Aluna: Simone Gisele Fina

 

ÍNDICE

 

 

 

 

  • Resumo…………………………………………………………………………………………….. 2

 

  • Introdução……………………………………………………………………………………… 3

 

  • Dependência Química…………………………………………………………… 4

 

  • Possíveis Causas da Adicção…………………………………………. 6

 

  • O Ciclo da Compulsão………………………………………………………… 9

 

  • O Vício e a Idolatria……………………………………………………………. 12

 

  • Tratamento…………………………………………………………………………………….. 13

 

  • Conclusão………………………………………………………………………………………. 14

 

  • Bibliografia…………………………………………………………………………………… 16

 

 

 

 

 

 

 

RESUMO

 

 

 

 

Algumas pessoas têm dificuldade em se relacionar com o Poder Superior, ou seja, com Deus, mas como precisam ligar-se a alguma coisa, colocam objetos no lugar Dele. É assim que Jesus definia a idolatria em suas parábolas, Ele sabia que o homem rico precisava renunciar a sua veneração pela riqueza para poder abrir espaço no coração para um relacionamento com o Poder Superior, ou seja, com Deus.

 

Algumas pessoas têm dificuldade em relacionar-se com outras pessoas.

 

Quando seus relacionamentos são ameaçados ou perdidos, elas os substituem por objetos. Esta é a definição de vício. O antigo problema da idolatria manifesta-se como o problema moderno do vício.

 

 

 

 

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Apegar-se a um objeto para compensar a nossa necessidade de amor insatisfatória pode funcionar temporariamente.

 

A euforia que extraíamos da posse de certos objetos pode nos fazer esquecer que na verdade precisamos de algo mais profundo. No entanto, como o objeto é apenas um substituto do amor que trocamos nos relacionamentos, essa insatisfação nunca é duradoura. Precisamos retornar repetidas vezes ao objeto para afastar os sentimentos de vazio e insatisfação.

 

Segundo Jesus, o ídolo é um substituto do amor porque é uma tentativa de colocar um objeto no lugar de um relacionamento amoroso. O vício é um substituto do amor pela mesma razão.

 

Lidar com pessoas que não se sentem amadas e por isso se voltaram para o vício pode ser útil, mas somente durante algum tempo. Animar pessoas que estão nessa situação também pode ser proveitoso, mas também é limitado.

 

Apenas uma coisa é capaz de curar o vício humano e expulsar a idolatria: o amor genuíno. Os seres humanos só ficam satisfeitos quando experimentam o que é autêntico, ou seja, verdadeiro.

 

Tudo é possível, mas é preciso paciência e perseverança que muitas vezes faltam, porque frequentemente desconfia-se de sua capacidade de transformação em sí mesmo.

 

 

 

 

Palavras-Chave: Dependência – Adicto – Compulsão – Vício – Dependente

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

Buscar a verdade é o único caminho que leva um dependente a agir no sentido de curar-se do nodoso mal da dependência.

 

 

 

 

 

 

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Mas o que faz uma pessoa tornar-se vítima de sí mesma, criando um estado de dificuldades internas?

 

Quase sempre, é um estado de espírito ensimesmado, criando uma atmosfera de autocomiseração que permite a pessoa que assim procede tentar dominar aquele que esteja ao seu lado.

 

Qualquer que seja o ângulo do pelo qual se veja a questão, temos em vista alguém com o poder de dominar, sendo algoz, mais do que alguém que sofre pesada carga de emoções, como costumam asseverar os dependentes, geralmente.

 

Por todos os ângulos da questão, nota-se que somente quando o ser humano busca autoconhecer-se.

 

Conhecer-se é o começo da liberdade, pois o cativo das forças inferiores que deseja buscar o autoconhecimento começa a libertar-se da idéia do querer escravizar ao próximo e, a partir dessa conquista, buscará outras formas de viver mais agradáveis e menos onerosas para sua economia espiritual. Nessa busca, verá aquele que o acompanha não mais como um vassalo, mas, sim, alguém que, como ele mesmo, busca encontrar a chave que o levará à libertação.

 

 

 

 

DEPENDÊNCIA QUÍMICA

 

Segundo Correia (2002), a dependência química é também conhecida por adicção, uma doença progressiva, incurável e que pode levar a morte.

 

Adicto é uma palavra de origem grega que significa escravo.

 

Na concepção atual, adicto designa o dependente, o escravo, das drogas. Toda a sua vida e seus pensamentos estão centrados em drogas de uma forma ou de outra seja obtendo, usando ou encontrando maneiras de conseguir mais.

 

A dependência química é uma doença de caráter social, físico e psíquico. Com o uso de drogas o usuário supre necessidades psicológicas e

 

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com isso passa a consumí-la freqüentemente para satisfazer-se, evitar sensações de mal estar e buscar resoluções para seus problemas anteriores.

 

Progressivamente a droga desperta sensação de fissura, um desejo invencível de usar drogas para desfrutar da sensação de prazer.

 

Com as desigualdades financeiras, de oportunidades e de conhecimento e situações conflitantes relacionadas a valores desperta-se a dependência química sendo ela também um fator social. (BUCHELE; MARCATTI; RABELO, 2004).

 

Ferreira, Tufik e Mello (2001, p. 32) definem o termo droga como substância entorpecente, alucinógena ou excitante, ingerida, em geral, com o fato de alterar transitoriamente a personalidade.”

 

Cavalcanti (1997), diz que o uso de drogas é uma prática antiga e universal; porém, foi a partir dos anos 60 que o abuso tornou-se preocupação mundial, ocupando espaços nos meios de comunicação e gerando um modismo em amplas faixas da sociedade.

 

Correia (2002), completa dizendo que a progressão da doença se dá com o decorrer do tempo de uso. As ações e as preocupações do adicto em relação à droga vão se modificando proporcionalmente, de acordo com sua evolução. O usuário já não fica satisfeito com o que usa, pois o organismo já ficou tolerante ao tipo e a quantidade de droga do início da drogadição e sente a necessidade de se drogar mais vezes e com maior intensidade, podendo conhecer e até mesmo passar a usar novas drogas., tornando-se assim um usuário de múltiplas substâncias psicoativas.

 

Murad (1994) separa o indivíduo em níveis de vício, dizendo que este pode ser apenas um usuário experimentador (uso por curiosidade), ou um usuário ocasional (quando este uso ainda não provocou rupturas nas relações afetivas, sociais ou profissionais), mas pode também ser um usuário habitual (faz uso freqüente, ainda controlado, mas já apresenta sinais de ruptura), e por fim o dependente ou toxicômano (vive pela droga e para droga, descontroladamente e com rupturas em seus vínculos sociais, isolamento e marginalização.

 

 

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POSSÍVEIS CAUSAS DA ADICÇÃO OCIOSIDADE – DEPRESSÃO – INSEGURANÇA

 

Disse Sócrates: “Não é ocioso apenas o que nada faz, mas também o que poderia empregar melhor o seu tempo”. A ociosidade é uma porta que se abre para os vícios, é uma casa sem paredes; as “serpentes” podem entrar nela por todos os lados.

 

A ociosidade pode ser considerada “causa e efeito” de todos os vícios ou o comodismo pode ser considerado como o mal da humanidade?!

 

A ociosidade como “causa” das viciações pode ser estudada da seguinte maneira: As velhas crenças religiosas continuam afirmando que a felicidade dos bem-aventurados consiste na vida contemplativa, no repouso absoluto nos céus. Asseguram também que os infernos são destinados aos espíritos culpados conduzidos forçosamente a um mundo de expiações eternas, sem meios de reparação, ficariam condenados a viver eternamente as dores do fogo e o sofrimento não menos cruel da eterna ociosidade.

 

O vício aparece constantemente onde há uma inadaptação à vida social. Por incrível que pareça, o viciado é um “conservador”, pois não quer correr o risco de se lançar à vida, tornando-se assim um comodista por medo do mundo que, segundo ele, o ameaça.

 

Os vícios ou hábitos destrutivos são, em síntese, métodos defensivos que as pessoas assumiram nesta existência, ou mesmo os trazem de outras encarnações, como uma forma inadequada de se promover a segurança e a proteção.

 

A Depressão tem sido outro fator por perda do sentido existencial.

 

Quantas vezes asfixiamos e negamos nossas emoções diante de acontecimentos que nos machucaram profundamente. Relegar essa parte de nós e ignorá-la pode se tornar um tanto desagradável e altamente destrutivo em nossas vidas.

 

 

Se

 

poderão

nossas emoções forem serem transformadas em

julgadas moralmente sentimentos de culpa,

negativas,  elas levando-nos  a

 

 

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autocondenação. Quando emoções são reprimidas ou não expressadas ou não convenientemente aceitas, nós a negamos, distorcendo assim os fatos. Tanto a repressão sistemática quanto os compulsivos julgamentos negativos das nossas emoções naturais podem nos gerar a depressão.

 

Podemos entender a depressão como uma viagem para um lado sombrio da vida, onde a luminosidade é escassa e o sentido da existência não pode ser percebido e nem avistado como um caminho a ser percorrido. Dentro dos conceitos religiosos mais tradicionais viver a depressão é como descer ao limbo espiritual, onde encontramos trevas e desespero. Dessa forma, os depressivos seriam os viajantes errantes dos tempos modernos. Para eles, o inferno não é um lugar quente e barulhento existente em alguma dimensão pós-morte; para eles, o inferno é aqui e agora, e é assustadoramente frio, escuro e sem luzes sinalizando o retorno ao aconchego protetor da paz de espírito e ao amor pleno.

 

Do ponto de vista físico e mental, a depressão é um processo de retrocesso, pois enfraquece o corpo e todas as funções cognitivas que nos capacitam a enfrentar as adversidades e as responsabilidades na vida. A depressão, sob esses aspectos, pode ser vista como uma moratória ou uma declaração de falência da persona em se cuidar e administrar o seu viver.

 

Se observarmos na natureza, animais se fingem de mortos diante de situações a que ameaçam sua sobrevivência e para as quais, eles não percebem nenhuma possibilidade de saída. De forma equivalente, e diante da nossa condição animal, podemos entender a depressão como uma fuga na qual simulamos um estado de morte em vida. Tal reação é uma defesa acionada pelo cérebro em depressão para fazer frente à situações estressantes que ultrapassem seu limite de suportabilidade vital. E quando esta se torna crônica, podemos estar diante de uma Distimia, dependendo de maior vulnerabilidade genética ou psicológica; este comportamento pode ser considerado ou interpretado como uma espécie de declaração de desistência pessoal diante dos infortúnios da vida, chegando a cometerem suicídios.

 

 

 

 

 

 

 

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A insegurança traz como características psicológicas os mais variados tipos de medo, como o de amar, o da mudança, o de cometer erros, o da solidão, o de se pronunciar e o de se desobrigar.

 

O inseguro não confia no seu valor pessoal, desacredita em suas habilidades e desconfia de sua possibilidade de enfrentar as ocorrências da vida, o que o impulsiona a uma fatal tendência de se apoiar nos outros, no álcool, nas drogas ou até mesmo em medicamentos, se dopando.

 

O inseguro não sabe que não pode controlar as atos e atitudes dos outros, por isso seus relacionamentos são de grandes cobranças e barreiras. A hesitação o torna criatura incapaz de se sentir bastante firme para agir, não tendo dessa forma certeza o suficiente e querendo sempre se certificar das coisas. É excessivamente cauteloso e vigilante; está ou vive em constante sobreaviso e desconfiança de tudo e de todos, por causa do medo das consequências futuras de suas ações do presente.

 

As angústias morais são entendidas nas fragilidades das pessoas inseguras, a sensação de mal-estar que sentem, por acreditarem que estão constantemente sendo observados e julgados e também pela perpétua situação mental de vulnerabilidade diante do mundo. Por não serem assertivos em suas palavras, não se expressam de modo direto, claro e honesto. Omitem defesa a seus direitos pessoais por medo e evitam encontros ou situações em que precisam expor suas crenças, sentimentos e idéias.

 

A maioria se refugia suprindo, se escondendo ou sufocando sua insegurança procurando se apoiar nos outros, sentindo-se mais seguro após ingestão de bebida alcoólica, após a ingestão de substâncias tóxicas como as drogas, pela sensação do prazer imediato, sufocando assim a sua insegurança ou até mesmo usando medicações que o leve para sonhos agradáveis simplesmente dormindo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O CICLO DA COMPULSÃO

 

A compulsão é uma alteração da vontade. O ato compulsivo é sentido como indesejável, pois o indivíduo se sente compelido a realizar. O alívio gerado pelo uso do objeto de compulsão promove uma sensação de recompensa pessoal. O bem-estar é substituído pelo retorno do desconforto ao cessar o efeito.

 

Qual seria o papel das compulsões?

 

As compulsões impedem as reflexões necessárias ao desenvolvimento psíquico e moral. Respostas imediatistas e programadas retardam nosso avanço, pois acabamos respondendo irrefletidamente as questões da vida.

 

Existe um padrão comportamental que se manifesta nas compulsões que se baseiam em baixa autoestima, sensibilidade às frustrações e imediatismo.

 

Comportamentos compulsivos petrificam o indivíduo num estágio dependente, o que denuncia a necessidade de desenvolvermos as emoções e educar os sentimentos para que se possa sair do automatismo pernicioso.

 

Dependentes emocionais têm dificuldade para aceitar que precisam autoanalisar-se, por temerem enfrentar o desgoverno da própria vida.

 

Individuar-se não é ver o caminho fora de si mesmo.

 

Quando buscamos nos objetos externos o auxílio para calarmos nossas agonias, nos distanciamos do processo de individualização consciente.

 

Os comportamentos compulsivos podem ser entendidos como resposta psicológica mal adaptada, cujo objetivo é enfrentar ansiedades, angústias e afastar os pensamentos incômodos. Apesar de proporcionarem alívio num primeiro momento, normalmente o indivíduo apresenta um desconforto mental, físico e social. Em realidade, o desconforto é reflexo de uma confrontação íntima entre o que este indivíduo está fazendo ao ceder aos apelos de seu imediatismo, com sua Essência Divina.

 

 

 

 

 

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Obviamente, esses comportamentos trazem consequências negativas em nossas vidas, dificultando a convivência conosco, com os outros e com Deus.

 

O ato compulsivo impede que o indivíduo expresse seus sentimentos e a decisão de abandonar hábitos compulsivos significa que devemos assumir as funções desempenhadas pela compulsão. Sem decidir, não precisamos escolher e sem escolher não desagradaremos os outros. Todos os impedimentos e decisões precisarão ser revistos e enfrentados. Pode ser que existam enfrentamentos sem mudanças, mas sem dúvida não há mudança sem enfrentamento.

 

Por trás das compulsões existe uma vida secreta, que torna o indivíduo prisioneiro. É a vivência do escondido e dos segredos, que tem por objetivo evitar que as pessoas percebam as fragilidades. É o medo de que os outros vejam as falhas; a perda de controle; um corpo com estrias e varizes; a dificuldade para administrar as finanças; que, em última análise, denuncia a falta de sí mesmo. Como poderemos nos transformar se não aceitarmos que temos algo a modificar? O medo pode se tornar uma barreira para a razão e para o amor.

 

A maneira como nos vemos implicará na forma de compromisso que estabelecerá comigo, com as pessoas, coisas e ideais. Às vezes, perdemos oportunidades importantes, boas amizades, bons companheiros por não sabermos quem somos. Não nos conhecemos a maneira certa e poderemos permanecer inseguros e responsáveis ao meio externo pelos tropeços da vida.

 

O medo e a insegurança nos aguçam o desejo de controlar, na tentativa de nos mantermos em estabilidade. Ledo engano, pois a experiência tem nos mostrado que a vivência do medo exagerado acaba provocando a ocorrência do que se teme, e as tentativas de controle acabam em grandes frustrações. Tentar controlar, mesmo que seja uma pequena parte da situação, é uma experiência pesada, derrotista e aprisionadora.

 

 

 

 

 

 

 

 

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O controlador paga o preço de ficar distante de seus reais sentimentos, os quais poderiam denunciar sua fragilidade. Não nos vemos enquanto controlamos.

 

Hammed no livro A Imensidão dos Sentidos diz que o controle tem por objetivo proteger o indivíduo, que por medo de ser ferido, não expõe seus sentimentos. A carapaça formada como técnica de sobrevivência acaba por tornar um analfabeto emocional.

 

Controlador e controlado sofrem com a perda da liberdade. Nenhum controle nos dará a auto-imagem positiva que desejamos, o respeito que buscamos, a aceitação social que idealizamos, a segurança que perseguimos.

 

A liberdade está em não termos medo de ser quem somos e assumirmos a responsabilidade da própria vida. Não precisamos imaginar ou organizar tudo, pois não podemos tudo, ninguém pode. Façamos apenas o que nos cabe e deixemos que Deus faça o resto. O resultado desses intentos é a falta de Fé em sí mesmo e no mundo, um descrédito que aumenta e reforça o ciclo compulsivo. Este quadro parece denotar a tentativa de negar a dependência que está instalada. Brigamos porque não aceitamos que estamos dependentes e sofremos também por isso, pois a substituição acaba se tornando mais dolorosa do que o sofrimento que a restituiu.

 

As recaídas a comportamentos perniciosos são uma mostra da rebeldia em não aceitar a impotência perante a droga, a comida, ao sexo, etc…

 

  • trabalhoso nos render ao fato de que não estamos no controle de nossas vidas; da vida das pessoas; das situações. Não importa o que façamos para aparentar que estamos no poder, pois, em algum lugar em nosso íntimo, sabemos de nossas fraquezas. O resultado desta confrontação sobre nossos limites e possibilidades é a descoberta de uma nova forma de viver.

 

A abstinência de um ato compulsivo é uma estratégia para alcançar a sobriedade. Apenas a abstinência não pode preencher nossas vidas, ela nos liberta da compulsão para podermos buscar nossa Essência Divina.

 

Na tentativa de ressuscitar um poder que possa restituir a dignidade perdida, entramos em litígio com Deus.

 

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Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ele quis nos mostrar que a saída está em sí mesmo, visto ser Ele o nosso modelo. Cada um de nós é o caminho, a verdade e a vida na construção do Caminho Iluminativo.

 

 

 

 

 

 

 

O VÍCIO E A IDOLATRIA

 

Embora muitos não assumem, a bebida e/ou as drogas passaram a ocupar um lugar tão importante em sua vida que psicologicamente já se tornou um vício e espiritualmente se transformou no seu deus.

 

Podemos escolher entre as coisas e os relacionamentos. Quando elegemos as coisas, submetemos a nossa vida a deuses que nos escravizam em vez de nos libertar.

 

Jesus não tinha uma palavra para o vício, mas Ele compreendia que, quando criamos deuses que exigem a nossa atenção a ponto de destruirmos os nossos relacionamentos com outras pessoas, certamente estamos com graves problemas. A palavra que Ele usava para isso era idolatria.

 

Enquanto as coisas ocuparem o centro das atenções dos homens e o centro de seus interesses, ele estará substituindo seus relacionamentos por coisas que idolatram e o homem tende a se viciar em seus ídolos.

 

Nenhum substituto do amor perdura.

 

O motivo pelo qual as pessoas não conseguem abandonar os seus vícios

 

  • o fato de eles funcionam temporariamente. Voltar-se para algo que produz repetidamente uma espécie de conforto dá às pessoas uma falsa sensação de segurança. Elas conseguem afastar a dor de não conseguirem satisfazer as suas necessidades mais profundas. Os relacionamentos são desafiantes e trabalhosos porque nos fazem exigências. As coisas concretas são sempre as mesmas; sabemos o que esperar delas.

 

 

 

 

 

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No entanto, a satisfação proveniente do uso de coisas materiais como substitutas, não são duradouras. A dor das necessidades essenciais acaba reaparecendo, e por isso voltamos à solução mais fácil, apesar de descobrirmos aos poucos que ela não é suficiente. Passamos então a precisar de uma quantidade cada vez maior, embora algo dentro de nós saiba que não

 

  • dela que realmente precisamos. É por isso que o vício é chamado de doença progressiva.

 

 

 

 

 

TRATAMENTO

 

A questão do uso e abuso de drogas deve ser visto e tratado com um todo, como uma doença física e mental. Um dos mais importantes passos para a recuperação é escolher o caminho mais adequado para si próprio, não prevenir somente a recaída mais conquistar uma autonomia e um novo posicionamento diante do mundo Buchele, Marcatti e Rabelo (2004).

 

Szupszynski e Oliveira (2008) dizem que avaliar a motivação para mudança, independentemente do tratamento utilizado, parece ser um aspecto importante para a utilização de intervenções adequadas aos pacientes. O comportamento motivacional trata, então, de engajar a pessoa em comportamentos positivos que se esperam ou a evitar comportamentos considerados negativos.

 

Um modelo atual que atua na contribuição para a mudança de comportamento é representado pelo Modelo Transteórico de Mudança de Comportamento. Este modelo é divido em estágios.

 

No estágio de pré-contemplação, não se observa nenhuma intenção do adicto de mudar comportamentos, dificilmente procuram ajuda para iniciar seu processo de mudança. No estágio de contemplação, há nítida vontade de mudar, entretanto, surgem momentos de ansiedade e de dúvida. No estágio de preparação, há uma melhor conscientização do problema e o indivíduo constrói um plano cuidadoso de ações orientadas para a mudança. No de ação, a pessoa inicia explicitamente a modificação de seus comportamentos-problema, e no de manutenção é o grande desafio no processo de mudança. É

 

 

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necessário um esforço constante do indivíduo para consolidar os ganhos conquistados nos outros estágios, além de um esforço para evitar recaídas (PROCHASKA; DICLEMENTE; NORCROSS apud SZUPSZVNSKI; OLIVEIRA, 2008).

 

Segundo Szupszynski e Oliveira (2008) esses estágios de mudanças estão diretamente ligados às atividades nas quais as pessoas engajam-se para alterar afeto, pensamento, comportamento ou relacionamentos relativos ao comportamento-problema. Sendo, qualquer atividade que ajude na modificação do comportamento, sentimento ou forma de pensar é um processo de Modelo Transteórico no tratamento da dependência química.

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

A ORIGEM DOS CONCEITOS E A REVISÃO NECESSÁRIA

 

Inúmeros indivíduos tomam as mais diferentes atitudes diante da vida, porque diferentes informações lhes foram transmitidas quando eram crianças e todas se desenvolvem acreditando que estão completamente certas e convencidas de que as outras estão totalmente erradas.

 

O vício pode ser um “erro de conceito” ou “erro de cálculo” na procura de paz e serenidade, por que todos nós queremos ser felizes e ninguém, conscientemente busca de propósito viver em desprazer, aflição e infelicidade.

 

Nosso modo de ser no mundo está sendo moldado por nossas atitudes interiores; alias estamos, diariamente aprendendo como desenvolver atitudes cada vez mais adequadas e coerentes em favor de nós mesmos.

 

Hábitos preferidos se formam através do tempo e se sedimentam com repetidas manobras mentais. O que funcionou muito bem em situações importantes de nossa vida, mantendo nossa ansiedade controlada e, sob domínio provavelmente será reproduzido em outras ocasiões.

 

 

 

 

 

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A estratégia psíquica passa a ser: “quando tenho um problema, preciso comer algo para resolvê-lo”. O que a princípio foi uma descoberta compensadora e benéfica mas, … … mais tarde poderá vir a ser um mecanismo desnecessário, tornando-se um impulso neurótico e desagradável em nosso dia-a-dia.

 

Os dependentes negam, seu medo e se escondem à beira do caminho interrompendo a “procura existencial”, dificultando assim, o fluxo do desenvolvimento espiritual que acontece através da busca do novo.

 

A evolução tudo melhora, sempre esteve e sempre estará desenvolvendo, desde os menores reinos da Natureza até as mais complexas estruturas da consciência humana.

 

As criaturas assimilam conceitos simplesmente porque outras, que elas julgam importantes e entendidas, lhes disseram que são verdadeiros. As crenças de toda espécie começaram através de histórias e costumes criados por alguém e com o passar do tempo se tornaram “regras éticas”. Crença é a ação de acreditar naquilo que convencionamos adotar como verdade, mas algumas não são verdadeiras!

 

Devemos nos avaliar demoradamente nos conceitos antecedentes de nossas vidas, muitas vezes passados por familiares e amigos para que possamos nos promover uma autoanálise proveitosa, para identificarmos nossos padrões de pensamentos deficitários, diferenciando aqueles que nos são úteis daqueles que não nos servem mais. Será dessa forma que conseguiremos nos libertar das nossas compulsões desgastantes e dos nossos hábitos infelizes.

 

Precisamos revisar nossas concepções sobre nós mesmos e sobre os vícios.

 

As regras e costumes do passado pesam sobre nós. Somos espíritos milenares, encarnando sucessivas vezes, adquirindo assim experiências e assimilando crenças, algumas verdadeiras, outras não! Essa é a razão pela qual a necessidade de “revisar” nossos conceitos.

 

 

 

 

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A aceitação completa e inicia o objetivo da revisão dos conceitos, nos abrindo a mente para novos conhecimentos e novas experiências, abrindo mão espontaneamente das velhas crenças, sem julgamentos e nos entregarmos à evolução de nós mesmos.

 

Banindo o preconceito com relação a nós mesmos, poderemos a partir de então aceitar nossa própria comorbidade para que posteriormente nos conscientizarmos da importância de se tratar e mais do que aceitar isso, se conscientizar da importância disso não só para nós mesmos, mas para com os outros também.

 

A Lei da Causa e Efeito ou Ação e Reação tem sido esquecida e por esta razão a religião também tem sua suma importância.

 

  • sempre bom reservar uns momentos para refletir, assim como uns momentos para juntar as pontas de nossos caminhos e avaliar nossa evolução rumo aos objetivos pensados. Como também, é bom reservar uns momentos para gozar em nossa paz interior os resultados alcançados e levantar um silencioso brinde à nossa saúde física, mental, social e espiritual.

 

 

 

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

 

 

 

Goulart, Elisa; Dependências e Espiritismo

 

André Luiz Ruiz; Relembrando a Verdade

 

Francisco do espírito Santo Neto; As Dores da Alma

 

A Bíblia Sagrada

 

Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva; Mentes Inquietas

 

Revista Saúde, “O Remédio Está Na Fé”. Ed. Abril, n371, 2013.

 

 

 

 

 

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Alexander Moreira Almeida, Harald G. Koening e Giancarlo Lucchetti. “Clinical Implications of Spirituality to Mental Health: review of evidence and practical guidelines”.

 

  1. G. Koening, D. King e V. B. Carson. Handbook of religion and health.

 

Juliane P. B. Gonçalves et al. “Avaliação da prática de terapia complementar spiritual/religiosa em saúde mental”.

 

Luz, Daniel C. – Insight, vol. III

 

Biaggio, Ângela M. Brasil – Psicologia do Desenvolvimento

 

BUCHELE, F.; MARCATTI,M.; RABELO, D. R.. Dependência química e prevenção e recaída, [s.n] Florianópolis, 2004.

 

Silveira DX. Considerações sobre a prevenção ao uso indevido de drogas. Rev ABP-APAL 1993; 15(1):17-20.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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