Aluna: Ana Carolina Franco

 

RESUMO

 

 

 

O álcool é uma das substâncias mais consumidas entre os jovens, com seu início cada vez mais precoce, elevando o risco de dependência. Existe uma ampla aceitação e valorização cultural em relação ao consumo de bebidas alcoólicas, sendo inseridas nas mais variadas ocasiões sociais e contribuindo para uma maior vulnerabilidade no uso abusivo de álcool.

 

O uso de álcool por adolescentes está fortemente associado à diversos prejuízos físicos, sociais e psicológicos.

 

 

 

 

 

Palavras-chave: Álcool. Alcoolismo. Dependência. Jovens. Adolescência.

 

 

 

 

 

DESENVOLVIMENTO

 

 

 

O uso prejudicial do álcool é associado a mais de 60 tipos de doenças, incluindo desordens mentais, suicídios, câncer, cirrose, dentre outras. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (2002), o consumo abusivo de álcool foi responsável por 4% da carga global de doenças e 3,2% de todas as mortes prematuras mundiais.

 

O álcool é uma das substâncias psicoativas mais precocemente consumidas pelos jovens. No Brasil, leis federais proibem a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos (artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei 8.069/90 e Lei das Contravenções Penais, artigo 63). Infelizmente, não é uma realidade praticada, visto que, nenhuma política é efetiva se não for fiscalizada permanentemente. Estudos de Pechansky e Barros (1995) demonstram que

 

menores de idade conseguem facilmente comprar bebidas alcoólicas em diferentes tipos de estabelecimento, pois sem multa e fiscalização adequada, dificilmente há condições de se promover uma melhora nesta situação.

 

 

O uso abusivo de álcool por adolescentes está associado a uma série de prejuízos no desenvolvimento da própria adolescência. Decorrentes do uso de álcool, os prejuízos evidenciados no adolescente se diferem dos prejuízos causados em um adulto, seja por especificidades existenciais ou por questões neuroquímicas deste momento do amadurecimento cerebral. Alguns riscos mais frequentes expressam características próprias da adolescência, como o desafio a regras e à onipotência. O adolescente acredita estar protegido de acidentes, por exemplo, e também se sente mais autônomo na transgressão, envolvendo-se, em situações de maior risco, sem pensar nas consequências. Adolescentes e adultos jovens têm maior risco de sofrer acidentes de trânsito, violências e rompimentos familiares relacionados ao uso prejudicial de álcool. (MCKINNON et al, 2004).

 

 

O uso de álcool na adolescência expõe o indivíduo a um maior risco de dependência química na idade adulta, sendo um dos principais preditores de uso de álcool nesta etapa da vida.

 

O uso abusivo de álcool na adolescência leva à queda acentuada no desempenho escolar, pois esses adolescentes se ausentam com maior frequência das aulas e ainda que consigam frequentá-las, passam a apresentar sonolência, lentidão e dificuldade para entender o que o professor diz. Algumas pesquisas apontam para danos cerebrais causados pelo uso abusivo de álcool, envolvendo o aprendizado e a memória. Segundo Herculano-Houzel (2002), o hipocampo é o local do cérebro no qual a memória é formada e depois distribuída para o resto dele, portanto, danos no hipocampo poderiam prejudicar a formação de novas memórias, o que atrapalharia muito as novas aprendizagens. Para Brown et al (2000), durante a adolescência, o córtex pré-frontal ainda está em desenvolvimento, o álcool então, pode afetar uma série de habilidades que o adolescente necessita desenvolver e que são mediadas por essa área, como o aprendizado de regras e tarefas focalizadas.

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

O uso abusivo do álcool produz graves consequências orgânicas, comportamentais e na estrutura de desenvolvimento da personalidade em formação do adolescente.

 

O álcool é grande fonte de danos para a saúde e segurança pública mas seus prejuízos não são tratados com a devida importância e não há o devido controle social desta substância. A consequência disso e da excessiva oferta e acessibilidade, gera consumo elevado e ampla disponibilidade de álcool nos ambientes, banalizando o seu consumo e levando a tolerância em relação às transgressões legais. A sociedade, por um lado, condena o abuso de álcool pelos jovens, mas é permissiva ao estímulo do consumo por meio da propaganda. Poucas restrições às propagandas nos meios de comunicação tornam o consumo de bebidas alcoólicas cada vez mais atrativas ao público, principalmente o jovem.

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

 

 

Brown SA, Tapert SF, Granholm E, Delis DC. Neurocognitive functioning of adolescents: effects of protracted alcohol use, 2000.

 

Estatuto da Criança e do Adolescente, Câmera dos Deputados, Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990. DOU de 16/07/1990 – ECA. Brasília, DF.

 

Herculano-Houzel, S. O cérebro nosso de cada dia: Descobertas da

 

neurociência sobre a vida cotidiana. Rio de Janeiro: Vieira & Lent, 2002.

 

McKinnon SA, O’rourke KM, Thompson SE, Berumen JH. Alcohol use and abuse by adolescents: the impact of living in a border community. J Adolesc Health, 2004.

 

Organização Mundial da Saúde (OMS). About Global Alcohol Database. 2002.

 

Disponível em:

 

<URL: http://www3.who.int/whosis/alcohol/alcohol_about_us.cfm?path=whosis, alcohol,alcohol_about&language=english


Pechansky F, Barros F. Problems related to alcohol consumption by adolescents living in the city of Porto Alegre, Brazil. Journal of Drug Issues, 1995.