{"id":419,"date":"2017-04-13T19:30:35","date_gmt":"2017-04-13T22:30:35","guid":{"rendered":"http:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/?p=419"},"modified":"2017-04-13T19:30:35","modified_gmt":"2017-04-13T22:30:35","slug":"disturbio-sexual-e-do-humor-relato-de-dois-casos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clinicajorgejaber.com.br\/novo\/2017\/04\/disturbio-sexual-e-do-humor-relato-de-dois-casos\/","title":{"rendered":"Dist\u00farbio sexual e do humor &#8211; Relato de dois casos"},"content":{"rendered":"<p>Simone S. Leite, Jorge A. Jaber e Charles Andr\u00e9, 03\/07\/2005<\/p>\n<p>RESUMO: O trabalho descrito tem como finalidade fazer uma associa\u00e7\u00e3o entre os diagn\u00f3sticos de dist\u00farbios sexuais e do humor. Para tal, foram estudados dois casos cl\u00ednicos com semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as a serem abordados. Ambos os casos tratam-se de homens acima de 60 anos, com grau de instru\u00e7\u00e3o superior, pedagogos, vindos de uma educa\u00e7\u00e3o extremamente religiosa, sendo bem sucedidos em suas carreiras profissionais em concursos que fizeram em \u00e1reas diferentes, v\u00edtimas de abuso sexual na inf\u00e2ncia. Contudo, destacam-se por possu\u00edrem condutas patol\u00f3gicas na esfera sexual. O primeiro caso ilustrado diz respeito a comportamento ped\u00f3filo e humor oscilante entre depress\u00e3o e euforia e o segundo de compuls\u00e3o sexual, com experi\u00eancias homossexuais intensas e uma \u00fanica rela\u00e7\u00e3o heterossexual com a mulher com quem se casou e tamb\u00e9m era depressivo. Os respectivos pacientes tiveram pais com dificuldades de transmitir afeto. Ambos os casos desenvolveram-se como descritos desde a juventude, por\u00e9m s\u00f3 tomaram grandes propor\u00e7\u00f5es na fase madura de suas vidas. Foram cuidados por uma equipe multidisciplinar, com terapia intensiva na abordagem cognitivo-comportamental e terap\u00eautica medicamentosa. O primeiro tratado em regime de interna\u00e7\u00e3o e o segundo em regime ambulatorial, sendo sucesso terap\u00eautico em ambos os casos.<\/p>\n<p>Palavras-chaves: Sexualidade, humor, afeto, religi\u00e3o, abuso sexual, multidisciplinar, terapia cognitivo-comportamental.<\/p>\n<p>Objetivo: Iremos discutir as estrat\u00e9gias de tratamento do dist\u00farbio sexual e do humor, a partir da descri\u00e7\u00e3o de dois casos cl\u00ednicos com evolu\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>M\u00e9todo: Relato dos casos seguidos de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Relato do caso 1: Homem caucasiano de 70 anos, professor universit\u00e1rio aposentado que lecionava para turmas do n\u00edvel fundamental e ensino m\u00e9dio, casado, tr\u00eas filhos adultos. Hist\u00f3ria de transtorno bipolar diagnosticado h\u00e1 40 anos, recebendo tratamento desde ent\u00e3o. Diagn\u00f3stico de hipotiroidismo prim\u00e1rio h\u00e1 10 anos, hipertens\u00e3o arterial sist\u00eamica, insufici\u00eancia coronariana, tratados adequadamente com acompanhamento m\u00e9dico. Quadro de pedofilia iniciado h\u00e1 aproximadamente 43 anos, onde ficou claro sua atra\u00e7\u00e3o sexual por crian\u00e7as devido \u00e0s hist\u00f3rias relatadas. Este quadro era caracterizado, principalmente, por exposi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os sexuais, carinhos, toques, sedu\u00e7\u00e3o e colocar crian\u00e7as no colo para contato \u00edntimo. Seu humor era oscilante e o paciente era extremamente religioso. Casou-se sem ter iniciado relacionamento sexual e durante os anos de casado foi \u201cfiel\u201da sua esposa. O paciente estudado apresentava bom n\u00edvel s\u00f3cio-econ\u00f4mico e interesse pelas atividades profissionais, embora estivesse aposentado. Iniciou atitudes ped\u00f3filas quando jovem que se estendeu durante anos em sua vida at\u00e9 a descoberta dos seus atos impulsivos e ser internado. A interna\u00e7\u00e3o se deu por impossibilidade de controle de impulso, em julho de 2002, de in\u00edcio sob vigil\u00e2ncia constante. Exibia humor deprimido, baixa toler\u00e2ncia \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o, hostilidade, retardo motor e retra\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o ao caso cl\u00ednico, o paciente sofreu abuso sexual por dois tios em momentos diferentes por uma \u00fanica vez, quando tinha cerca de oito anos. Na vida adulta passou a desenvolver comportamento ped\u00f3filo e quando n\u00e3o atuava concretamente, atuava em suas fantasias com crian\u00e7as e jovens, nas quais ele exercia posi\u00e7\u00e3o de superioridade e controle destas. Sentia prazer em pensar no seu relacionamento com menores de idade. Seu comportamento diante destes menores era impulsivo, por\u00e9m s\u00f3 se exibia ou acariciava as crian\u00e7as em lugares reservados, sem pessoas ao redor.<br \/>\nPaciente, filho \u00fanico de uma uni\u00e3o est\u00e1vel. Por\u00e9m, pais severos e dominadores, que tinham dificuldade de transmitir afeto. Vida pregressa do paciente, com pouca afetividade com os filhos.<br \/>\nO tratamento incluiu terapia individual e de grupo, com base em programa de doze passos, adaptado a sua condi\u00e7\u00e3o e em abordagem cognitivo-comportamental. T\u00e9cnicas, como, dessensibiliza\u00e7\u00e3o, treinamento de habilidades sociais e tarefas espec\u00edficas, fizeram parte do plano de tratamento, assim como, terapia familiar (apesar da n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o efetiva da fam\u00edlia), e terap\u00eautica medicamentosa: lorazepam um mg duas vezes ao dia, venlafaxina 150mg uma vez ao dia, l\u00edtio 300mg duas vezes ao dia, al\u00e9m de verapamil, nitroglicerina, enalapril, atenolol e tiroxina 25 mg. As t\u00e9cnicas foram usadas concomitantemente com o tratamento medicamentoso, que diminui os n\u00edveis de testosterona no organismo e conseq\u00fcentemente reduz a libido. Os antidepressivos ajudam a combater a excita\u00e7\u00e3o compulsiva sexual.<br \/>\nEvolu\u00e7\u00e3o inicial com vari\u00e1vel resist\u00eancia \u00e0s atividades propostas. Relut\u00e2ncia em discutir sua compuls\u00e3o e inadequa\u00e7\u00e3o social-familiar, limitando-se a falar de seu quadro depressivo. Gradualmente, confian\u00e7a aparente na equipe, discutindo epis\u00f3dios de pedofilia e exibicionismo, por\u00e9m recebendo mal coment\u00e1rios e cr\u00edticas, por vezes hostis, de seus companheiros de grupo, manifestando raiva e autopiedade.<br \/>\nAp\u00f3s 3 meses de interna\u00e7\u00e3o, foi transferido para instala\u00e7\u00f5es abertas, por melhor aceita\u00e7\u00e3o das normas comportamentais: t\u00e3o das normas comportamentais: trocar de roupa de porta fechada, evitar isolamentos e comparecer \u00e0s atividades propostas.<br \/>\nA fam\u00edlia demonstrou resist\u00eancia a aderir ao tratamento familiar proposto, com filhos alegando domic\u00edlio fora da cidade e esposa evitando contato sistem\u00e1tico com o paciente (visitas mensais apenas acompanhada de um dos filhos).<br \/>\nAp\u00f3s um ano de interna\u00e7\u00e3o, paciente exibia humor mais est\u00e1vel, al\u00e9m de capacidade de maior aceita\u00e7\u00e3o de responsabilidade e ades\u00e3o ao plano terap\u00eautico, desenvolvendo vis\u00e3o espiritual em rela\u00e7\u00e3o a sua recupera\u00e7\u00e3o. Transferido por decis\u00e3o familiar (quest\u00f5es econ\u00f4micas) para outra institui\u00e7\u00e3o e demonstrando melhor conscientiza\u00e7\u00e3o de seus atos patol\u00f3gicos impulsivos, mant\u00e9m-se (junho de 2004) em remiss\u00e3o dos sintomas depressivos e sua express\u00e3o de comportamento pedof\u00edlico, sempre em ambiente controlado.<br \/>\nRelato do caso 2:Homem de 57 anos, forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria (pedagogia), casado e um filho desta rela\u00e7\u00e3o. Procurou nosso servi\u00e7o em abril de 1994, demonstrando-se bastante descontrolado e deprimido, com ins\u00f4nias persistentes, mesmo fazendo uso de benzodiazep\u00ednicos. Apresentava quadro de risco de suic\u00eddio baseado em dificuldades na forma\u00e7\u00e3o de sua personalidade e intenso sofrimento emocional.<br \/>\nPaciente julgava-se bissexual e tinha rela\u00e7\u00f5es freq\u00fcentes com garotos de programa, al\u00e9m de bulinar pessoas dentro de \u00f4nibus e ter uma vida sexual prom\u00edscua. Num desses encontros sexuais, achou que contraiu o v\u00edrus HIV e ficou alguns meses sem ter rela\u00e7\u00e3o sexual com a esposa. Temia contaminar a esposa e seu filho, at\u00e9 pelo uso do banheiro. Apresenta hist\u00f3rico de tratamento com psicanalista h\u00e1 aproximadamente 20 anos, sendo medicado para depress\u00e3o. Relatou que h\u00e1 20 anos atr\u00e1s era evidente sua prefer\u00eancia homossexual. Chegou a contrair s\u00edfilis e a deprimir profundamente. Fez tratamento na \u00e9poca na Casa das Palmeiras, local onde conheceu sua esposa, que era terapeuta (artista pl\u00e1stica). Sentia-se compreendido por ela e aceito em sua op\u00e7\u00e3o sexual. Associava sua depress\u00e3o \u00e0 culpa de ter rela\u00e7\u00f5es homossexuais. Tamb\u00e9m sentia-se culpado quando se masturbava.<br \/>\nQuanto a sua inf\u00e2ncia relatou que aos 6 anos observava os homens usarem um banheiro que dava para ser visto de sua resid\u00eancia, j\u00e1 manifestando interesse pelo mesmo sexo. Estudou em col\u00e9gio de padre e j\u00e1 teve vontade de ser padre. Relatou inf\u00e2ncia \u201ctriste\u201d. Comentou que quando brigava com seu irm\u00e3o sua m\u00e3e o xingava de \u201cmulherzinha\u201d e achava que isto podia ter contribu\u00eddo para sua op\u00e7\u00e3o sexual. Aluno exemplar, era um prod\u00edgio na alfabetiza\u00e7\u00e3o. Aos 10 anos foi ao cinema e lembrou que um Sr. Sentou ao seu lado e ejaculou em sua m\u00e3o, sendo v\u00edtima de abuso sexual. Sua primeira experi\u00eancia homossexual foi aos 14 anos com um \u201ccara\u201d que via sempre no \u00f4nibus (fela\u00e7\u00e3o).<br \/>\nO paciente \u00e9 filho do segundo casamento do pai. Sua m\u00e3e casou com o marido da falecida irm\u00e3. Afirmou que seus pais tinham dificuldades de transmitir afeto. Sentia-se rejeitado e preterido. Julgava sua m\u00e3e \u201cdesleixada\u201d, n\u00e3o cuidava da apar\u00eancia. Sem vaidade. Quanto ao seu pai, o considerava um homem \u201cdoente\u201d. Tinha \u00falcera e tuberculose. Contou que nasceu de uma promessa que sua m\u00e3e fez para que seu pai se restabelecesse fisicamente.<br \/>\nPaciente trabalhava numa empresa, na qual se aposentou neste local, deixando de lecionar.<br \/>\nDurante o tratamento que durou cerca de mais de quatro anos, foi levantado a hip\u00f3tese de Transtorno de matura\u00e7\u00e3o sexual (CID10\/F66.0) e Transtorno depressivo recorrente (CID10\/F33) devido sua dificuldade de assumir seu papel sexual e ter em sua hist\u00f3ria humor deprimido constantemente. Ao longo do tratamento, foi estabelecido as seguintes medica\u00e7\u00f5es : Olcadil 4mg 3x\/dia; Lorax 2mg \u00e0 noite; Haldol 1x\/dia Prozac 2x\/dia; Aropax 2x\/dia. Foi atendido individualmente com abordagem cognitivo-comportamental de forma intensiva (diariamente), sendo posteriormente transferido para tratamento em grupo, com resposta satisfat\u00f3ria a conduta estabelecida.<br \/>\nRESULTADO: Ambos os casos citados foram abordados com t\u00e9cnicas cognitivo-comportamentais onde foi percebido a melhora significativa dos sintomas anteriormente observados (descontroles, compuls\u00e3o, altera\u00e7\u00e3o do humor, inadequa\u00e7\u00f5es comportamentais e impulsividade). O caso 1 foi tratado em regime de interna\u00e7\u00e3o, no qual durou cerca de doze (12) meses em ambiente protegido, onde apresentou durante o tratamento conscientiza\u00e7\u00e3o dos seus comportamentos impulsivos e interesse pela reformula\u00e7\u00e3o dos seus h\u00e1bitos, n\u00e3o mais incorrendo em a\u00e7\u00f5es inaceit\u00e1veis. Foi transferido para outro local por dificuldades da fam\u00edlia em permanecer com o paciente, demonstrando resposta favor\u00e1vel ao plano proposto at\u00e9 ent\u00e3o, passando a discutir os sintomas e sinais de sua doen\u00e7a e a ser humilde para reconhecer a import\u00e2ncia do aux\u00edlio terap\u00eautico. O caso 2 foi tratado em regime ambulatorial, com psicoterapia individual intensiva, terapia de grupo e terap\u00eautica medicamentosa. Ficou em tratamento por cerca de quatro anos (4) e respondeu satisfatoriamente as t\u00e9cnicas empregadas.<\/p>\n<p>DISCUSS\u00c3O: Para o estudo do caso, foi feita uma pesquisa bibliogr\u00e1fica para melhor entendimento dos comportamentos dos pacientes:<br \/>\nSegundo Caballo, a t\u00e9cnica conhecida como dessensibiliza\u00e7\u00e3o proporciona nova informa\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o, objeto ou emo\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o que se processa nas \u00e1reas cognitiva, fisiol\u00f3gica e comportamental e serve para inibir a experi\u00eancia da ansiedade.<br \/>\nJ\u00e1 Goldfried ofereceu uma interpreta\u00e7\u00e3o da dessensibiliza\u00e7\u00e3o em termos de mecanismo de afrontamento ou de auto-controle. No caso 1 citado, esta t\u00e9cnica foi utilizada para este fim (desenvolvimento do auto-controle).<br \/>\nA dessensibiliza\u00e7\u00e3o foi dirigida pela psic\u00f3loga que acompanhou o caso, sendo que a dura\u00e7\u00e3o do tratamento n\u00e3o foi padronizada, mas funcionava em m\u00e9dia de 40 minutos \u00e0 uma hora. O paciente era exposto a filhos de outros pacientes no dia de visita e tinha consci\u00eancia que esta sendo observado no contato com as crian\u00e7as. Sentindo-se vigiado e com apoio intensivo, aprendeu a controlar seu impulso de exibir-se para menores, n\u00e3o apresentando estes epis\u00f3dios nas sess\u00f5es programadas (24 sess\u00f5es em 6 meses). Ap\u00f3s as sess\u00f5es eram feitas as an\u00e1lises comportamentais com o paciente e este recebia feedback positivo sobre sua melhora. A t\u00e9cnica foi utilizada durante a interna\u00e7\u00e3o do paciente.<br \/>\nO caso 2 foi atendido ambulatorialmente com psicoterapia individual intensiva, sendo espa\u00e7ada conforme evolu\u00e7\u00e3o do caso, acrescido terapia de grupo e acompanhamento medicamentoso. Ap\u00f3s cada sess\u00e3o individual, o paciente era motivado a fazer tarefas em casa a fim de trein\u00e1-lo a desenvolver auto-controle, evitando comportamentos prom\u00edscuos. As tarefas serviam para acelerar o progresso da terapia e tamb\u00e9m colocar o processo terap\u00eautico sob o dom\u00ednio do paciente. Era estimulado \u00e0 pr\u00e1tica de jogos sexuais com a sua esposa com o objetivo de promover o despertar do valor desta rela\u00e7\u00e3o e aprender a fortalecer o afeto entre eles para n\u00e3o buscar fora o prazer.<br \/>\nOutra forma de proporcionar refor\u00e7o em um programa de auto-controle, consistia em desenhar e fazer gr\u00e1ficos do comportamento estudado. A id\u00e9ia de representar o pr\u00f3prio comportamento era um meio de fazer o paciente entrar em contato com suas atitudes para se conscientizar dos malef\u00edcios das mesmas e reformular-se.<br \/>\nEm ambos os casos, trabalhamos com refor\u00e7o positivo na medida em que conseguiam controlar impulsos sexuais, sendo elogiados individualmente e em grupo, al\u00e9m de refor\u00e7o negativo quando as respostas eram insatisfat\u00f3rias aos est\u00edmulos propostos. No primeiro caso, o paciente era conduzido para ambiente protegido perdendo temporariamente a liberdade de circular pela cl\u00ednica e no segundo caso, era impedido de falar de suas fantasias sexuais prom\u00edscuas para entrar em contato com dados de realidade.<br \/>\nOutra t\u00e9cnica utilizada foi a de modelo e modelagem, na qual a terapeuta se colocava como \u201cexemplo\u201d para os pacientes, sendo disciplinada, assertiva e prestativa, procurando ajud\u00e1-los em suas dificuldades emocionais e comportamentais.<br \/>\nTamb\u00e9m foi proposto o procedimento descrito por Cautela denominado \u201ca tr\u00edade de auto-controle\u201d, que foi utilizado para reduzir a probabilidade de ocorr\u00eancia de um comportamento n\u00e3o desejado. Foram estabelecidos 3 aspectos: a) os pacientes diziam para si mesmo \u201cPARE !\u201d ao tentar realizar o comportamento indesej\u00e1vel; b) os pacientes eram estimulados a respirar profundamente, relaxando enquanto soltavam o ar; c) os pacientes eram motivados a imaginar cenas agrad\u00e1veis.<br \/>\n\u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas, empregando-se a parada do pensamento, o controle da resposta fisiol\u00f3gica e o refor\u00e7amento positivo encoberto. O refor\u00e7amento positivo encoberto aumenta a freq\u00fc\u00eancia do comportamento desej\u00e1vel atrav\u00e9s de imagens.<br \/>\nAs teorias cognitivas de depress\u00e3o, principalmente as propostas por Beck, enfatizam o fato de o comportamento e o humor depressivos serem conseq\u00fc\u00eancia de um estilo cognitivo patol\u00f3gico no qual o indiv\u00edduo distorce a vis\u00e3o de si mesmo e de experi\u00eancias passadas.<br \/>\nNos epis\u00f3dios depressivos h\u00e1 predominantemente perda de interesse e prazer, auto-estima e auto-confian\u00e7a reduzidas, id\u00e9ias de inutilidade, sono perturbado e apetite diminu\u00eddo e nos epis\u00f3dios man\u00edacos h\u00e1 uma modifica\u00e7\u00e3o dos sintomas apresentados. O humor est\u00e1 desproporcionalmente elevado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s circunst\u00e2ncias do indiv\u00edduo e pode variar de uma jovialidade despreocupada a uma excita\u00e7\u00e3o quase incontrol\u00e1vel. A ela\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada por um aumento de energia, resultando em hiperatividade, press\u00e3o para falar e uma diminui\u00e7\u00e3o da necessidade de sono. Inibi\u00e7\u00f5es sociais normais s\u00e3o perdidas e a auto-estima e grandiosidade s\u00e3o livremente expressas. O indiv\u00edduo pode se envolver em esquemas extravagantes e n\u00e3o pr\u00e1ticos, gastar dinheiro irresponsavelmente ou tornar-se amoroso e jocoso em circunst\u00e2ncias inapropriadas.<br \/>\nQuanto aos adultos pedof\u00edlicos, eles apresentam uma desinibi\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s normas convencionais relativas ao contato sexual com crian\u00e7as. H\u00e1 uma falta de controle sobre os impulsos. Portanto, \u00e9 poss\u00edvel que na fase man\u00edaca h\u00e1 maior incid\u00eancia de casos pedof\u00edlicos, j\u00e1 que h\u00e1 um desprendimento de conven\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\nA atividade sexual com crian\u00e7as ilustrada no caso 1 pode n\u00e3o ser exclusiva, por\u00e9m acredita-se que a maior parte dos ped\u00f3filos n\u00e3o tem interesse sexual por adultos ou tem dificuldade em estabelecer rela\u00e7\u00f5es sexuais adultas satisfat\u00f3rias.<br \/>\nNa teoria desenvolvida por David Finkelhor e Sharon Araji sobre a desinibi\u00e7\u00e3o, relata que os adultos pedof\u00edlicos apresentam uma desinibi\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s normas convencionais relativas ao contato sexual com crian\u00e7as. H\u00e1 uma falta de controle sobre os impulsos.<br \/>\nGebhard sugere que grande parte dos ped\u00f3filos s\u00e3o sociossexualmente subdesenvolvidos, que entram na vida adulta inexperientes, ineptos ou intimidados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade sexual com parceiros da sua idade e que talvez se sintam atra\u00eddos por crian\u00e7as por julg\u00e1-las menos amea\u00e7adoras.<br \/>\nCerca de 80 % dos pedof\u00edlicos sofreu abusos sexuais na inf\u00e2ncia. Uma das implica\u00e7\u00f5es dessa descoberta \u00e9 a de que, se a incid\u00eancia de abusos sexuais na inf\u00e2ncia pudesse ser bastante reduzida, teoricamente a \u201ctransfer\u00eancia\u201d de uma gera\u00e7\u00e3o para outra seria diminu\u00edda nas gera\u00e7\u00f5es subseq\u00fcentes.<br \/>\nNo caso 2 para a melhoria da qualidade de vida do paciente foi utilizado, al\u00e9m das t\u00e9cnicas citadas, exerc\u00edcios de TRE (terapia racional emotiva).<br \/>\nA terapia racional emotiva, uma terapia cognitivo-comportamental, baseia-se na id\u00e9ia de que tanto as emo\u00e7\u00f5es como os comportamentos s\u00e3o produtos das cren\u00e7as de um indiv\u00edduo, de sua interpreta\u00e7\u00e3o da realidade (Ellis,1962). Por esta raz\u00e3o, a meta primordial da TRE \u00e9 ajudar o paciente na identifica\u00e7\u00e3o de seus pensamentos \u201cirracionais\u201d ou disfuncionais e ajudar-lhe a substituir tais pensamentos por outros mais \u201cracionais\u201d ou efetivos que lhe permitam conseguir, com maior efic\u00e1cia, metas de tipo pessoal com o ser feliz, estabelecer rela\u00e7\u00f5es com outras pessoas, etc (Ellis e Becker, 1982).<br \/>\nO procedimento b\u00e1sico consistia em identifica primeiro, com a ajuda do paciente, as \u00e1reas espec\u00edficas nas quais este tinha dificuldades. O melhor era obter v\u00e1rios exemplos espec\u00edficos das situa\u00e7\u00f5es em termos do que realmente acontecia nelas. Uma vez identificada a classe de comportamento-problema, o passo seguinte consistia em examinar por que o indiv\u00edduo n\u00e3o se comportava de forma socialmente adequada e posteriormente, analisar as quest\u00f5es em terapia, com refor\u00e7o positivo e negativo para o paciente, dependendo da situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm ambos os casos a abordagem cognitivo comportamental teve influ\u00eancia positiva no controle do humor e do comportamento.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: Os presentes casos atestam as complexas rela\u00e7\u00f5es entre dist\u00farbios do humor e do controle do impulso sexual. Controle ambiental e abordagem multidisciplinar incluindo terap\u00eautica medicamentosa e abordagem psicoter\u00e1pica mista foram capazes de controlar as variadas manifesta\u00e7\u00f5es psicopatol\u00f3gicas ao longo do tratamento, al\u00e9m de despertar para o desenvolvimento da espiritualidade como meio dos pacientes equilibrarem-se emocionalmente.<\/p>\n<p>Bibliografia:<\/p>\n<p>&#8211; Alloy,L. (comp.). Cognitive processes in depression, Nueva York, Guilford Press, 1988.<br \/>\n&#8211; Caballo,V.E. Teoria, evaluacion y entrenamiento de l\u00e3s habilidades sociales, Valencia, Promolibro,1988.<br \/>\n&#8211; Caballo, V.E Manual de t\u00e9cnicas de terapia e modifica\u00e7\u00e3o do comportamento. Santos editora, 1996.<br \/>\n&#8211; Giglio, J. S. Psicopatologia e semiologia da afetividade. Boletim Psiqui\u00e1trico UNICAMP, 1974<br \/>\n&#8211; Holmes, David \u2013 Psicologia dos transtornos mentais, 2a edi\u00e7\u00e3o, editora Artmed<br \/>\n&#8211; Hull, C.L. Principles of behavior, Nueva York, Appleton-Century Crofts, 1943.<br \/>\n&#8211; Kaplan, H.I.; Sadock, B. J. \u2013 Manual de psiquiatria \u2013 3a edi\u00e7\u00e3o, Porto Alegre, Artmed 1995<br \/>\n&#8211; Kazdin,A.E. Behavior modification in applied settings 4\u00aa ed., Homewood, Ill, Dorsey Press, 1989.<br \/>\n&#8211; Leme Lopes, J. Diagn\u00f3stico em psiquiatria. Rio de Janeiro: Atheneu, 1982.<br \/>\n&#8211; Mira Y. Lopes, E. Psicologia geral. S\u00e3o Paulo: Melhoramentos, 1974.<br \/>\n&#8211; Walen, S.R., Digiuseppe, R. Y Wessler, R.L. A practitioner\u2019s guide to rational-emotive therapy, Nueva York, Oxford, 1980.<\/p>\n<p>Autores:<\/p>\n<p>Simone S. Leite, Psic\u00f3loga. Especialista em terapia familiar e depend\u00eancia qu\u00edmica e outros transtornos compulsivos. Psicoterapeuta da Cl\u00ednica Jorge Jaber.<\/p>\n<p>Jorge Jaber, Psiquiatra. MBA pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas em ger\u00eancia da sa\u00fade. Presidente da ABRAD e membro da APA. Diretor chefe da Cl\u00ednica Jorge Jaber.<\/p>\n<p>Charles Andr\u00e9, Neurologista. Professor adjunto da UFRJ. M\u00e9dico respons\u00e1vel t\u00e9cnico da Clinica Jorge Jaber.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Simone S. Leite, Jorge A. Jaber e Charles Andr\u00e9, 03\/07\/2005 RESUMO: O trabalho descrito tem como finalidade fazer uma associa\u00e7\u00e3o entre os diagn\u00f3sticos de dist\u00farbios sexuais e do humor. 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#6 [internal function]: shutdown_action_hook()
#7 {main}
  thrown in <b>/home/clinicajorgejaber/www/novo/wp-content/plugins/anyfont/lib/class.admin.php</b> on line <b>375</b><br />
