimidade \u00e9 uma<br \/>\nesp\u00e9cie de presen\u00e7a que gostar\u00edamos de ter como parte do esp\u00edrito da entrevista<br \/>\nmotivacional, n\u00e3o importa o que estamos fazendo. Como equil\u00edbrio, estamos falando de<br \/>\numa situa\u00e7\u00e3o particular que tem a ver com a aspira\u00e7\u00e3o do profissional \u00e0 pergunta:<br \/>\n&#8220;Devo proceder estrategicamente para favorecer a resolu\u00e7\u00e3o da ambival\u00eancia em uma<br \/>\ndire\u00e7\u00e3o particular?&#8221;. A EM foi originalmente desenvolvida para o profissional que tem a<br \/>\ninten\u00e7\u00e3o de resolver a ambival\u00eancia em uma determinada dire\u00e7\u00e3o. O termo &#8220;equil\u00edbrio&#8221;<br \/>\nn\u00e3o faz qualquer sentido at\u00e9 que se tenha um objetivo de mudan\u00e7a, porque \u00e9 equil\u00edbrio<br \/>\nsobre algo. Exemplo: &#8220;Eu estou disposto a perseguir aspira\u00e7\u00f5es de mover meu cliente<br \/>\nem uma determinada dire\u00e7\u00e3o?&#8221;. O equil\u00edbrio envolve uma escolha consciente do que<br \/>\nvoc\u00ea almeja ou n\u00e3o. Agora, se voc\u00ea muda sua escolha em favor do que o cliente lhe<br \/>\ncomunica, estamos falando em equanimidade e ambas as situa\u00e7\u00f5es envolvem<br \/>\nequanimidade. Ambas envolvem uma abordagem colaborativa, reconhecendo que \u00e9 o<br \/>\ncliente que toma a decis\u00e3o.<br \/>\nPara clarificar o conceito de equanimidade: Imagine uma situa\u00e7\u00e3o onde o cliente<br \/>\nesteja ambivalente quanto a divorciar-se ou manter-se casado ou fazer uma eutan\u00e1sia,<br \/>\npor exemplo. S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es complexas e suas decis\u00f5es s\u00e3o dif\u00edceis de serem tomadas,<br \/>\nporque suas conseq\u00fc\u00eancias s\u00e3o em grande propor\u00e7\u00e3o, independentemente da dire\u00e7\u00e3o<br \/>\nescolhida. S\u00e3o decis\u00f5es que envolvem valores individuais e nestes casos, o profissional<br \/>\npode escolher e posicionar-se, de forma consciente, a n\u00e3o auxiliar no processo de<br \/>\ntomada de decis\u00e3o, mas respeitando os princ\u00edpios \u00e9ticos da respectiva atua\u00e7\u00e3o<br \/>\nprofissional de modo que o cliente possa tomar a decis\u00e3o mais apropriada a sua<br \/>\nsitua\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQual seria ent\u00e3o o papel do profissional de EM quando se depara com este tipo de<br \/>\nsitua\u00e7\u00e3o? Nestes casos, a EM fornece v\u00e1rios outros subs\u00eddios que auxiliam o<br \/>\nprofissional a permanecer auxiliando o cliente no seu processo de tomada de decis\u00e3o,<br \/>\nevocando do cliente de forma equilibrada os pr\u00f3s e os contras, as vantagens e<br \/>\ndesvantagens do contexto. Para muitos casos, este processo de sele\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise j\u00e1 \u00e9<br \/>\nsuficiente para que o cliente possa se empoderar de mais ferramentas para obter<br \/>\nreflex\u00f5es e elabora\u00e7\u00f5es mais consistentes. Por\u00e9m, vale lembrar que o profissional deve<br \/>\nsempre manter-se alerta para incorrer na armadilha de, inadvertidamente ou at\u00e9 mesmo<br \/>\ninconscientemente, defender ou promover algum dos lados em quest\u00e3o.<br \/>\nEngajamento<br \/>\nPesquisas sobre psicoterapia e qualidade da alian\u00e7a terap\u00eautica, particularmente<br \/>\npercebidas pelo cliente, mostram que h\u00e1 uma expectativa acerca de resultados. Os<br \/>\nclientes que est\u00e3o mais engajados s\u00e3o mais propensos a aderir ao tratamento e a<br \/>\nqualidade da alian\u00e7a terap\u00eautica pode influenciar positivamente nestes resultados. O<br \/>\nengajamento de uma alian\u00e7a terap\u00eautica, que j\u00e1 pode come\u00e7ar a ser constru\u00eddo a partir<br \/>\ndo primeiro atendimento, envolve o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e de<br \/>\nrespeito m\u00fatuo de trabalho, acordo sobre metas de tratamento e a colabora\u00e7\u00e3o em<br \/>\ntarefas mutuamente negociadas para alcan\u00e7ar estes objetivos. Para a EM, o engajamento<br \/>\nconsiste em uma confiante e respeitosa rela\u00e7\u00e3o de ajuda, cujo processo terap\u00eautico \u00e9<br \/>\nconstru\u00eddo mutuamente. Neste contexto, tamb\u00e9m se faz necess\u00e1rio compreender a<br \/>\nambival\u00eancia como a percep\u00e7\u00e3o do cliente sobre a import\u00e2ncia que ele atribui \u00e0<br \/>\nmudan\u00e7a, bem como qu\u00e3o confiante se sente para a realiza\u00e7\u00e3o dessa mudan\u00e7a.<br \/>\nNa constru\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a terap\u00eautica, o cliente pode fazer alguns<br \/>\nquestionamentos: &#8220;Eu me sinto respeitado por este profissional?&#8221;; &#8220;Ser\u00e1 que este<br \/>\nprofissional me ouve e me entende?&#8221;; &#8220;Confio nesta pessoa?&#8221;; &#8220;Este profissional parece<br \/>\nestar mais disposto a negociar, ao inv\u00e9s de ditar o que eu tenho que fazer?&#8221;. Algumas<br \/>\narmadilhas s\u00e3o apresentadas a fim de alertar o profissional e evitar que elas aconte\u00e7am,<br \/>\npor dificultarem o processo de constru\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a terap\u00eautica.<br \/>\nContatos P\u00f3s-consulta<br \/>\nO risco de um cliente abandonar o tratamento ap\u00f3s a primeira consulta \u00e9 superior<br \/>\na 50%. As estrat\u00e9gias descritas anteriormente contribuem muito para que isso n\u00e3o<br \/>\naconte\u00e7a, mas uma medida adicional aumenta significativamente a taxa de clientes que<br \/>\nd\u00e3o continuidade ao tratamento: um simples contato p\u00f3s-consulta, que aumenta a taxa<br \/>\nde retorno em mais de seis vezes. Ou seja, uma simples express\u00e3o de preocupa\u00e7\u00e3o e<br \/>\nafeto pode ter importante efeito na motiva\u00e7\u00e3o do cliente para retornar ao tratamento.<br \/>\nNegociando um Plano de A\u00e7\u00e3o<br \/>\nAs respostas do cliente \u00e0s perguntas abertas e a provis\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e<br \/>\norienta\u00e7\u00f5es podem come\u00e7ar a dar origem a um plano de mudan\u00e7a e o seu<br \/>\ndesenvolvimento: envolve determina\u00e7\u00e3o de metas, an\u00e1lise das op\u00e7\u00f5es e montagem de<br \/>\num plano:<br \/>\nDetermina\u00e7\u00e3o de metas: o primeiro passo \u00e9 determinar metas claras, com<br \/>\nperguntas-chave (como voc\u00ea gostaria que as coisas fossem diferentes? Se tivesse certeza<br \/>\nde sucesso total, o que mudaria?). Mais uma vez: as metas devem ser do pr\u00f3prio cliente.<br \/>\n\u00c9 mais indicada uma forte alian\u00e7a de trabalho e come\u00e7ar pelo que \u00e9 importante para ele.<br \/>\nS\u00e3o muito comuns situa\u00e7\u00f5es em que o terapeuta quer abstin\u00eancia total e o cliente se<br \/>\nrecusa ou resiste. O importante \u00e9 acompanhar o cliente, definindo metas aceit\u00e1veis e<br \/>\nvi\u00e1veis que representem progressos no caminho para a recupera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAn\u00e1lise das op\u00e7\u00f5es: uma vez que as metas estejam claras e definidas, conv\u00e9m<br \/>\nanalisar os meios de alcan\u00e7\u00e1-las. Nesse ponto, devemos fazer uma revis\u00e3o das<br \/>\nmodalidades de tratamento dispon\u00edveis. No tratamento das depend\u00eancias qu\u00edmicas n\u00e3o<br \/>\nexiste uma \u00fanica abordagem destacadamente eficaz. Existe uma literatura crescente<br \/>\nsobre como adequar as estrat\u00e9gias de tratamento ao cliente e ter familiaridade com elas<br \/>\n\u00e9 importante para ajud\u00e1-lo a selecionar a mais correta. Apesar disso, essa primeira<br \/>\nescolha pode n\u00e3o ser a melhor e \u00e9 importante preparar o cliente para a possibilidade de<br \/>\nmudan\u00e7as ou adapta\u00e7\u00f5es ao longo do caminho.<br \/>\nElabora\u00e7\u00e3o de um plano de mudan\u00e7a: pode ser \u00fatil preencher com o cliente um<br \/>\nformul\u00e1rio com o plano de mudan\u00e7a. O resumo do plano nos conduz diretamente \u00e0<br \/>\nquest\u00e3o do comprometimento e isso envolve obter a aprova\u00e7\u00e3o e a concord\u00e2ncia do<br \/>\ncliente quanto ao plano e decidir sobre os pr\u00f3ximos passos a serem dados. Isso pode ser<br \/>\nfeito com uma simples pergunta: &#8220;\u00e9 isso que voc\u00ea quer?&#8221;. Tamb\u00e9m pode ser \u00fatil<br \/>\nexplorar dificuldades e relut\u00e2ncia. A experi\u00eancia mostra que tornar p\u00fablico um plano de<br \/>\na\u00e7\u00e3o aumenta o comprometimento. Esse plano pode ser divulgado para o c\u00f4njuge (se o<br \/>\ntiver e se estiver presente) e para outros membros da equipe, por meio de telefonemas<br \/>\ndados do pr\u00f3prio consult\u00f3rio. Se o cliente sentir que ter\u00e1 dificuldades, podemos fazer<br \/>\num ensaio. Mas lembre-se: ele precisa consentir e querer.<br \/>\nCom frequ\u00eancia, durante essa fase, os clientes pedem orienta\u00e7\u00f5es ou ideias e \u00e9<br \/>\napropriado oferec\u00ea-las nesse momento. Conv\u00e9m, por\u00e9m, n\u00e3o ficarmos muito ansioso ao<br \/>\noferecer conselhos e esperar por um convite direto. As orienta\u00e7\u00f5es devem ser dadas de<br \/>\nmaneira impessoal, permitindo ao cliente julgar como se adequam \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o. Por<br \/>\nesse motivo, \u00e9 \u00fatil oferecermos um conjunto de op\u00e7\u00f5es (aumenta a sensa\u00e7\u00e3o de<br \/>\nliberdade de escolha do cliente, aspecto importante para a ades\u00e3o).<br \/>\nEfic\u00e1cia da Entrevista Motivacional<br \/>\nNa primeira revis\u00e3o metanal\u00edtica sobre a efic\u00e1cia da EM breve exclusivamente<br \/>\npara problemas relacionados com o \u00e1lcool, Vasilaki e outros compararam 15 ensaios<br \/>\ncl\u00ednicos, randomizados, para medir sua efic\u00e1cia, comparando-a ao n\u00e3o tratamento e<br \/>\ntamb\u00e9m a tratamentos semelhantes (Vasilaki, E.I., Hosier, S.G. &amp; Cox, M., 2006).<br \/>\nNessa revis\u00e3o metanal\u00edtica, as pesquisas que compararam a EM breve de dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia<br \/>\nde 87min com a aus\u00eancia de tratamento tiveram resultados estat\u00edsticos significativos e<br \/>\nsuperiores a favor da EM breve na redu\u00e7\u00e3o do consumo do \u00e1lcool em usu\u00e1rios nocivos<br \/>\nem avalia\u00e7\u00e3o de curto prazo (tr\u00eas meses ou menos). As pesquisas que compararam a<br \/>\nEM breve de 53min com outros tratamentos semelhantes comprovaram que a primeira \u00e9<br \/>\nmais eficaz do que qualquer outro tipo de interven\u00e7\u00e3o (terapia cognitivocomportamental,<br \/>\naconselhamento diretivo confrontativo, aconselhamento baseado em<br \/>\nhabilidades, interven\u00e7\u00e3o educacional). Esse estudo tamb\u00e9m chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que a<br \/>\nEM breve \u00e9 eficaz tanto para pac<br \/>\nnovos conceitos. A partir de um aconselhamento diretivo, ajuda na resolu\u00e7\u00e3o de<br \/>\nproblemas que envolvem sentimentos como a ambival\u00eancia e, assim, \u00e9 \u00fatil com pessoas<br \/>\nque t\u00eam dificuldades para promover mudan\u00e7as de comportamento em suas vidas. \u00c9 um<br \/>\nm\u00e9todo de comunica\u00e7\u00e3o para facilitar a mudan\u00e7a natural de comportamento, ou seja,<br \/>\ntrabalha com a motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca do paciente.<br \/>\nDesta forma, a Entrevista Motivacional configura-se como uma interven\u00e7\u00e3o<br \/>\nterap\u00eautica individualizada e direcionada para cada est\u00e1gio de mudan\u00e7a<br \/>\ncomportamental. Desempenha o papel de aumentar a ades\u00e3o ao tratamento, promover<br \/>\njunto ao paciente a mudan\u00e7a do comportamento problema para um novo<br \/>\ncomportamento e mant\u00ea-lo na nova situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m se preocupa com<br \/>\nposs\u00edveis reca\u00eddas que o paciente possa ter.<br \/>\nNesta abordagem, o terapeuta n\u00e3o assume um papel autorit\u00e1rio e os pacientes s\u00e3o<br \/>\nlivres para aceitar ou n\u00e3o seus conselhos. Portanto, as estrat\u00e9gias da Entrevista<br \/>\nMotivacional s\u00e3o mais persuasivas do que coercitivas, mais encorajadoras do que<br \/>\nargumentativas. Assim, a rela\u00e7\u00e3o terapeuta-paciente \u00e9 de troca e colabora\u00e7\u00e3o entre as<br \/>\npartes, visando \u00e0 autonomia e escolha do paciente. Ser\u00e1 o paciente quem apresentar\u00e1 os<br \/>\nargumentos para mudan\u00e7a de comportamento, muito mais que o terapeuta. A meta final<br \/>\ndo terapeuta \u00e9 aumentar a motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca do paciente, de forma que a mudan\u00e7a<br \/>\nvenha de dentro em vez de imposta de fora.<br \/>\nEmbora possa parecer que o terapeuta motivacional tenha que assumir um papel<br \/>\nrelativamente inativo, n\u00e3o \u00e9 o que acontece. Simplesmente ele trabalha com estrat\u00e9gias<br \/>\nmuito bem focadas e tem objetivos claros quanto \u00e0 meta que pretende alcan\u00e7ar junto ao<br \/>\npaciente. Al\u00e9m disso, \u00e9 essencial que tenha no\u00e7\u00e3o do tempo exato de fazer<br \/>\ninterfer\u00eancias em momentos cruciais ao tratamento.<br \/>\nPortanto, para que a Entrevista Motivacional se estruture na sess\u00e3o terap\u00eautica e<br \/>\npossa ser eficaz no tratamento dos pacientes, \u00e9 sugerido que esses conceitos<br \/>\napresentados sejam seguidos.<br \/>\nREFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<br \/>\nFiglie, N.B.; Guimar\u00e3es, L.P. Boletim da Academia Paulista de Psicologia, 2014; 34<br \/>\n(87): 472-489. A Entrevista Motivacional: conversas sobre mudan\u00e7a.Neliana Buzi<br \/>\nFiglie\u00b9 L\u00edvia Pires Guimar\u00e3es\u00b2 Unifesp<br \/>\nSales, CMB; FIGLIE, N.B. Revis\u00e3o de literatura sobre a aplica\u00e7\u00e3o da entrevista<br \/>\nmotivacional breve em usu\u00e1rios nocivos e dependentes de \u00e1lcool. Psicologia em Estudo,<br \/>\nv. 14(2), p. 32-40, 2009.<br \/>\nAlessandra Diehl, Daniel Cruz Cordeiro, Ronaldo Laranjeira \u2013 Depend\u00eancia Qu\u00edmica,<br \/>\nPreven\u00e7\u00e3o, Tratamento e Pol\u00edticas P\u00fablicas &#8211; 2019<br \/>\nArkowitz, H. &amp; Miller, W. R. (2011). Aprendizado, Aplica\u00e7\u00e3o e Extens\u00e3o da Entrevista<br \/>\nMotivacional. In.:Arkowitz, H., Westra, H. A., Miller, W. R. &amp;Rollnick, S. Entrevista<br \/>\nMotivacional no Tratamento de Problemas Psicol\u00f3gicos. S\u00e3o Paulo: Roca.<br \/>\nFiglie, N. B. Entrevista Motivacional e Terapia Cognitivo-Comportamental no<br \/>\nTratamento do Uso de Subst\u00e2ncias Psicoativas. In.:Zanelatto, N. A. &amp; Laranjeira, R.<br \/>\n(Org). (2013). O Tratamento da Depend\u00eancia Qu\u00edmica e as Terapias CognitivoComportamentais.<br \/>\n1 ed. Porto Alegre: Grupo A, p. 273- 290.<br \/>\nFiglie, N. B., Guimar\u00e3es, L. P., Bordin, S. &amp; Laranjeira, R. (2015) Entrevista<br \/>\nMotivacional. In.: Aconselhamento em Depend\u00eancia Qu\u00edmica. 3 ed. S\u00e3o Paulo: Grupo<br \/>\nGen, no prelo. (n\u00e3o encontrado no texto)<br \/>\nMiller, W. R. &amp;Rollnick, S. (2001) Entrevista Motivacional \u2013 preparando as<br \/>\npessoas para a mudan\u00e7a de comportamentos aditivos. 1. ed. Porto Alegre: Artmed.<br \/>\nRollnick, S., Miller, W. R. &amp;Butler, C. C. (2009) Entrevista Motivacional no<br \/>\ncuidado da sa\u00fade: ajudando pacientes a mudar o comportamento. Porto Alegre:<br \/>\nArtmed.<br \/>\nSales, C. M. B. &amp;Figlie, N. B. (2009) Revis\u00e3o de literatura sobre a aplica\u00e7\u00e3o da<br \/>\nEntrevista Motivacional Breve em usu\u00e1rios nocivos e dependentes de \u00e1lcool. Rev.<br \/>\nPsicol. emEstudo, v. 14, n. 2, p. 345-352.<br \/>\n(Figlie e outros, 2015 no prelo; Rollnick, S., Miller, W. R. &amp;Butler, C. C., 2009)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SIDNEI NOGUEIRA DE SOUZA JUNIOR Resumo: O objetivo deste estudo \u00e9 apresentar um m\u00e9todo de comunica\u00e7\u00e3o entre o profissional e o cliente, como uma das ferramentas estrat\u00e9gicas mais utilizadas no tratamento \u00e0 depend\u00eancia qu\u00edmica, que auxilia um indiv\u00edduo a reconhecer<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":401,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-3064","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Entrevista motivacional e est\u00e1gios da mudan\u00e7a comportamental - Cl\u00ednica Jorge Jaber<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, 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